terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Críticas e Críticos



Sou profundamente crítico com muitos fatos que ocorrem nas igrejas evangélicas, sei que não somos perfeitos, há muitas distorções, muitas igrejas inclusive que levam o título de evangélica apenas de fachada. Mas critico de dentro das fileiras cristãs, faço como auto-critica religiosa e inclusive pessoal, pois sei que como cristão estou muito aquém daquilo que meu Senhor e Salvador me instrui. 

Mas creio que a sociedade esquece facilmente também o que as igrejas evangélicas e os cristãos fazem belo bem comum, pelo próximo. 

Mesmo sabendo que nada do que fizermos é o que  nos leva a salvação, ou seja não é para “recebermos favores de Deus” já que somos salvos pela Graça. 

As igrejas cristãs estão entre as que mais investem na sociedade para o bem comum, é só verificar, aqui mesmo em Curitiba a quantidade de hospitais evangélicos e católicos, a quantidade de instituições de ensino, a quantidade de casas de apoio a toxicómanos, sem contar a imensa quantidade de igrejas que fazem um grande trabalho social de apoio a pessoas carentes, como distribuição de cestas básicas, apoio psicológico e claro espiritual, etc, etc, etc... 

Grandes ativistas pelos direitos humanos e pela justiça social sairam das fileiras das igrejas cristãs, e falo isto não somente no Brasil mas no mundo todo. 

As agências missionárias cristãs estão entre as organizações mais ativas e que levam socorro, inclusive apoio médico e alimento, a nações extremamente fechadas, missionários correm risco de morte para levar justiça e esperança a povos subjugados e oprimidos. 

Claro que o que mais aparece na mídia são aqueles que se aproveitam do povo em benefício próprio, mas nós cristãos protestantes fazemos questão de afirmar que tais instituições não compatilham de fato de nossa fé e do nosso entendimento do Evangelho, faço parte de uma Igreja séria e trabalho em instituições académicas que formam pastores e pensadores sob o prisma da reta doutrina cristã ensinada por Cristo e compartilhada pelos apóstolos. 

E como acadêmico cristão procuro sempre estar intelectualmente preparado para responder aos anseios e dilemas que a sociedade moderna compatilha. Como pastor procuro sempre estar conectado com minha fé e compartilhar com aquele que necessitam e procuram a Deus. 
E é por ver tantas pessoas criticando o cristianismo sem sequer ter a mínima noção do que é ser cristão, ou porque em algum momento de sua parca experiência cristã não teve os seus desejos atendidos, é que resolvi ponderar algumas das questões colocadas acima. 

Saldo ledo engano, creio que pouquissimas instituições religiosas fazem pela sociedade o que o cristianismo faz.  

Aprendemos com os nossos erros históricos, sim já fizemos muito mal também, mas creio olhando para o presente vejo que estamos tentando acertar 

Critico sim e vou continuar criticando as instituições cristãs que estiverem falhando em viver o evangelho, mas se o faço é com humildade sabendo que este que critica também merece ser criticado por estar também falhando com Cristo. 

Por fim, apesar dos pesares estou de bem com a minha fé e estou de bem com a instituição igreja e muito feliz por ser cristão e poder comemorar o Natal no seu verdadeiro sentido : Deus se fez homem, o meu Redentor nasceu ! 

Soli Deo Gloria. 

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

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terça-feira, 4 de dezembro de 2012

O Pecador Santo......

Maravilhoso texto de Luiz Felipe Pondé na Folha de São Paulo, reproduzo abaixo. Vale a leitura e meditação. 


A adúltera de Deus

Luiz Felipe Pondé, na Folha de S.Paulo
O Deus de Israel sempre amou as adúlteras. Jesus também dispensou cuidados especiais para com elas, e para com as prostitutas, os ladrões e os desgraçados de todos os tipos. Deus parece não resistir à sinceridade do pecador, assim como a filosofia parece amar a verdade do melancólico.
Na Bíblia hebraica, Raquel, a segunda esposa de Jacó (depois chamado de Israel), por muitos anos uma mulher estéril e idólatra por raiva de Deus, enterrada fora do “cemitério da família” por ter sido uma vergonha para esta mesma família, será escolhida por Deus como consoladora do povo eleito no sofrimento.
Raquel é a “mater misericordiae” do judaísmo. Quando Israel sofre, é o nome dela que deve ser lembrado. Deus ama as infelizes e as elege como suas conselheiras. Qual o segredo da infelicidade?
Não se trata de brincadeiras teológicas “progressistas” que erram achando que ninguém é pecador. A pastoral de hoje, vide as igrejas que crescem por toda parte (o judaísmo não escapa tampouco desse vício), cada vez mais se assemelha a grandes workshops de autoajuda ou treinamentos motivacionais. Nada menos cristão do que um Jesus consultor de sucesso. Ninguém quer ser pecador, só santo.
Mas aí reside o erro para com a teologia cristã mais sofisticada: nela, o grande pecador é o mais próximo do santo. A beleza da antropologia do cristianismo está neste sofisticado e denso vínculo dramatúrgico: quando o corpo se põe de joelhos, pelo peso do pecado, o espírito se ergue. Não se trata de dolorismo, mas, sim, da mais fina psicologia moral.
A santidade reside mais na alma do pecador do que na autoestima do “santinho”.
Aliás, devo dizer que minha crítica à religião é diametralmente oposta àquela de tradição epicurista ou marxista. Esta, grosso modo, critica a religião porque ela faz do homem um alienado covarde, e que se vende a Deus para ser um alienado feliz. Eu me alinho mais ao pensamento do teólogo Karl Barth (século 20), para quem a religião torna tudo um mistério maior e traz à tona um sofrimento maior, mas que, por isso mesmo, amplia a consciência de nossa condição humana. Sofro, por isso penso, e logo, existo.
Recuso as religiões institucionais não porque elas fazem do homem um medroso, alienando-o de sua felicidade e autonomia (como creem Epicuro e Marx), mas sim porque as religiões fazem do homem um feliz, alienando-o de sua própria agonia. Quando a religião vira marketing, é melhor caminhar só pelo vale das sombras.
Revi recentemente o maravilhoso “Fim de Caso” (filme de 1999, dirigido por Neil Jordan), com a deusa Julianne Moore e Ralph Fiennes. O filme é uma adaptação do romance de Graham Greene e narra a “sua conversão”. Trata-se de um fino tratado de teologia, melhor do que grande parte dos livros que afirmam sê-lo.
No filme, a compreensão da íntima relação entre pecado e graça é avassaladora. Nada mais forte do que a graça para iluminar a agonia do pecador para si mesmo: o santo não é um santinho.
A personagem de Julianne Moore é uma adúltera, que ao longo do filme apresentará traços claros de santidade, chegando a realizar um milagre. A adúltera, infiel ao seu marido, destruidora da fé no casamento e no amor que organiza a vida e a sociedade, o tipo mais vil de mulher, é aquela que mais fundo toca Deus em sua paixão pela agonia humana. No cristianismo, Deus leva a agonia humana tão a sério que resolveu Ele mesmo passar por ela, na figura da Paixão de Cristo.
Um musical a estrear, baseado na obra de Victor Hugo (século 19), “Os Miseráveis”, com Hugh Jackman no papel de Jean Valjean, fugitivo da cadeia, e Russell Crowe no papel de seu perseguidor implacável Jabert, traz uma das maiores cenas da teologia cristã já representada na arte. Jean Valjean, após ter roubado os castiçais da casa de um padre, e ser pego pela polícia, é perdoado pelo padre que confirma para a polícia a mentira contada por Valjean: “Sim, eu dei os castiçais para ele”.
Este ato transforma Valjean. O encontro entre a misericórdia e o pecador é uma das maiores afirmações do sentido da vida.