terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Um verdadeiro Caráter Cristão



Por vezes adotamos uma aparência cristã externa, agimos, aparentamos e até em muitas questões agimos com um caráter cristão.

É claro que devemos dar exemplo de postura cristã, mas Jesus está mais interessado em nosso interior do que no exterior, isso fica claro quando ele afirmou para os fariseus:

Lucas 11:37-40

“37 Quando Jesus acabou de falar um fariseu o convidou para jantar na casa dele. Jesus foi e sentou-se à mesa. 38 O fariseu ficou admirado quando viu que Jesus não tinha se lavado antes de comer. 39 Então Jesus disse a ele:

- Vocês, fariseus,lavam o copo e o prato por fora mas por dentro vocês estão cheios de violência e maldade. 40 Seus tolos! Quem fez o lado de foram não é o mesmo que fez o lado de dentro?”

Se observarmos os versículos anteriores veremos que Jesus estava falando a algum tempo, possivelmente este fariseu estava ouvindo-o atentamente. E após Jesus finalizar, ele o convidou, juntamente com outros mestres da Lei[1] para jantar em sua casa.

Interessante os conceitos que temos aqui.

Primeiro Jesus foi jantar na casa de um fariseu, sabemos que os fariseus não morriam de simpatia por Jesus, e Jesus sabia disso. Jesus conhecia os conceitos teológicos dos fariseus, principalmente seus rituais, então o que vemos é que Jesus aceita jantar na casa de um fariseu, não se importa com que seus seguidores estarão pensando, Jesus aceitou o convite com naturalidade, e animadamente assim que chegou sentou-se a mesa, a espera do jantar.

Ai está o primeiro choque, o texto diz que o fariseu ficou admirado quando viu que Jesus não tinha se lavado.

A questão de se lavar antes de refeição não tinha um caráter higiénico, para os fariseus era muito mais como observação religiosa, era um ritual[2] para tirar a impureza da pessoa[3]

Essa questão já havia sido levantada com relação aos seus discípulos inclusive, Jesus possivelmente sabia que iria ser questionado novamente.

Nesse momento Jesus identificou a postura do fariseu, e claro expôs novamente o conceito do que mais importante que aparência é a essência. Nada adianta ter a aparência de puro, se o interior não condiz com essa aparência. Para muitos daqueles fariseus, senão para todos, o que mais incomodava era justamente que Jesus não seguia os seus “manuais” mas assim mesmo o povo o via como alguém especial, alguém quem deveriam ouvir.

Aquele fariseu estava sob o peso das convenções religiosas, para ele o ritual, o simbolismo externo assumiu um fim em si mesmo, ou seja, o que fazia sentido era a sua representação externa e não a interna, este é o grande perigo de vivermos um cristianismo institucional.

Deus vê a intenção do nosso coração, além da demonstração externa de religiosidade.

De nada adianta falarmos de caráter cristão se antes não falarmos de experiência interior cristã, e isso parece-me claro uma vez que entendo estarem os dois unidos.

Aquele fariseu convidou Jesus para jantar com ele, esperando que Jesus se adaptasse ao seu modo de viver, mas Jesus não se adapta ao nosso meio de viver, se queremos “Jantar” com Jesus devemos estar preparados para aceitar o que Jesus nos ensina. Se quero ter um caráter cristão tenho que estar preparado para ouvir coisas que não gostaria, por parte de Deus.

Aquele fariseu não necessitava de limpeza externa, de rituais, ele necessitava de transformação interna.

O Moderno cristão aparente.

Hoje vivemos muito preocupados com nossa aparência, diz um ditado que o hábito faz o monge, infelizmente isso é quase um padrão nos nossos dias.

Não necessitamos ser honestos, basta termos a aparência de honestos, (vide nossos políticos) mas o mais grave é que trazemos muito destes conceitos para dentro das igrejas, e para dentro de nossas vidas.

Não estou dizendo que devemos descuidar da aparência, somos regidos por uma certa estética, que não deve extrapolar seus limites, nem pra mais, nem pra menos, tampouco devemos apenas julgar pelas aparências (afinal as aparências enganam).

O que fica claro para nós é que o caráter cristão se forma de dentro para fora e não de fora para dentro, então para ter um caráter cristão devo olhar para o caráter e vida de Jesus. E talvez ai é que comecem nossos problemas, muito do que Jesus fez nos choca, apesar de admirarmos seus atos nossa religiosidade acaba não permitindo que façamos o mesmo. Mais do que formulas quero que façamos uma reflexão, que olhemos para dentro de nós mesmos, e perguntemos: Tenho um verdadeiro carátercristão?

Para responder-mos isso tenho que fazer outra pergunta : Estou mais preocupado com o que Deus quer, ou com o que as outras pessoas esperam de mim? Enfim estou mais comprometido com os valores do Reino de Deus ou com os conceitos da nossa sociedade?

Jesus se apresentou e se apresenta como um paradoxo, i.e. a aparente falta de nexo ou de lógica, algo que contém uma contradição, senão o que dizer do homem que comia com estelionatários, bebia com agiotas e falava para prostitutas, tolerava aparentemente tudo em todos. “Eu não condeno você”, ele ousou falar aos ouvidos da mulher adúltera. O rabi puxava conversa com divorciadas promiscuas, pousava sua mão sobre leprosos de que todos desviavam o olhar e dormia nas camas rendadas de inimigos do povo.[4] Como diz Paulo Brabo em seu texto Em seis passos que faria Jesus[5] :

“O sujeito conseguiu o feito inédito de sustentar a fama de homem de Deus ao mesmo tempo em que abraçava os puxadores de fumo, traficantes, travestis e aidéticos do seu tempo”.

Se estas palavras nos chocam, imaginem então o agir de Jesus em seu tempo. Se estivermos mais preocupados com nossa reputação do que com os valores do Reino, pode ter certeza que ainda não temos um caráter cristão bem formado. E podem ter certeza que estar comprometido com os valores do reino exige sim um grande esforço.

O teólogo Karl Bart em seu livro “Esboço de uma Dogmática”[6], no capítulo 13 intitulado “Nosso Senhor”, afirma sobre a relação entre Jesus e a forma de aceitação do seu discurso pelo homem:

“A existência do homem Jesus Cristo é, em virtude da sua divindade, a decisão soberana sobre a existência de todo o homem. Ela está baseada no fato de que, pela dispensação de Deus este alguém representa tudo e, portanto, tudo está ligado e subjugado a este Alguém. Sua comunidade sabe disso. E é isso que deve ser proclamado ao mundo”.
A Caminhada

Adquirir um caráter cristão, seguindo o modelo de Jesus, não nasce da noite para o dia, muitos acham que podem ser transformados da noite para o dia, creio sim que quando aceitamos a Cristo

opera em nós uma grande mudança interna, passamos a enxergar o mundo e a vida com outros olhos,

sobre o prisma da eternidade e de Jesus, mas isso não dispensa a nossa caminhada e o cuidado com o

nosso ser. Tanto não dispensa que os primeiros cristãos não eram conhecidos como cristãos, mas

eram chamados de os seguidores do caminho, somente isso já demonstra que devemos seguir uma

senda, uma trilha uma direção, que é apontada por Jesus.

Somos bombardeados constantemente com ações da nossa sociedade, em nossos lares poderosos meios de comunicação em massa entram sem pedir licença, via internet, via rádio, via tv este ultimo ainda é o mais avassalador meio de influencia já criado pelo homem, possivelmente a internet irá passar a tv a médio prazo, mas hoje nos somos muito influenciados por esse meio de comunicação, e através dele recebemos os mais diversos conceitos, somos pressionados em nosso trabalho, somos confrontados por nossas necessidades e passamos por um processo de comparação competitiva com outros, cada vez mais somos exigidos como maridos, profissionais, pais, amigos, temos que nos desdobrar para acompanhar o ritmo da vida moderna.

E muitas vezes são justamente estes fatores interiores e sociais que nos tiram o foco e a noção da profundidade do que é ter um caráter cristão. Não é difícil em certas circunstâncias abrir mão de conceitos cristão em prol de alguma necessidade, ou ganho próprio, não podemos esquecer que estaremos sendo provados em nossa firmeza cristã quase que diariamente, e se não tivermos um profundo comprometimento interno com os conceitos cristão, essa troca, de abrir mão destes conceitos para um ganho próprio fica fácil, basta ninguém estar vendo.

Não estou dizendo que não podemos cair, ou perder o alvo de vista, todo este contexto da vida contemporânea nos leva a uma ultima questão:

Até que ponto conseguimos seguir o exemplo de Jesus? Quais são os principais entraves para que cheguemos a estatura de varão perfeito, ao exemplo de Cristo? Hoje, a mais de dois mil anos do nascimento de Jesus, é mais difícil, mais fácil ou igual à sua época para espelhar-nos em sua vida e seguirmos seus exemplos? Até que ponto conseguimos despir-nos dos nossos medos, conceitos e pré-conceitos, até que ponto conseguimos viver sem a opinião de terceiros, sem estarmos constantemente preocupados com o que vão achar de nós, dos nossos atos, das nossas altitudes até que ponto estamos preparados para amarmos uns aos outros, amarmos nossos inimigos, de não acumularmos riquezas, de dividirmos o que temos?

O que Jesus pede de nós, não é simplesmente deixarmos de sermos "humanos demasiadamente humanos", afinal nosso instinto, nosso inconsciente rugem, clamam pela nossa integridade física e moral. Como posso despir-me de todas as garantias de vida, não amealhar fortuna para os tempos em que se faça necessário, dividir ou dar o que tenho para quem tem menos que eu, servir, ao invés de ser servido, humilhar-me ao invés de ser exaltado. E como dói ao perceber quanto estou longe do meu Mestre como é duro saber que ainda somos humanos demasiadamente humanos.

Como seguí-lo, em uma sociedade que lhe mede pela quantidade de bens que se possui, em que ser um fracassado é não possuir riquezas? Jesus enquanto homem vivia humildemente, não tinha sequer um travesseiro para repousar a cabeça não tinha uma montaria para se locomover, a não ser quando lhe emprestavam um burrico, não tinha uma casa, muitas vezes dormia ao relento, Jesus pelos nossos padrões poderia ser considerado um fracassado? Imagine o redentor da humanidade, o Filho de Deus,era um fracasso???

Poucas vezes paramos para pensar o quanto é difícil para nós abrirmos mão do que temos, o quanto nos dói abrir mão de nossas mágoas, de nossas âncoras de tudo aquilo que nos mantém presos a um materialismo mesquinho, o que Jesus nos mostra é o verdadeiro caminho, mas como dói em meu peito constatar que para mim é tão difícil abrir mão de todas as coisas que muitas vezes me afastam deste caminho.

Você já experimentou só imaginar dividindo tudo que você tem inclusive suas roupas seus sapatos, os brinquedos dos seus filhos, as jóias de sua esposa. e ir ao encontro de seus inimigos, seus desafetos, e pedir perdão por tudo que você fez? Você consegue se imaginar repartindo tudo que tem e dividendo com pessoas que moram na favela perto de sua casa? Você pensaria em morar lá para levar os ensinamentos de Jesus para este povo tão carente e sofrido? Você consegue se imaginar amando essas pessoas que em muitos casos não tem água para tomar banho? que sofrem das piores doenças? Que não tem esperanças?

Ah, Jesus! muitos vão dizer que isto é besteira que o Senhor nunca pediu isto, mas Jesus, é vendo tudo o que o Senhor fez, falou e viveu, que eu posso entender o quanto ainda sou humano, demasiadamente humano e quanto tenho que caminhar para poder chegar aos seus pés.

Pr. Roberto Rohregger



[1] Podemos perceber que haviam outros representantes da Lei na casa pelo vers. 45

[2] Marcos 7:3-7

[3] É claro que sabemos teologicamente que Jesus não necessitava de nenhum ritual para purificação, mas também sabemos que Jesus participou de alguns rituais que não teria teologicamente necessidade sendo ele Deus, como por exemplo, o batismo.

[4] Paulo, Brabo – Em seis passos que faria Jesus em www.baciadasalmas.com.br

[5] idem

[6] Barth, Karl – Esboço de uma Dogmática, Ed. Fonte Editorial, pg. 123

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

A verdadeira evolução humana.


Engana-se quem acha que a demonstração da evolução do ser humano se dá pela sua capacidade técnico-científica. 

A verdadeira demonstração de superioridade evolutiva da humanidade se dá através do aprimoramento dos conceitos éticos e da concepção de transcendência da vida. 

O homem evoluído terá nestes parâmetros as suas diretrizes para o bem viver. 

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

O risco do cristianismo pós-moderno.





 Cada vez mais entendo que como cristãos devemos nos afastar do modelo econômico neoliberal. Este é um sistema exclusivista, que mede o ser humano por valores consumistas e mostrou-se, além de tudo, sujeito a ondas de instabilidade. 


Mas principalmente porque creio que este modelo e seus valores são antagônicos ao cristianismo. O amor ao dinheiro é a raiz de todos os males... isto esta cada vez mais claro, era assim a mais de 2000 anos atrás e é assim hoje também.

Afirmo taxativamente, baseando-me nos ensinos de Jesus o Cristo, que a busca pela riqueza é um vício e desta forma é um pecado, no sentido de afastar-nos de Deus e de apresentar um valorização distorcida do ser humano e da vida.

Sei que muitos não vão gostar destas palavras, mas estou cansado de meias palavras, falar com cuidado para não ferir o “status quo” religioso. 

A teologia da prosperidade é uma farsa e não merece ser chamada de ensino cristão, tampouco os que a pregam de seguidores do caminho. Hoje mesmo tive o desprazer de assistir parcialmente a uns três programas “evangélicos”, onde se oferecia perfume ungido para fisgar namorado, onde se ensinava a determinar e outros amuletos, mas não ouvi em nenhum momento falarem de Jesus. Gritos, palavras de ordem e sermões vazios, amuletos, compra de bênçãos, desejo de poder, e riqueza, eu pergunto qual a diferença da igreja católica da época de Lutero, para as igrejas que oferecem estas “relíquias”???

Não estou fazendo apologia a pobreza e miséria, como muitos podem afirmar, mas a volta para valores simples do cristianismo, mesmo porque o juízo sobre a nossa forma de viver está chegando, e a conta mais cara será paga pelas próximas gerações.

Nossas igrejas estão cheias de gente vazia.... o cristão está conformado a viver na mediocridade, isto é ir levando a vida. Vou ao culto no fim de semana, buscar a minha benção, e depois volto para casa sem fazer diferença nenhuma, fazemos cultos de jovens para seu entretenimento, mas não os ensinamos a fazer diferença, a terem uma posição critica, os criamos em uma bolha de vidro.... 

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Pátria amada... será?


Cunha está apostando todas as fichas em uma manobra que tem o único objetivo tirar o foco sobre as investigações do dinheiro que ele tem em contas no exterior. Uma ação democrática não deveria ter como principal objetivo interesses pessoais, e, é claro que ele tomou esta decisão após reunir-se com seus afiliados e opositores ao governo atual. Pois bem, com certeza há um acordo costurado para ele dar continuidade ao processo de impeachment, como não conseguiu o que queria com o Governo, negociou sua cartada com a oposição. Citando Machiavel, será que os fins justificam os meios? Ou será que fazendo as concessões que estão sendo feitas não seria a mesma coisa que tentar vencer o demônio vendendo a alma para satanás? Quem corre maior risco neste jogo todo é o processo democrático e o Estado de Direito, que se façam as investigações necessárias para se provar que houve ilegitimidade da eleição da Dilma, que se apresente as evidências e pronto. Mas da forma como está sendo feito, tudo indica apenas um complexo jogo de interesses e estes interesses não tem nada haver com os da nação, ao contrário atende a lobbies e indivíduos profundamente articulados e que fazem parte daqueles que estão destruindo a nação e com as possibilidades de desenvolvimento das gerações futuras que por ventura ou desventura nascerem neste solo. Mais de 500 anos de colonialismo e continuamos sendo explorados, apenas mudaram os senhores....Mas os sonhos deles continuam os mesmos : explorar o máximo possível destas terras inóspitas e voltar com as burras cheias para a Europa lugar de gente bonita e civilizada.....O problema do nosso país é a falta de um projeto de nação....