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quinta-feira, 16 de julho de 2015

Sobre a Maioridade Penal.....


Muito tem se falado sobre a questão da maioridade penal, como sempre, não gosto de me manifestar sem pelo menos uma breve reflexão e avaliação de opiniões a respeito, e acho que já tenho uma solidez argumentativa a respeito do assunto. 

Penso que falar sobre maioridade penal é tentar tapar o sol com a peneira, o problema da nossa sociedade é muito mais profundo, e para o qual está ação legislativa não surtirá grande efeito. Comecemos com nosso sistema prisional. Salvo ledo engano deste, trata-se apenas de um local de ajuntamento de pessoas que cometeram crimes, aliás na sua grande maioria com um tremendo excesso de presos, muito além da sua capacidade. O objetivo do sistema penal deveria ser afastar o indivíduo que cometeu crime da sociedade, cumprir a pena da qual o sistema legal o imputou, através de julgamento lícito e ser ressocializado, para que, ao cumprir sua pena possa ser reintegrado à sociedade. Parece que estes objetivos não são alcançados, pelo menos não de todo. Desta forma surge a dúvida, jogar mais criminosos, através da redução da maioridade penal, neste cenário vai resolver? Será que o menor que comete crimes hoje realmente vai ficar temeroso em decorrência do risco de ir par a cadeia? 

Sabe-se que muitas ações envolvendo crimes são imputadas a menores em decorrência da impossibilidade de prisão dos mesmos, cumprindo medidas sócio-educativas, que parecem também não resolverem muito... Eu penso que bandidos que hoje andam com menores de 16 ou 17 anos, para assumirem a "encrenca," passariam a andar com menores de 15 ou 14... maioridade para 14? menores de 13 ou 12... e assim vai....

Creio que vivemos um problema estrutural da sociedade que está assentada no capitalismo extremado, diria mais, onde o valor do ser foi completamente substituído pelo ter, aliás substituído não é bem o termo na verdade ser é ter. O indivíduo é alguém quando ele consegue demonstrar para a sociedade ( ou para o grupo) aquilo que ele tem, assim ter um tênis de marca, ou um celular ultimo tipo te coloca como alguém importante, alguém que conseguiu... este conceito está extremamente arraigado em nossa forma de viver moderna. Não pretendo discorrer aqui longamente sobre este assunto, mas apenas tocar em um dos pontos que contribuem para a selvageria moderna...Enquanto não tivermos um sistema penal que seja de fato correcional, enquanto não tivermos um sistema educacional que seja eficiente e centrado em valores, enquanto tivermos uma sociedade que valorize extremamente mais a aparência do que a essência, estaremos discutindo bobagens que não servem para nada...

sábado, 24 de dezembro de 2011

Natal esperança e redenção.


Estamos passando a data que comemoramos o Natal, festejamos com nossos familiares, com nossos amigos, celebramos a data que para nós cristãos significa relembrarmos o nascimento de nosso salvador Jesus Cristo.
Muito já se falou da transformação desta data em apenas um dia de consumismo extremo, o comércio comemora essa data como uma das melhores do ano, não por seu significado religioso, mas sim por seu significado econômico.
Mas para nós cristãos como deve ser vivida essa data?
Claro que deve ser um momento de alegria e celebração, festividades, mas também um momento de reflexão.
Quando estava meditando nestes pontos achei interessante o Natal ser tão próximo da virada do ano..., Mas também é uma oportunidade.
Geralmente a chegado do fim do ano e a proximidade do ano novo nos leva a pensar no ano que passou e nos enche de esperanças para o ano que vai chegando.
E pensei que o natal também é isso, e olharmos para o que somos, o que fizemos e como agimos e ver no nascimento de Jesus a esperança e redenção.

Na Bíblia nos é relatado o nascimento de Jesus, Mateus nos relata o seu nascimento, a visita dos magos e a fuga para o Egito, Marcos já é mais sucinto relata a vida de Jesus a patir do seu batismo, Lucas relata até antes nos coloca na anunciação do nascimento de João Batista e de Jesus, e por fim João nos leva ao um período anterior, nos leva ao eterno, a um começo sem início, nos situa Jesus junto ao Pai: João 1.1 “No começo aquele que é a Palavra já existia, Ele estava com Deus e era Deus”.
Na época em que Jesus nasceu, havia uma grande expectativa no ar, a tempos os Judeus esperavam o Messias, o grade Rei, aquele que iria livrar-los do julgo dos romanos, das grandes dificuldades que passavam, esperavam aquele que iria lhes devolver a glória passada. Para eles era muito difícil servirem a YAHWEH, que era soberano que os tinha como seu povo e estarem sobre as ordens de uma outra nação, que adorava ídolos, deuses e homens, que tinham o seu próprio Rei-Deus, uma vez que os césares tinham o status de divindade.
Mas estas expectativas foram contrariadas no nascimento de Jesus.
Texto : Lucas 2: 1-20 – O Nascimento de Jesus e a visita dos pastores.
É neste contexto que Jesus nasce, num lugar humilde, sem pompas, anunciados a pastores ( que normalmente não eram pessoas de muita importância na ordem social de Israel) mas a mensagem que estes recebem é muito significativa : Nasceu hoje um Salvador, que é Cristo-Senhor.”
Neste momento é anunciada de forma simples, a esperança para o povo e a redenção para o homem.
No Dicionário Aurélio redenção significa
Ato ou efeito de remir ou redimir.
2.Ajuda ou recurso capaz de livrar ou salvar alguém de situação aflitiva ou perigosa.

3.Rel. A salvação oferecida por Jesus Cristo na cruz, com ênfase no aspecto de libertação da escravidão do pecado.
Desta forma o fato histórico do nascimento de Jesus, torna-se uma fato atemporal, ou seja, eterno, a simbologia e o significado no Natal está em podermos nos apropriar da esperança e da redenção.
Assim como na época em que nasceu Jesus, hoje também temos a necessidade da esperança, esperança em um mundo melhor, esperança em uma vida melhor e na esperança de sermos pessoas melhores... Necessitamos sim da redenção que é apontada no nascimento de Jesus e consumada na Cruz, necessitamos dela a cada dia, é somente através desta redenção que podemos ter esperança no amanhã e em nós mesmos.
É então com a mesma humildade do nascimento de Jesus que devemos fazer do natal um momento de reflexão em nossas vidas, Jesus na manjedoura acena com a possibilidade da salvação do homem, da sua redenção e é através disso que podemos olhar para o amanhã com esperança renovada, a esperança de que somos perdoados e aceitos por Cristo, esperança que Jesus está sempre com a mão aberta para nos resgatar, que apesar de todos nossos erros, falhas, mesquinharias, de sermos tão maus, aquela criança em Belém assim mesmo acredita que podemos mudar, nos oferece esperança, esperança não em sistemas políticos, religiosos ou econômicos, mas oferece esperança em nós mesmos.
Tão importante quanto crer em Jesus, é entendermos que Jesus crê em nós, por isso morreu na cruz, morreu por nós.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O empobrecimento do Cristianismo...

Fato constatado : Os cristãos estão cada vez mais alienados, e não digo alienados com relação ao mundo que nos cerca, mas com relação ao próprio cristianismo. 

Uma parcela significativa de cristãos desconhecem os rudimentos da fé que professam. Poucos são os que  lêem  a Bíblia, os que lêem e compreendem então....

Vejo e ouço relatos de jovens que frequentam igrejas a muito tempo praticamente crentes de berço, que se perdem ao procurar livros na Bíblia, demonstrando a completa falta de intimidade com tal material. 

A completa falta de uma disciplina espiritual voluntária, ou seja desejada pelo próprio indivíduo, de estudar a Palavra de Deus, é notória. 

Esta falta de compromisso do cristão em seu desenvolvimento espiritual é preocupante. 

sábado, 30 de janeiro de 2010

A fragilidade do hospitalizado.

Hoje na aula da pós graduação em Psicoteologia e Bioética na Faculdade Evangélica abordamos o tema do conselheiro e do ajudador enfocando alguns dos ambientes que estes podem exercer sua atividade, inclusive em capelania.

E baseado no texto "O significado emocional da hospitalização" do livro Cuidando na Enfermidade de Albert Friesen faço as seguintes considerações:

Estar hospitalizado já é um constrangimento por sí só, significa em muitos casos estar frágil e dependente, falando apenas no nível psicológico.

Se esta fragilidade e dependência não for acolhida com amor e respeito, a situação se tornará agravada em muito.

A simples roupa hospitalar que em muitas vezes o doente tem de usar, apesar de prática e funcional é constrangedora para o paciente.

Assim podemos observar que a hospitalização acarreta em uma carga emocional significativa. Fato é que o indivíduo muitas vezes se tornar dependente de outros, ficando limitado no seu ir e vir, ficando em "suspensão" e ao dispor daqueles que são os responsáveis pelo seu bem estar, tratamento ou cura.

Alí, no leito de uma cama, está um ser humano, com dores, agonias, preocupações com relação a sua saúde e sobrevida, bem como com aqueles que são seus amados e dependentes.

Cabe a nós religiosos e acolhedores estarmos preparados para uma ação neste ambiente, levando amor e atenção.

Devemos entender que a fragilidade daquele que está no leito não é somente física mas psicológica e possivelmente também espiritual.

Neste momento o acolhedor deve se desarmar e procurar ajudar o hospitalizado sendo empático ao seu sofrimento e trabalhando suas fragilidades, levar conforto e acolhimento com dignidade.

Uma visão mais holistica faz-se necessário ao tratar aquele que esta hospitalizado. Que possamos levar a estes palavras e gestos de Vida Abundante no seu significado pleno.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Nada consegue explicar uma tragédia....

Nos momentos de grande tribulação ou de acontecimentos que chocam pela sua abrangência e por serem inesperados surge a mesma questão de sempre :

Onde estava Deus ?



Já ouvi e li muitas respostas sobre isso, desde Jon Sobrino no livro Onde está Deus?, em que sugere o partilhar de Deus com aquele que sofre e com aquele que estende a mão, ou seja Deus está no momento da solidariedade.



De algumas vertentes neo-pentencostais afirmando que "é castigo de Deus...".



As que preferem isentar Deus, "o desastre é uma ocorrência natural, muitas vezes causadas pela ação errada e pecaminosa do homem no exercício do seu livre arbítrio...."


Outros dizem apenas que é a "vontade de Deus...."



A pouco lí um texto do Frei Antônio Moser que em determinada parte do seu artigo intitulado "Tragédia em Angra dos Reis: Ò Deus onde estás?" afirma:



"(...)Assim seguramente na tragédia de Angra, Deus não se encontrava ausente, e muito menos quis castigar; simplesmente quis recordar a todos que a felicidade que Ele promete, não se confunde com facilidade , nem com momentos passageiros de bem estar. O verdadeiro Deus não é o Deus da prosperidade. É simplesmente o Deus que nos recorda continuamente que a nossa vida na terra está sempre por um fio.(...)"



E tantas outras.....



Simpatizo mais com algumas respostas do que com outras, algumas me fazem até sentir ojeriza, mas confesso que nenhuma destas respostas traz completa paz ao meu coração, nenhuma delas me responde completamente a pergunta feita, e não sei se alguma pode consolar as famílias ou o que restou de algumas famílias que perderam seus entes queridos...



Posso estar sendo ingênuo teológicamente, pode ser que muitos respondam esta pergunta citando teses ou autores e versículos, mas a minha resposta para esta pergunta seria o silêncio e possivelmente uma lágrima.



Mas apesar do silêncio minha fé continua inabalável, pode parecer paradoxal, mas aprendi do alto da minha insignificância teológica, que há coisas que são melhores ditas, quando não são faladas.


Devemos cultivar um pouco mais de humildade e confessarmos que há muito que não entendemos de Deus e que não sabemos e, não saberemos explicar.



À todos os sobreviventes e famílias da tragédia de Angra fica a minha solidariedade com a sua dor, a minha lágrima e o meu silêncio.


Soli Deo Gloria.

domingo, 13 de setembro de 2009

Praticidade Cristã : "Deus lhe abençoe."

"Estava faminto, e você criou um clube humanitário para discutir minha fome. Estava preso, e você esgueirou-se silenciosamente para sua capela no porão e orou por minha libertação. Estava nu, e você, em sua mente debateu a moralidade da minha aparência. Estava doente, e você ajoelhou-se e agradeceu a Deus por sua saúde. Estava sem casa, e você pregou para mim sobre a cobertura espiritual do amor de Deus. Estava só, e você deixou-me só para orar por mim. Você parece ser tão santo e estar tão próximo de Deus, mas eu ainda continuo muito sozinho, com muita fome, e com muito frio. "
Texto do livro 40 dias para mudar o mundo, David Jeremiah, pg 26


Infelizmente este texto demonstra exatamente o pensamento de muitas igrejas..... Muitas vezes vivemos hipócritamente os ensinamentos de Cristo. Espero nunca afirmar que Nietzsche estava certo ao dizer que o único cristão que de fato existiu morreu na cruz, mas muitas vezes chego muito perto de achar que ele tinha razão.....