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quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Palestras e Cursos


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terça-feira, 28 de julho de 2015

Livros de Teologia Parte 2

Neste vídeo estarei apresentando rapidamente alguns livros utilizados em Exegese, que constam na minha biblioteca.

São eles:

- Entendes O que Lês?  de Gordon D. Fee & Douglas Stuart; Ed.  Vida Nova, 330 pg.
- Gramática do Grego do Novo Testamento Vol. 1 e Vol. 2 de James Swetnam Ed. Paulus. 450 e 334 pg
- Aprenda o Grego do Novo Testamento de John H Dobson, Ed. CPAD 446, pg
- Novo Testamento Interlinear Grego Portugues - Ed. Sociedade Bíblica do Brasil. 978 pg.

Segue o vídeo:




quarta-feira, 22 de julho de 2015

Literatura teológica parte 1

Estou desenvolvendo um pequeno projeto de vídeos falando um pouco dos meus livros de teologia. O objetivo é passar um pouco da minha impressão sobre estes materiais e apresentar sugestões de aquisição para quem é estudante de teologia, líder eclesiástico ou simplesmente gosta de teologia. Sinta-se a vontade para deixar comentários e sugestões. 

Neste primeiro primeiro vídeo apresento rapidamente 5 livros que estou estudando, listados abaixo:

- Comentário Exegético - Apocalipse.  Autor : Grant R. Osborne, Editora Vida Nova. 
- A Instituição da Religião Cristã.  Autor : João Calvino, Editora Unesp.
- A Igreja na cultura emergente. Cinco pontos de Vista. Org. Leonard Sweet, Ed. Vida.
- História da Teologia Cristã. Autor : Roger Olson, Editora Vida.

Minha Biblioteca de Teologia parte 1

"Às vezes, o acerto doutrinário e teológico tem importado demais. Nos nossos dias, porém, parece que o pêndulo já chegou à extremidade oposta, já que muitos cristãos sabem pouco ou nada a respeito das doutrinas cristãs ou de como e por que se desenvolveram. O cristianismo está correndo o risco de se tornar uma religião folclórica de culto terapêutico e sentimentos pessoais."

 História da Teologia Cristã. Autor : Roger Olson, Editora Vida.  pg. 17

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

A (im)possível aproximação entre Ciência e Religião.

A aproximação entre a ciência e a religião é problemática para todas as religiões ? Pessoalmente penso que não, mas para o cristianismo em específico sim. 

Esta semana assisti a conferência Ciência e Religião: Questões históricas e filosóficas, proferida pela Dr. Hilary Marlow, diretora de cursos do Instituto Faraday para Ciência e Religião (AQUI) e professora afiliada à Faculdade de Teologia da Universidade de Cambridge (AQUI), que explanou em torno de uma hora sobre a história do relacionamento entre religião e a ciência, e religião aqui, refere-se majoritariamente ao cristianismo, mostrando os principais pontos de conflitos e algumas questões relevantes do embate da fé com a ciência. De forma geral a conferência não trouxe grandes novidades e o tempo tanto para a conferência quanto para o debate foi muito pequeno para um tema tão complexo, sendo que as questões filosóficas do assunto pouco foram tocadas. 

O momento alto da conferência foi o debate que na verdade se resumiu a questões levantadas pelo público, nem todos conseguiram externar suas dúvidas uma vez que havia um tempo para encerrar o evento, eu por exemplo não consegui fazer a pergunta que gostaria, e que posteriormente meditando enquanto aguardava minha esposa vir buscar-me no campus, penso ter respondido. 

Bom, como qualquer debate que fale sobre ciência e religião, novamente insisto, principalmente se a religião em maior evidência for o cristianismo, vem a tona a pergunta sobre o evolucionismo, como conciliar a teoria evolucionista e o cristianismo? Aqui é que está o calcanhar de Aquiles. Em determinado momento ouvi dizerem que a maioria dos cristãos já são evolucionistas....bom tenho minhas dúvidas com relação a isto, porém o sentimento é de que o diálogo entre a ciência e o cristianismo teria que superar esta barreira, o evolucionismo, claro com a aceitação do evolucionismo pelos cristãos....

A pergunta que ficou martelando na minha cabeça foi : Se aceitarmos o evolucionismo teremos que reformular toda a teologia cristã e em outras bases! Nossa hermenêutica tem que ser refeita, aliás a hermenêutica e a exegese histórico-crítica tem que ser lançada fora e substituída por uma hermenêutica tipológica, lançando mão de analogias para justificar textos bíblicos.... se quisermos manter um resquício de religião, caso contrário, apenas estudar a bíblia como um livro da história de uma religião sem relevância na atualidade, a não ser por algumas questões éticas.

Explico, penso que ao assumirmos o evolucionismo fragilizamos toda a base do cristianismo, em primeiro lugar, é claro que teríamos que considerar o relato da criação como mito, perceba que não estou dizendo mito como sendo uma história inventada, mas como uma explicação simbólica de uma era em que não se tinha os "conhecimentos" atuais... bem desta forma a bíblia deixa de ser a revelação de Deus à humanidade mas a interpretação do ser humano da criação em determinado momento histórico.  OK, então não houve a criação como está relatado nas Escrituras... logo Adão e Eva também não, claro, logo esta história de pecado original... mito, nada disso, a ciência não dá a mínima abertura para isso... bom então sem criação, sem queda, sem pecado original.... logo sem necessidade do sacrifício vicário de Cristo! Toda a teologia terá que ser reinterpretada, ou melhor toda a teologia é anulada. A teologia liberal começa nas faculdades de filosofia e ciências... Bem minha conclusão, que pode estar errada é claro, é que, quem aceita o evolucionismo não crê no cristianismo histórico/ortodoxo. Não tem como. Se alguém conseguir me provar ao contrário, estou aberto à argumentações. 

Sempre quando se vai falar de aproximações entre ciência e religião normalmente isto implica em perdas para a religião, não digo na questão de um cientista aceitar que exista um Deus, isto ele até pode concordar e se intitular como espiritualista, mas aceitar o cristianismo com suas consequências, isto representa abrir mão de alguns dogmas da ciência e isto pouquíssimos fazem. 

Se realmente quisermos ser honestos penso que só há duas alternativas: ou mantemos o cristianismo histórico e aceitamos o criacionismo ou aceitamos o evolucionismo e declaramos que temos que  reformar toda a teologia cristã!. Não há meio termo.

Amo a ciência, foi uma das minhas primeiras paixões, comprava desde o lançamento a Ciência Hoje, a Superinteressante (quando era uma boa revista) e atualmente assino a Scientific American , a primeira universidade que ingressei com 17 anos foi de matemática (se bem que não concluí...) já li muito sobre física e astrofísica, e posso afirmar que tenho um conhecimento das ciências relativamente competente. Minha tese de dissertação de mestrado versa sobre biologia sintética e estou me enfronhando em leituras sobre DNA, RNA, DNA Recombinante, etc..., mas não posso abrir mão da minha fé, foi a experiência mistica do encontro com Cristo que me transformou, e é ela que me mantém em pé ainda hoje. 

Se a aproximação entre a ciência e a religião significar abrir mão dos fundamentos da fé, eu abro mão dos dogmas da ciência e mantenho a minha fé. Amém.

Soli Deo Glória.







quarta-feira, 1 de maio de 2013

Palestra Filósofo Canadense Charles Taylor


O filósofo canadense Charles Taylor esteve na PUCPR no dia 30 de abril, onde palestrou sobre  “Religião e sociedade: nas trilhas da secularização”. 
 
Charles Taylor é professor da Universidade McGill (uma das 12 mais prestigiadas universidades do mundo), no Quebec, e é considerado um dos maiores pensadores da atualidade. Suas obras foram traduzidas para diversas línguas e suas conferências têm reunido tanto especialistas quanto interessados em interpretar a sociedade contemporânea.

Taylor é especialista em autores como Hegel, Wittgenstein, Heidegger e Merleau-Ponty. Entre suas obras traduzidas para o português estão "A Ética da Autenticidade" (São Paulo: É Realizações, 2011); "Imaginários sociais modernos" (Lisboa: Edições Texto e Grafia, 2010);  "Uma era secular" (São Leopoldo: UNISINOS, 2010); "As fontes do self" (São Paulo: Loyola, 2005); "Hegel e a sociedade moderna" (São Paulo: Loyola, 2005) e "Argumentos filosóficos" (São Paulo: Loyola, 2000).


A palestra foi interessante, Taylor apresentou um breve histórico sobre o processo de secularização da sociedade e o vínculo entre o fator religião e o sentimento de pertença, desenvolvido nas sociedades onde a religiosidade era o fator de agregação. A problemática levantada por Taylor fez referencia ao processo de desligamento da religião como representação da pessoal e o movimento para fatores culturais e sociais. 
A tentativa da secularização até um passado recente foi uma mera substituição da fé na religião para a fé em sistemas políticos e ideológicos, basicamente fundamentados na mesma estrutura da religião, pela avaliação de Taylor esta forma de secularização não contribui para o homem avançar em seus aspectos éticos, apenas trazendo um vazio que a própria sociedade com seus modelos não conseguiu preencher.

Taylor ainda avaliou que o diálogo religioso deve ser um caminho alternativo para os embates e violência religiosa em muitos aspectos causa e causou no mundo. Pontuou ainda que um secularismo mais aberto, deve dar espaço para a manifestação religiosa, talvez através de um sincretismo religioso. 

Pessoalmente avalio a palestra de Charles Taylor muito proveitosa para a reflexão com relação a religiosidade e a secularização, porém com poucas novidades com relação ao tema. A proposta de um sincretismo como via alternativa sempre vai esbarar em perdas significativas para o cristianismo, que em ultima estância pode desfigurá-lo de forma irreparável. O que pode ser um caminho fácil pela fluidez de outros sistemas religiosos não funciona para os de estrutura mas rígida. Creio que ainda temos uma grande jornada pela frente.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Espiritualidade integral - Desafio para o cristianismo no sec XXI


Uma pequena parte do artigo que estou escrevendo para coletânea de vários autores sobre os desafios do Cristianismo para o século XXI

Baseado em uma avaliação teológico - pastoral do Salmos 139

7 Para onde me irei do teu Espírito, ou para onde fugirei da tua presença?  
8 Se subir ao céu, tu aí estás; se fizer no Seol a minha cama, eis que tu ali estás também.  


De Deus não se escapa. Ele é Deus somente porque d’Ele não se escapa. E apenas aquele do qual não se pode escapar é Deus.
Não há lugar para o qual possamos tentar fugir de Deus, que esteja fora do próprio Deus। “Se eu subo aos céus, tu estás lá”. Parece natural que Deus esteja nos céus, e muito estranho desejarmos subir aos céus a fim de escapar d’Ele.


Mas é justamente isso que os idealistas de todas as eras têm tentado fazer. Eles têm tentado subir a um céu de perfeição e verdade, de justiça e paz, onde Deus não é procurado. Tal céu é um produto da feitura humana, sem o incômodo do Divino Espírito e sem a presença julgadora da Face Divina. Antes, esse lugar é um “lugar nenhum”; é uma “utopia”, uma ilusão idealística.


Quantas tentativas de se criar uma sociedade mais justa, hamônica, feliz já se tentou??
Desde a Polís grega, passando pela República dos romanos, pela sociedade Comunista, Capitalista, todas as tentativas acabaram ficando aquém do que seria aceitável, por que?


Simplesmente porque em todas falta Deus, tenta-se criar a esperança do Reino de Deus através de mãos humanas, todas são apenas sombras pálidas das promessas de Deus, uma sociedade por melhor que sejam seus sistemas econômicos, políticos e econômicos sem Deus não funciona.


Robson Calvalcanti, profundo pesquisador do campo político-social e religioso avaliando as escolhas de governantes e sistemas políticos :


“(...) No seu discurso de despedida Samuel da a receita para o sucesso da monarquia recém instaurada: “ Se temerdes ao Senhor, e o servirdes e lhe atendenderdes a voz, e não lhe fordes rebeldes ao mandato e seguirdes ao Senhor vosso Deus, assim como vosso rei que governa sobre vós, bem será...  Se porém, perseverardes em fazer o mal, perecereis, assim vós como vosso rei” (II Sm. 12:14-25).
Essa admoestação pode ter um carater normativo e geral: o sucesso de qualquer modelo político ou de um governante, está em uma adequação ao postulados da Revolução, tanto por parte de goverdandos quanto de governantes. Caso contrário conhecerão o fracasso. O problema básico, então não é este ou aquele modelo em si, mas a maneira de seu exercício, o conteudo étido de cidadões e diregentes, como individuos e no desempenho de seus cargos,
É o qe se observará com os três reis da monarqui unificada; Saul, Davi e Salomão. A primeira fase do governo de Saul é um sucesso, tanto no campo militar quanto no adminstrativo. Israel alarga e consolida as suas fronteiras e se afirma como nação soberana. A desobediência de Saul, que chega ao ponto de consultar uma médium, o esfriamento da sua vida espiritual, o embrutecimento de seu carater, o conduzem à decadencia e a morte, e Israel a uma grande derrtoa militar diante dos filisteus. Interessante a sua racionaliação: ele se desviara de Deus, mas dizia na sessão espirita: “... e Deus se desviou de mim, e já não me responde.” (I Sm 28:15)
Qualquer nação pode pagar caro o seguir um governante apartado dos caminhos do Senhor. Isso tem ocorrido com frequencia na História deste século: Hitler, Stalin, etc...Que pensar de nosso proprio pais, quando elegemos governantes que entre outros pecados, consultam os mortos? Podemos ser vitorisoso?” (CALVACANTI, 1988, pg 32)


Da mesma forma que uma Teocracia também não funcionaria, porque ainda que em nome de Deus ela é feita por mãos humanas, tentando agradar a Deus. Um dos piores erros que podemos cometer é tentarmos criar sistemas para agradar a Deus. Os escribas e fariseus queriam fazer um sistema para agradar a Deus.


“Se eu fizer a minha cama no inferno, eis que tu estás lá”. O inferno ou sheol, a habitação dos mortos, pareceria ser o lugar certo para se esconder de Deus. E é para lá que todos os que anseiam pela morte pretendem fugir, a fim de escapar de escapar das Demandas Divinas.
Eu estou convicto de que não há nenhum sequer no nosso meio que jamais, em algum momento, tenha desejado se livrar do julgo da existência, saindo dela.


Mas todos nós sabemos, lá no fundo da nossa alma, que a morte não provê um escape dessa consciência que há em nós.


9 Se tomar as asas da alva, se habitar nas extremidades do mar,  
10 ainda ali a tua mão me guiará e a tua destra me susterá.  


Voar para os confins da terra não significaria fugir de Deus. Nossa civilização moderna tenta justamente isso, a fim de se libertar da falta de conhecimento, o qual é o centro da vida e do sentido.


O método moderno de fugir de Deus é correr mais e mais adiante, tão rápido quanto o brilho do amanhecer, conquistar mais e mais espaço em todas as direções, em todos os caminhos humanamente possíveis, estar sempre ativo, estar sempre planejando, e estar sempre preparando.


Quando não queremos encarar a realidade, quando queremos fugir de Deus, tentamos substituir Deus, criando outros deuses, o trabalho, o dinheiro, o poder, quantas vezes criamos nosso deus particular, para não encararmos a vida, procuramos mais e mais atividades, não queremos parar, correndo para o nada.... Diz-se que o pior inimigo do homem moderno hoje é o silêncio, o silêncio nos faz pensar e não queremos pensar.


Mas a mão de Deus cai sobre nós; e ela tem caído de forma estrondosa e destrutiva sobre a nossa civilização fujona; esse nosso vôo provou ser vão

(...)

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Ratzinger e os rumos da teologia contemporânea. Parte III

Neste post pretendo avaliar, de forma superficial, um dos pontos extremamente relevante para a teologia do século XXI. Entendo como uma das principais funções da teologia contemporânea ser a defesa da pessoa, que vem sendo alienada e alienante. A pôs modalidade lançou este humano em um abismo de duvidas e incertezas que chegam as raias da total perda da percepção do que é humano.


Dai a plena coisificação do indivíduo que passa daquele que da valor para aquele que é valorizado de acordo com as demandas do mercado e de interesses de poucos.

A esta desestruturação da sociedade que passa pela família até atingir individualmente a cada um de nos é que devemos vó seguir uma dialética teológica crista para ao interagirmos nos demais segmentos da sociedade posamos apresentar a mensagem dos Evangelhos de forma significativa e significante.


Ao proclamarmos a Cristo devemos proclamar a importância do ser humano para o próprio Deus, pois todo o evangelho nada mais é que isso Deus se doando para o ser humano. Como não valorizar a vida de cada indivíduo?

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Ratzinger e os rumos da teologia contemporânea. Parte II

Creio que a principal luta elencada por Ratzinger para seu pontificado foi com a secularização. E penso que sua escolha de atuação foi correta, ele sabia bem dos riscos de uma sociedade plenamente secularizada que cada vez empurra a igreja para fora de suas decisões. E ao produzir esta série de artigos tenho em mente fazer uma leitura de como o Papa via esta ação e como a teologia tem reagido a estas teses da contemporaneidade. 

Em setembro de 2010 em missa celebrada na capela da St Mary's University College, em Londers o Ratzinger fala contundentemente sobre "uma tirania nazista que tenta erradicar Deus da sociedade" . Por esta afirmação já podemos fazer uma ligeira ideia do conceito que o Papa tinha sobre a secularização. 

Gostaria de esclarecer que sob meu ponto de vista teológico, defendo o governo laico, não gostaria de viver sob a gestão de um sistema político baseado em uma religião. Mas isto não significa a defesa de uma sociedade laica, muito pelo contrário, o governo democrático deve defender os valores do povo que lhe escolheu. Porém o que vemos é não raras vezes governos tentando "laicaizar"  a sociedade.  

A secularização da sociedade, e diria que este é um problema muito mais grave na Europa, acarreta problemas muito sérios uma vez que a tendência é da fragilização dos valores éticos e morais. Problemas desestruturantes do próprio ser humano são catalizados. Quando Ratzinger citou o nazismo relacionando com a ausência de Deus na sociedade ele sabia muito bem o que queria dizer, uma vez que como alemão vivenciou de perto a idolatria a um sistema político-econômico de poder. 

O desafio da teologia contemporânea é re-inserir Deus na sociedade, é criar pontes para que os conceitos sociais levem em consideração os conceitos da religião, e como cristão protestante refiro-me aos preceitos bíblicos, porém este diálogo deve ser aberto, exercido através do amor que Cristo nos ensinou, porém sem negociarmos os fundamentos da fé. 
Mas como fazer isso? Como nos fazermos escutar? Quais são os problemas sintomáticos com que fazem com que o cristianismo acabe sendo irrelevante para os rumos da sociedade? 

Vamos tentar discutir um pouco mais no próximo post. 

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Ratzinger e os rumos da teologia contemporânea. Parte I

Lamento a decisão do Papa Bento XVI em renunciar. Apesar dos motivos alegados em sua nota de renuncia, há uma desconfiança no ar de que "forças ocultas" tenham trabalhado nos bastidores para desestabilizar seu pontificado. 

É claro que Ratzinger não tinha o carisma do seu antecessor, mas era um teólogo como poucos e ao contrário do que muitos afirmam tinha pleno conhecimento dos rumos que a modernidade está tomando, e o fato de que ele estava confrontando estes rumos que a sociedade está tomando não significa estar desconectado da modernidade, muito pelo contrário. 

Ratzinger tinha sim pleno conhecimento da perniciosidade que os rumos que atuais podem levar o ser humano em sua desconstrução mais essencial.
Mas como a estratégia dos orientadores da sociedade não pensante é acusar todos que não concordam com seus conceitos de retrógrados, entre outros adjetivos, o atual Papa, levava esta marca, e claro não agradava àqueles que desejam uma igreja menos teológica e mais política. 

Não concordo em absoluto com todas as opiniões e atitudes que o Papa Bento XVI tomou durante a liderança da Igreja Católica, mas embasado em leituras de alguns de seus escritos e declarações, devo admitir que sua saída será uma perda no confrontamento ás idéias pós-modernas, e ledo engano aos evangélicos que pensam que "não temos nada com isso!", ouso dizer que os ideais cristãos saem perdendo em alguma medida. 

Digo que perde a teologia também, uma vez que possivelmente o perfil do novo Papa deverá ser de um homem mais jovem e com mais   "carisma", ou seja um Papa mais "pop" e como diz a música : " o Papa é pop e o pop não poupa ninguém, e não vai poupar a teologia. 
Podemos esterar, talvez, a baixa das armas da Igreja contra o modernismo, e uma abertura maior da igreja aos desejos da sociedade? E se você acha que isto é completamente bom, acho que está enganado. 

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Movimento Neopentecostal, sua teologia e consequências

Na semana passada finalizei a leitura do livro Movimento Neopentecostal Brasileiro de David Allen Bledsoe, publicado pela editora Hagnos. Como já havia dito quando estava em torno da metade do livro, ele causou-me excelente impressão. Uma rica pesquisa bibliográfica e de campo possibilitaram uma grande consistência para a análise teológica e eclesiástica que se fez deste movimento avaliado principalmente através do estudo de caso da IURD. 

O autor faz uma avaliação das ondas da propagação do evangelho ocorrido no Brasil iniciado pelo movimento protestante das igrejas históricas. Avalia em cada um destes períodos as principais denominações que  foram o estopim para aquela onda ou contribuíram significativamente para o desenvolvimento da mesma. Isto é vital para entendermos a evolução do movimento evangélico, bem como suas distorções no decorrer da história e como foi desembocar no movimento neopentecostal. 

A principal pergunta que o livro se propõe a responder é se este movimento contribuiu para a evangelização do povo brasileiro, e com  boa consistência e evidências, principalmente com bom diálogo teológico, podemos dizer que esta meta foi comprida. 

Já havia dito que sentia falta de um livro que respondesse de forma taxativa algumas questões profundamente relevantes,  que fazem profunda diferença quando analisamos se um movimente tem de fato a "chancela" de evangélico, e podemos afirmar que este material consegue fazer isso. 

A forma como o livro foi escrito é acadêmica, mas não de difícil leitura, pode, e deve, ser lido por cristãos que não tem uma formação teológica escolar. A leitura é agradável e faz com que você queira ir para a próxima página, dai para o próximo capítulo de foma muito agradável. 

Uma pequena critica seria alguns parágrafos que aparecem, mesmo que não de forma exatamente textual, em outros capítulos, que por outro lado serve para fixar alguns temas com maior ênfase. 

Leitura altamente recomendável. 

Agora vou começar a ler o livro Criação de Alister McGrath, e avaliando pelo volume Redenção que já li a expectativa é a melhor possível. 

Para saber mais acesse o site da Editora Hagnos Aqui.

A reflexão teológica e a ecologia.


A reflexão teológica e as concepções históricas do pensamento cristão estão constantemente passando por reflexões, transformações, reinterpretações e contextualizações da mensagem dos Evangelhos. Estas constantes reinvenções teológicas normalmente se estabelecem dentro de um contexto histórico-social, onde o pensamento e o conceito de sociedade conceito de sociedade merecem e/ou de uma interpretação cristã da realidade e que deve ser feita de maneira critica e criteriosa, não necessariamente dogmática, mas dialeticamente cristã.
A grosso modo dividi em 5 grandes temas em que seria possível a inferência teológica :
- Ética
- Capitalismo (não como objeto de estudo da economia, mas seus reflexos no pensamento e ação do indivíduo e suas conseqüências sociais.)
- Existencialismo - a questão do ser.
- A ontologia
- O Ser de Deus.
Apesar de que em menor ou maior grau (salvo alguns itens) todos podem ser relacionar e algumas vezes correlacionar. Há um tema que sempre foi objeto de alguma preocupação da minha parte e transpassa a todos os demais.

A crise ambiental pelo qual estamos começando a passar é antes de tudo um problema ético, com impactos diretos no modelo capitalista moderno, implicando em profundas alterações comportamentais, que pode mudar a forma de entendermos a realidade e claro sendo um problema humano encontraremos reflexos no entendimento do Ser de Deus.


Porém podemos afirmar que está crise é um problema teológico?

Para tentarmos fazer esta ponte podemos dizer que na atual conjuntura, se os índices de aumento da temperatura mundial continuar correspondendo às expectativas dos cientistas, suas conseqüências serão desastrosos para manutenção da vida humana. Desta forma o ser humano, ou melhor, dizendo a humanidade será confrontada com sua possível extinção, ou seja, a destruição de toda a vida no planeta terra, transformando este problema em uma questão existencial com reflexos existencialistas, passando como já havíamos dito por problemas éticos, e também filosóficos e religiosos, além é claro de científicos/tecnológicos, e consequentemente por interrogações teológicas.

sábado, 20 de outubro de 2012

Mais que palavras para falar de Cristo.

Voltei para casa ontem do hospital onde tirei uma "pequena" rocha dos rins e tive uma boa surpresa : recebi alguns lançamentos da Editora Hagnos. Como vou ficar de molho alguns dias aproveitei para  começar a lê-los de pronto. Segue abaixo a descrição dos livros e minhas primeiras impressões. A medida que for lendo vou postando maiores informações. 


Movimento neopentecostal brasileiro

Autor : David Allen Bledsoe 
200 pg.

David é missionário norte americano, com vasto curriculum acadêmico (detalhes Aqui) , com grande experiência no campo missional. 
A proposta do livro que ele escreve é fazer uma análise do movimento neopentecostal brasileiro, analisando especificamente com maior profundidade a IURD, para responder uma questão importantíssima : 

Esta denominação, como uma das representantes do neopentecostalismo no Brasil, facilita a evangelização da sociedade ? Achei o tema fantástico, não raro a questão sobre como encarar este movimento esbarra na falta de avaliações, principalmente de caráter teológico, como bem é citado na pg 15 :

" Dificilmente se encontra uma análise teológica desse movimento realizada por um estudioso brasileiro e nenhuma oferece avaliações missiológicas." 

Este parece ser um trabalho fundamental para o entendimento deste movimento e para a avaliação fundamentada teologicamente com relação a sua contribuição à evangelização. 

Mais detalhes sobre este livro AQUI

Encarnação

Autor : Alister McGrath

Outro material de excelente qualidade são os três volumes da série A verdade e o imaginário cristão (no total são 5 volumes: Criação, Encarnação, Redenção,Ressurreição e A visão cristã de Deus), escritos por Alister McGrath. O título deste post foi tirado da primeira impressão que tive ao ler o volume Encarnação. 

O resumo que posso fazer deste livro é : Magnifico!. A começar pela qualidade da publicação, material e gráfica, fechando com os textos escritos de forma fácil, porém elaborada. O livro passou-me a impressão viva de que para falar de Cristo é necessário mais que palavras, Alister, combina de forma magnifica teologia (conceitos profundos)  e arte para descrever, e tentar abranger pelo menos um pouco do grande mistério da encarnação, não é um livro de apenas uma leitura, mas de revisitas, há vários aspectos a serem captados nele.

 Indico para quem quer se aprofundar nos Evangelhos e na cosmovisão cristã e também na arte sacra, que nos proporciona tanta beleza e verdades, porém é pouco valorizada por nós cristãos protestantes. 

Mais detalhes sobre o livro AQUI

No decorrer da semana coloco mais informações e avaliações. 

sábado, 6 de outubro de 2012

Cosmovisão Cristã e Secularismo

Nos dias 3 a 5 de Outubro foi realizada em Curitiba a Conferência Teológica Vida Nova , com o tema : Cosmovisão Cristã e Secularismo. 

Os palestrantes convidados foram Norma Braga Venâncio e Pr. Luiz Sayão.  De forma geral as palestras foram boas, sendo que a primeira no dia 3 foi dada pela Norma Braga, que apresentou um entendimento da cosmovisão cristã como uma antítese do pensamento secular. Alguns pontos que palestrante abordou eu pessoalmente discordo do seu entendimento, principalmente porque ao meu ver distancia a Igreja de um diálogo com a sociedade, porém participo de outros conceitos que foram elaborados na palestra, principalmente com relação ao pouco preparo da Igreja para discutir questões vitais com a sociedade. 

Outro ponto que discordo da palestrante foi seu posicionamento com relação aos pensamentos econômicos, juntando em um mesmo saco a teologia da libertação, comunismo e missão integral. Há em todos estas formas de pensar profundas divergências e, claro, algumas convergências, mas não podemos colocar todas no mesmo nível. Discordo que o capitalismo, da forma como ele se apresenta hoje, seja a melhor opção de vida, creio que podemos construir formas mais harmônicas e cristãs de convivência. 

Nos dois dias seguintes tivemos a presença do Pr. Luiz Sayão que, no dia 4 apresentou de forma didática a história do pensamento secular, ou seja da formação do secularismo. Do meu ponto de vista foi uma excelente apresentação, somente creio que faltou um ponto importante no seu discurso que seria um ponto marcante para a imposição do pensamento secular, que foram as profundas guerras religiosas que sacudiram a Europa e que levaram ao questionamento do pensamento religioso, e do cristianismo como uma foram de vida justa. Mas de forma geral a apresentação do Pr Luiz Sayão foi uma grande aula. 

No Dia 5 Sayão apresentou uma forma de pensar pelo qual deve passar a leitura que nos cristãos fazemos do mundo e principalmente a forma como apresentamos nosso entendimento para a sociedade, e esta forma de pensar passa pela volta a uma teologia bíblica que deve levar em conta a transformação pessoal, como sinal do Senhorio de Cristo e um discurso sobre a verdade de forma humilde. 

De forma geral foram 3 noites que nos levaram a um meditação profunda de como podemos e devemos apresentar a Cristo em uma sociedade profundamente secularizada, diante de uma modernidade líquida e incerta, disposta a aceitar que cada um tem a "sua verdade", fazendo que de fato não haja verdade alguma... 

Este é um grande e profundo desafio para o cristão contemporâneo. 


sábado, 22 de setembro de 2012

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Diálogo Inter-Religioso é possível?


Diria que é extremamente necessário exercitarmos a nossa tolerância, tanto no aspecto religioso, quanto cultural. Normalmente vemos o mundo através da nossa perspectiva que é limitada pela nossa cultura e sistema religioso em que somos educados. Quando passo a julgar o outro simplesmente por ser diferente e exercitar opções diferentes da minha, faço-o do meu ponto de vista, limitando assim  compreensão da realidade somente pela minha ótica.

Não posso, não devo e não é ético forçar qualquer pessoa a compartilhar do meu sistema religioso, isto significaria “violenta-lo” como indivíduo. Posso, contudo  exercer o diálogo e construir “pontes” de entendimento e respeito mútuo.

A globalização permitiu um maior contato entre civilizações, e conseqüentemente levou a choques entre culturas diferentes, e diferentes não que dizer erradas, ou inferiores. O grande problema é que sistemas religiosos fundamentalistas e intransigentes encaram o diferente como errado, e passam a “demônizalos”. E quando fecho a porta para o diálogo, deixo de conhecer o outro, de aprender com o diferente, de fazer concessões e sem estes pontos o diálogo inter-religioso não pode existir e desta forma o diferente sempre vai apresentar-se  como algo a ser combatido.

Infelizmente o que mais percebemos hoje são grandes sistemas religiosos intransigentes, que apóiam atos violentos para exercer sua supremacia para apresentar-se como representantes autorizados de Deus, a sua fé e os seus dogmas é que são a verdade, se intitulam os portadores da voz e da mão de Deus. Cabe ressaltar que os representantes destas religiões, que através da sua cosmovisão limitada, limitam a grandeza de Deus proporcionando cada vez mais o afastamento entre as culturas, alimentando o preconceito e a alienação entre os povos.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Papiro diz que Jesus se casou

Observação : Apesar de ser um documento aparentemente antigo e original, isto por sí, só não lhe da validade como informação fidedigna histórica. 

Sabemos que vários escritos trabalhados por grupos gnósticos vaziam releituras da vida de Cristo, reinterpretando-a a partir de seus conceitos filosóficos. 

Nenhum dos Evangelhos faz alguma menção de Jesus casado, apesar da proximidade das mulheres com o grupo que seguia a Jesus. Apesar de Jesus valorizar a mulher, as Escrituras deixam isso claro, inserindo-as na participação de seu Ministério, não há nenhuma evidência séria de Jesus casado. 

Assim como o evangelho de Judas, este documento histórico pode servir sim para entender um pouco mais sobre os grupos gnósticos que tentaram apropriar-se da história de Jesus, usando-a ao seu bel-prazer. Imputar a este texto uma relevância, ou um status de documento revolucionário é abusar da crítica histórica. 

Soli Deo Gloria

Roberto Rohregger.

Fonte : Estadão 

Descoberta não é uma prova, diz historiadora de Harvard, mas reacende um debate de séculos

18 de setembro de 2012 | 19h 23


Uma historiadora da Universidade de Harvard identificou um pedaço de papiro datado do século 4 que sugere que Jesus Cristo teria se casado. No fragmento, escrito no idioma copta, surgido do Egito antigo, há uma frase nunca vista nas Escrituras: “Jesus lhes disse: ‘Minha mulher...” A frase é interrompida neste ponto, mas, na linha de baixo, lê-se “...ela será capaz de ser minha discípula”. 

“A tradição cristã sustentou por muito tempo que Jesus não era casado, mesmo sem provas históricas confiáveis para corroborar essa afirmação”, disse em nota a historiadora Karen King, que anunciou a descoberta num encontro de especialistas na cultura copta em Roma. Entretanto, Karen, de 58 anos, que já publicou vários livros sobre descobertas recentes relativas aos Evangelhos, lembra que “esse novo evangelho não prova que Jesus foi casado”.

A origem do fragmento é um mistério, assim como a identidade de seu proprietário, que preferiu o anonimato. Até ontem, a historiadora o havia mostrado apenas a um seleto grupo de especialistas em papirologia e na língua copta. Eles concluíram que a probabilidade de o fragmento ser falso é remota. 
Mesmo com tantas questões pendentes, a descoberta pode reacender o debate em torno da polêmica: Jesus foi casado? Maria Madalena foi sua mulher? Ele teve uma mulher entre seus apóstolos? São perguntas feitas desde os primeiros séculos da Cristandade, mas que se tornam relevantes hoje com o debate em torno da possibilidade de mulheres assumirem funções de padres.
 
Ineditismo. Antes de partir para Roma, Karen recebeu em seu escritório, na quinta-feira, os jornais The New York Times, The Boston Globe e uma revista de Harvard. Apesar de reiterar que sua descoberta não prova que o Jesus histórico tenha sido casado, ela disse que o achado é “excitante” porque é a primeira declaração atribuída a Jesus ele diz que tinha uma mulher. 

“Esse fragmento sugere que alguns dos primeiros cristãos tinham uma tradição na qual Jesus era casado”, diz ela. “Sabemos que existia uma controvérsia no século 2 sobre o casamento de Jesus, assim como um debate sobre se os cristãos deveriam se casar ou fazer sexo.” 

Karen diz que ficou sabendo do que chama de “O Evangelho da Mulher de Jesus” quando recebeu, em 2010, um e-mail de um colecionador de papiros coptas, gregos e arábicos com um pedido de ajuda para traduzir o documento, O colecionador o comprou em 1997 de um professor de egiptologia alemão. Não se sabe onde, quando ou como o papiro foi descoberto originalmente. 

Karen recebeu o fragmento de dezembro passado. Após três meses, ela o levou a Nova York para mostrá-lo a dois papirologistas, das renomadas Universidades de Nova York e Princeton. Eles concluíram que “é algo impossível de falsificar” e que o significado das palavras “minha mulher” não pode ser questionado. A idade do fragmento será confirmada por espectroscopia.

A pesquisa de Karen deve ser publicada em janeiro na revista Harvard Theological Review. Ariel Shisha-Halevy, um respeitado especialista em copta da Universidade Hebraica de Jerusalém, também consultado pela especialista, disse acreditar que “o texto é autêntico”. / NYT e REUTERS

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

O Embrião tem alma?

Reproduzo abaixo a avaliação de um texto que elaborei sobre esta assunto.  É um material um pouco antigo e infelizmente não tenho o texto que deu origem a argumentação, mas há um resumo que deixa claro a argumentação do mesmo. 



Texto : Embrião tem alma?

O texto em avaliação discorre sobre a possibilidade de um diálogo entre a ciência e a fé abordando a questão da utilização de embriões para as pesquisas de células tronco. 

A partir da pergunta o embrião tem alma?,  faz-se incialmente uma avaliação das correntes teológicas medievais onde se apresenta três vertentes a criacionista, traducionista e preexistencialista e no decorre do texto insere-se a concepção do teólogo Paul Tillich através da definição de unidade multidimensional da vida : biológica, relacional e espiritual. A partir daí se argumenta que a alma não é formada fora do circulo das relações humanas, e sim  a partir do “seio materno” (salmos 139) nas relações humanas que, “a alma, fio que ata os demais fios da vida humana, virá a ser tecida pelo Criador”.

Por conclusão o texto é finalizado dando a entender que a pesquisa com células-tronco tem legitimidade, deixando claro que o feto nunca deve ser tratado como coisa ou produto.

Avaliação pessoal.

Em princípio meu posicionamento é contra o uso de embriões para a pesquisa com células tronco, assim como qualquer outra manipulação com embriões. Abaixo faço uma argumentação com relação ao texto lido.

Como não podemos definir exatamente quando o embrião passa a ter alma, se no momento da fecundação ou depois do 14 º  dia ou ainda em algum momento no decorrer da vida, este acaba sendo um ponto irrelevante. Qualquer afirmação sobre esta questão estaria contaminada por uma percepção pessoa ou simples especulação. Desta forma a questão se o embrião tem alma, não deveria ser um ponto para se propor a manipulação do mesmo para o uso de células tronco.

O risco de encontrarmos respostas teológicas para apoiarmos algumas ações humanas que desta forma mais ficam “leves” é um risco que já observamos no decorrer história. Foi assim quando na escravidão muitos religiosos e teólogos afirmavam que o negro não tinha “alma”  e desta forma  a escravidão não tornava-se um mal em si.

Outro ponto que se apresenta  saliente no texto é a sugestão de que a formação da alma se dá na construção da relação e no desenvolvimento da pessoa. Nesta definição fica, do meu ponto de vista, um pouco difícil separar ou até identifica o que seria  alma da psique, uma vez que está sim tem uma formação no decorrer da história da pessoa e da/na construção dos relacionamentos.

Há três formas em que se tenta justifica a possibilidade da manipulação de fetos ou do próprio aborto, uma pela via biológica, outra pela filosófica e outra pela via teológica, sendo estas traduzidas pela questão do início da vida, outra pelo conceito de pessoa e por fim a questão da “implantação” da alma. Todavia nenhuma chega a contento com relação a suas afirmação, haja vista não podermos de fato determinar um ponto exato da qual identificamos o início da vida, também face a não conseguirmos justificar os critérios que são aplicados para a identificação do ser humano como pessoa ao feto uma vez que comparados a um ser humano de idade adulta, e tampouco a via teológica é embasamento uma vez que extremamente especulativa e com pouca sustentação bíblica.

O próprio salmo dá a entender que Deus tem planos para o feto em formação :

16. teus olhos viam o meu embrião
No teu livro estão todos inscritos os dias que foram fixados e cada um deles nele figura.

Não consigo conceber a idéia de Deus vendo no futuro daquele ser ainda que informe, a possibilidade da sua “manipulação”.

Entendo que as pesquisas com células tronco embrionárias podem trazer muitos benefícios, mas, entendo também que devemos nos pautar pela pergunta : Ainda que possamos, será que devemos? Hoje o fato de poder, i.e., ter condições tecnológicas e cientificas para executar uma ação parece que torna-se automaticamente como uma autorização para fazer. Sabemos que a bioética é pautada por um refletir antes de agir, mesmo que tais técnicas se apresentem extremamente sedutoras com seu canto de felicidade, que assim como as sereias se nos deixarmos nos encantar com tais melodias,  podemos sucumbir ao mar indômito.

É claro que o olhar da bioética deve se dar a partir da situação real em si e que cada caso é um caso,  porém, assim como em hipótese alguma para mim esta situação é um caso encerrado, o diálogo é vital para a bioética, penso que deve haver um cuidado muito especial pela dignidade do embrião. Penso que a procura de “definições” para o feto é um problema criado para se justificar sua manipulação e que a partir destas aberturas corremos o risco da expansão destes “conceitos” para outros tipos ou raças de pessoas.

 Roberto Rohregger.

sábado, 7 de julho de 2012

Deus, a ciência e o bóson de Higgs

Propagado como uma das grandes descobertas da física deste século o bóson de Higgs seria  a confirmação da teoria da formação da massa das partículas através do campo de Higgs, tem gerado uma série de afirmações, muitas inclusive de características religiosas sejam pelos que vêem na partícula (apelidada de partícula de Deus) como uma evidência de Deus, bem como outros que afirmam que está comprovação científica de como a matéria foi possível é a evidência de que Deus não existe. 

Pessoalmente não vejo argumentos suficientes tanto para uma como para outra afirmação. 
Antes de entrarmos nesta celeuma, segue um videozinho com uma boa explicação da função do campo de higgs.



Bom em poucas palavras a ciência conseguiu evidências de como a matéria teria surgido e de que forma foi possibilitado que ela se comportasse da forma como se comporta pelo menos para a possibilidade da formação das estruturas básicas do universo.   Mas o que isso diz a respeito de Deus? NADA!. 

Se teologicamente evitarmos usar o "Deus das lacunas", ou seja se evitarmos colocar Deus em cada ponto em que ciência não tem resposta evitamos termos que tirá-lo de lá, pedindo desculpas quando a ciência explica cientificamente as construções do universo, basta vermos o exemplo de Galileu Galilei e outros em que a religião colocou-os sob prisão e pior em muitos casos condenando-os a morte (vide Giordano Bruno.). 

Creio dogmaticamente (isto é levando a fé em consideração) que todo o universo é criação divina, de que forma isso aconteceu a ciência pode até explicar, ou pelo menos chegar perto disto (vide Criação ImPerfeita, livro de Marcelo Gleiser) ao contrário cada vez que me deparo da forma magistral em que o universo é constituído, do microcosmos ao macrocosmos (quarks, leptons, bosóns, etc..., até os planetas, galáxias, buracos negros e etc...) vejo sim a assinatura de Deus, um Deus abscôndito, que se revela ao homem da forma que deseja e que não necessita de nós para se justificar ou para ser "defendido". 

Deus se revelou ao homem e as Escrituras são a indicação de sua revelação, onde Deus se apresenta ao homem, falando de forma simples e inteligível uma verdade transcendental, e de que forma deveria ser isso? Com formulas matemáticas, com explicações da física? Não é claro que não. A criação é poesia e prosa e ela foi relatada para nós através de poesia e prosa, forma esta que possibilita o homem captar as verdades mais complexas de modo simples e eficaz.

Gosto de ciência, creio que sua função é de suma importância e que capacita o ser humano a compreender melhor o mundo material que está a sua volta e até a transformá-lo, afinal Deus cria o homem também como "artifex homo", mas esta é a função da ciência e ponto. A religião tem como seu especto de observação o transcendental, a fé o imaterial, uma pode dialogar com a outra? Sim e é salutar, mas para isso temos que reconhecer suas limitações e seus limites.