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quinta-feira, 16 de outubro de 2014

A (im)possível aproximação entre Ciência e Religião.

A aproximação entre a ciência e a religião é problemática para todas as religiões ? Pessoalmente penso que não, mas para o cristianismo em específico sim. 

Esta semana assisti a conferência Ciência e Religião: Questões históricas e filosóficas, proferida pela Dr. Hilary Marlow, diretora de cursos do Instituto Faraday para Ciência e Religião (AQUI) e professora afiliada à Faculdade de Teologia da Universidade de Cambridge (AQUI), que explanou em torno de uma hora sobre a história do relacionamento entre religião e a ciência, e religião aqui, refere-se majoritariamente ao cristianismo, mostrando os principais pontos de conflitos e algumas questões relevantes do embate da fé com a ciência. De forma geral a conferência não trouxe grandes novidades e o tempo tanto para a conferência quanto para o debate foi muito pequeno para um tema tão complexo, sendo que as questões filosóficas do assunto pouco foram tocadas. 

O momento alto da conferência foi o debate que na verdade se resumiu a questões levantadas pelo público, nem todos conseguiram externar suas dúvidas uma vez que havia um tempo para encerrar o evento, eu por exemplo não consegui fazer a pergunta que gostaria, e que posteriormente meditando enquanto aguardava minha esposa vir buscar-me no campus, penso ter respondido. 

Bom, como qualquer debate que fale sobre ciência e religião, novamente insisto, principalmente se a religião em maior evidência for o cristianismo, vem a tona a pergunta sobre o evolucionismo, como conciliar a teoria evolucionista e o cristianismo? Aqui é que está o calcanhar de Aquiles. Em determinado momento ouvi dizerem que a maioria dos cristãos já são evolucionistas....bom tenho minhas dúvidas com relação a isto, porém o sentimento é de que o diálogo entre a ciência e o cristianismo teria que superar esta barreira, o evolucionismo, claro com a aceitação do evolucionismo pelos cristãos....

A pergunta que ficou martelando na minha cabeça foi : Se aceitarmos o evolucionismo teremos que reformular toda a teologia cristã e em outras bases! Nossa hermenêutica tem que ser refeita, aliás a hermenêutica e a exegese histórico-crítica tem que ser lançada fora e substituída por uma hermenêutica tipológica, lançando mão de analogias para justificar textos bíblicos.... se quisermos manter um resquício de religião, caso contrário, apenas estudar a bíblia como um livro da história de uma religião sem relevância na atualidade, a não ser por algumas questões éticas.

Explico, penso que ao assumirmos o evolucionismo fragilizamos toda a base do cristianismo, em primeiro lugar, é claro que teríamos que considerar o relato da criação como mito, perceba que não estou dizendo mito como sendo uma história inventada, mas como uma explicação simbólica de uma era em que não se tinha os "conhecimentos" atuais... bem desta forma a bíblia deixa de ser a revelação de Deus à humanidade mas a interpretação do ser humano da criação em determinado momento histórico.  OK, então não houve a criação como está relatado nas Escrituras... logo Adão e Eva também não, claro, logo esta história de pecado original... mito, nada disso, a ciência não dá a mínima abertura para isso... bom então sem criação, sem queda, sem pecado original.... logo sem necessidade do sacrifício vicário de Cristo! Toda a teologia terá que ser reinterpretada, ou melhor toda a teologia é anulada. A teologia liberal começa nas faculdades de filosofia e ciências... Bem minha conclusão, que pode estar errada é claro, é que, quem aceita o evolucionismo não crê no cristianismo histórico/ortodoxo. Não tem como. Se alguém conseguir me provar ao contrário, estou aberto à argumentações. 

Sempre quando se vai falar de aproximações entre ciência e religião normalmente isto implica em perdas para a religião, não digo na questão de um cientista aceitar que exista um Deus, isto ele até pode concordar e se intitular como espiritualista, mas aceitar o cristianismo com suas consequências, isto representa abrir mão de alguns dogmas da ciência e isto pouquíssimos fazem. 

Se realmente quisermos ser honestos penso que só há duas alternativas: ou mantemos o cristianismo histórico e aceitamos o criacionismo ou aceitamos o evolucionismo e declaramos que temos que  reformar toda a teologia cristã!. Não há meio termo.

Amo a ciência, foi uma das minhas primeiras paixões, comprava desde o lançamento a Ciência Hoje, a Superinteressante (quando era uma boa revista) e atualmente assino a Scientific American , a primeira universidade que ingressei com 17 anos foi de matemática (se bem que não concluí...) já li muito sobre física e astrofísica, e posso afirmar que tenho um conhecimento das ciências relativamente competente. Minha tese de dissertação de mestrado versa sobre biologia sintética e estou me enfronhando em leituras sobre DNA, RNA, DNA Recombinante, etc..., mas não posso abrir mão da minha fé, foi a experiência mistica do encontro com Cristo que me transformou, e é ela que me mantém em pé ainda hoje. 

Se a aproximação entre a ciência e a religião significar abrir mão dos fundamentos da fé, eu abro mão dos dogmas da ciência e mantenho a minha fé. Amém.

Soli Deo Glória.







quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Diálogo Inter-Religioso é possível?


Diria que é extremamente necessário exercitarmos a nossa tolerância, tanto no aspecto religioso, quanto cultural. Normalmente vemos o mundo através da nossa perspectiva que é limitada pela nossa cultura e sistema religioso em que somos educados. Quando passo a julgar o outro simplesmente por ser diferente e exercitar opções diferentes da minha, faço-o do meu ponto de vista, limitando assim  compreensão da realidade somente pela minha ótica.

Não posso, não devo e não é ético forçar qualquer pessoa a compartilhar do meu sistema religioso, isto significaria “violenta-lo” como indivíduo. Posso, contudo  exercer o diálogo e construir “pontes” de entendimento e respeito mútuo.

A globalização permitiu um maior contato entre civilizações, e conseqüentemente levou a choques entre culturas diferentes, e diferentes não que dizer erradas, ou inferiores. O grande problema é que sistemas religiosos fundamentalistas e intransigentes encaram o diferente como errado, e passam a “demônizalos”. E quando fecho a porta para o diálogo, deixo de conhecer o outro, de aprender com o diferente, de fazer concessões e sem estes pontos o diálogo inter-religioso não pode existir e desta forma o diferente sempre vai apresentar-se  como algo a ser combatido.

Infelizmente o que mais percebemos hoje são grandes sistemas religiosos intransigentes, que apóiam atos violentos para exercer sua supremacia para apresentar-se como representantes autorizados de Deus, a sua fé e os seus dogmas é que são a verdade, se intitulam os portadores da voz e da mão de Deus. Cabe ressaltar que os representantes destas religiões, que através da sua cosmovisão limitada, limitam a grandeza de Deus proporcionando cada vez mais o afastamento entre as culturas, alimentando o preconceito e a alienação entre os povos.