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terça-feira, 18 de setembro de 2012


Um dos meus antigos sermões... este preguei em 2007, mais especificamente em 22/09/07. 

A fé que vai além do milagre. – Mateus 8.23-27

Pastor Roberto Rohregger
Hoje quero meditar um pouco sobre a questão da fé e de milagres.

Muito se fala atualmente sobre a fé, há várias correntes teológicas que falam sobre a fé;

Temos por exemplo a teologia da prosperidade, que ainda faz muito sucesso entre o povo evangélico.

Há muitas linhas que condicionam a ocorrência de milagres pela fé, ou seja, a fé da pessoa fez com que se movesse a mão de Deus.

E há também o julgo contrário, daquela pessoa que não obteve o milagre, geralmente nas alas mais radicais, podem dizer que essa pessoa não teve fé suficiente para que se realizasse um milagre que se está necessitando em sua vida.

Porém em um País como o nosso em que ocorrem tantas desgraças, e quando muitas vezes olhamos para a própria Igreja, parece que as coisas não funcionam exatamente dessa forma.

Há muitas pessoas que passam dificuldades tremendas dentro da Igreja, pessoas de um caráter irrepreensível, pessoas boas e que vemos por experiência que tem fé, são crentes fieis. Porém suas dificuldades não são resolvidas, insistem por um milagre, que não ocorre.

Já vi também situações em que a pessoa na mais franca alegria testemunha que Deus “deu” um carro 0 Km, e que por isso ele estava muito feliz. E naquele momento um irmão pensava enquanto ouvia o testemunho, por que Deus não gostava dele, uma vez que ele tinha uma grande dificuldade de prover o alimento para sua família todo o mês, seu aluguel estava atrasado e ele estava sem emprego. Sempre vinha na Igreja, sempre orava, cria em Jesus Cristo, então porque as coisas eram tão diferentes entre eles??

Para aquele irmão não era possível que Deus tivesse filhos mais queridos, e ele lembrava que haviam  dito que Deus não fazia acepção de pessoas, ou seja, Deus amava a todos de forma igual.

Logo a pergunta que ecoa é Por quê?

domingo, 25 de outubro de 2009

Deus é amor.

1 João 4:16

“E nós mesmos conhecemos o amor que Deus tem por nós e cremos nesse amor. Deus é amor. Aquele que vive no amor vive unido com Deus, e Deus vive unido com ele.”

Neste simples versículo João nos traz algumas afirmações:

A primeira é : “E nós mesmos conhecemos o amor que Deus tem por nós e cremos nesse amor.”

De que maneira conhecemos o amor que Deus tem por nós?

Sabemos do amor de Deus (Cristo na cruz) – mas conhecemos?

Porque Deus nos ama incondicionalmente. Deus não nos ama porque somos bonitos, brancos ou negros, ricos ou pobres, intelectuais ou simples.

Deus não me ama pelo tempo que me dedico a Ele, Nem porque sou santo ou procuro a santidade ou sou pecador.

Deus nos ama simplesmente por aquilo que somos,

Deus nunca se afasta de nós, mas nos podemos nos afastar de Deus.

Deus conhece todas as nossas mazelas, todos os nossos cantos escuros, e sabe mais sobre nós do que nós mesmos. Deus conhece aquela dor que você tem, aquela que muitas vezes ninguém mais sabe.

Até que ponto nos conhecemos o amor de Deus por nós?

As vezes, nos não conseguimos entender o amor de Deus, porque não conseguimos nos amar. Olhamos para nos mesmo e dizemos inconscientemente como Deus pode me amar?

Deus nos ama e conhece o que nos somos em potencial.

Até que ponto nos vemos como somos para Deus?

Muitas vezes questionamos você crê em Deus? E esquecemos que em primeiro lugar Deus crê em nós.

Deus crê que você pode mudar, que quer mudar.

A segunda afirmação é :

Deus é amor; e quem está em amor está em Deus, e Deus nele.

Estar em Deus é estar em amor.

Se eu tenho uma visão deturpada do amor de Deus, não vou conseguir de fato estar em Deus.

Não vou conseguir expressar o amor de Deus.

Não vou conseguir me enxergar pela visão do amor de Deus.

Quando Jesus resumiu os mandamentos em Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, estava alertando questão da grande jornada do cristianismo.

Só consigo amar a Deus se entender o amor de Deus por mim, e o conhecimento deste amor pode fazer com que eu me ame e somente assim amar ao meu próximo.

Mas o amor que Deus fala aqui não se trata de um amor egoísta por mim mesmo, isso não é amor.

Para de fato conseguir me amar, tenho que primeiro me conhecer, e reconhecer quem eu sou:

Orgulhoso? Prepotente? Arrogante? Enganador? Carente? Baixo amor-próprio,? Quais falhas tenho que muitas vezes pretendo esconder de mim mesmo? Muitas vezes a falta de me conhecer impede-me de ser sincero e de estar disposto a amar verdadeiramente.

Temos que entender que a caminhada cristã não é para sermos mais ricos ou abençoados ou prósperos, a caminhada no cristianismo é para fazermos de nós pessoas melhores.

Por ultimo o amor tem que ser expressado!, Cabe a nós expressarmos o amor de Deus.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

O risco de esquecermos da espiritualidade.

que vem a ser a espiritualidade, o que vem a ser por fim a busca por Deus?

Em uma sociedade tão materialista, corremos o risco de confundirmos a espiritualidade com a busca de bênçãos de Deus.

Espiritualidade não é buscar as bênçãos de Deus, essa é a maior manifestação de materialismo que podemos mostrar. É claro que temos necessidades matérias e que devemos coloca-las diante de Deus, pois demonstra nossa dependência e confiança no Senhor.

Não é disso que estou falando, estou falando de quando nossa busca por Deus somente se resume a este ponto específico, somente procuro a Deus quando tenho dificuldades, ou problemas.

Geralmente confundimos materialismo com ateísmo, pois eu digo que há muitos ateus espiritualistas, apesar de toda a incompatibilidade destes termos, e muito cristãos extremamente materialistas, sua busca espiritual limita-se ao acesso ao sucesso material.

E nos últimos tempos estamos tão confusos que julgamos que as pessoas bem sucedidas materialmente é que são as mais próximas de Deus, ou as que nunca enfrentaram uma crise ou as que nunca passaram por uma doença...

Ultimamente estou estudando um pouco sobre o movimento Puritano, e a sua busca por um cristianismo mais autêntico e sincero. Um cristianismo que voltasse a colocar a Jesus como padrão, e que todos pudessem entender que a maior benção a ser alcançada já era nossa, a vida eterna, a reconciliação com Deus. Talvez falta-nos um pouco deste espírito de entrega e busca por Deus.

Phillip Jacob Spener, um dos grandes teólogos puritano, afirma em seu livro Pia Desideria, (piedade sincera) que não é raro vermos nos procedimentos judiciais, os processo ferirem o amor ao próximo, quando não os próprios juristas usarem o poder em benefício próprio, que no sistema econômico não se observa o dever de honrar a Deus e ao bem estar do próximo? Indaga ainda o autor : “ Quem é que não busca apenas e tão-somente a satisfação de suas necessidades? E esquecemos de que é pecado usar certas vantagens que, no mundo não carregam consigo má fama – pelo contrário, são tidas como sagacidade e prudência – mas que são prejudiciais ao nosso próximo, oprimindo-o e explorando-o”

Bem ele escreveu isso em 1675, parece que as coisas não mudaram muito de lá pra cá....

Achamos que Deus deve ficar confinado na Igreja, esquecemos que Deus deve estar na política, na economia, na justiça, em todos os momentos da nossa vida.

O momento que Jô esteve mais perto de Deus foi quando ele estava passando a pior crise da sua vida, gravemente doente, empobrecido, havia perdido seus filhos, todos se voltavam para ele com um misto de piedade e desconfiança, ou seja não recebia apoio de lugar nenhum, mas foi somente após todos estes transtornos é que ele afirma que antes somente ouvira falar de Deus, mas agora meus olhos te vêem.

O que estou querendo dizer então? Que devemos viver na pobreza, sofrermos para buscar a face de Deus? Não nada disso.

O que quero dizer que a nossa sociedade não é uma sociedade cristã, não vive por parâmetros cristãos, que sistema que a domina e a rege é um sistema demoníaco em suas estruturas. É um sistema que incita a competição desenfreada, a busca incessante por dinheiro e poder, que vê o outro como um objeto é não como alguém, como um ser humano.

O que quero dizer que nós como cristãos estamos constantemente apoiando estes sistemas e incentivando e achando até justificativas bíblicas para ele.

O que quero dizer é que o que Jesus disse de Amar a Deus sobre todas as coisas e ao teu próximo como a ti mesmo é completamente incompatível com as estruturas da nossa sociedade.

O que quero dizer é que a espiritualidade é a busca por Deus. As vezes podemos tentar fugir de Deus, a nossa sociedade vive querendo fugir de Deus, e para isso criamos utopias, ou sistemas em que não necessitaríamos de Deus. Eu não canso de repetir a frase de Tolstoi : “ O ser humano tem um vazio do tamanho de Deus.”, não há como fugir de algo de que está em nós ou que nada possa preencher o nosso vazio existencial.

Penso que Davi sentiu isso muito de perto, Ele era um rei que muitas vezes tomou decisões erradas, pecou mas apesar de todos os erros que cometeu, ele buscava a Deus, nos momentos em que ele errou creio que gostaria de fugir de Deus, esconder-se assim como fizeram Adão e Eva, achando que poderiam esconder-se de Deus.

Mas vamos ver um pouco mais o que Davi aprendeu sobre Deus, e o que nós podemos aprender hoje.

Autor : Davi

Salmo 139

1 Senhor, tu me sondas, e me conheces.

2 Tu conheces o meu sentar e o meu levantar; de longe entendes o meu pensamento.

3 Esquadrinhas o meu andar, e o meu deitar, e conheces todos os meus caminhos.

4 Sem que haja uma palavra na minha língua, eis que, ó Senhor, tudo conheces.

A imagem que o salmista nos passa é que Deus está nos observando, Ele nos vê, constantemente Deus nos vê, e Deus nos conhece, sabe o que pensamos, o que sentimos o que tencionamos fazer, constantemente.

Não há momentos em que estou fora da presença de Deus, quando descanso, quando estou de pé, quando estou trabalhando, além disso Deus conhece as intenções do nosso coração, sabe o que se passa no nosso interior, aquilo que planejamos, aquilo que ainda não falamos Deus já conhece, aquilo que não disse, Deus sabe que gostaria de dizer.

5 Tu me cercaste em volta, e puseste sobre mim a tua mão.

6 Tal conhecimento é maravilhoso demais para mim; elevado é, não o posso atingir.

Você pode imaginar, ou sentir estar cercado por Deus? Segundo o salmista Deus está a nossa volta nos cerca, ao contrário do que muitos apregoam Deus não está em tudo, Deus não está numa arvore, numa pedra, mas Deus está por toda a parte. Desta forma chegamos a conclusão em conjunto com o Salmista que o conhecimento de Deus e inatingível para nós, dependemos da sua revelação, ou seja de que Deus se revele para nós,

7 Para onde me irei do teu Espírito, ou para onde fugirei da tua presença?

8 Se subir ao céu, tu aí estás; se fizer no Seol a minha cama, eis que tu ali estás também.

De Deus não se escapa. Ele é Deus somente porque d’Ele não se escapa. E apenas aquele do qual não se pode escapar é Deus.
Não há lugar para o qual possamos tentar fugir de Deus, que esteja fora do próprio Deus। “Se eu subo aos céus, tu estás lá”. Parece natural que Deus esteja nos céus, e muito estranho desejarmos subir aos céus a fim de escapar d’Ele.
Mas é justamente isso que os idealistas de todas as eras têm tentado fazer. Eles têm tentado subir a um céu de perfeição e verdade, de justiça e paz, onde Deus não é procurado. Tal céu é um produto da feitura humana, sem o incômodo do Divino Espírito e sem a presença julgadora da Face Divina. Antes, esse lugar é um “lugar nenhum”; é uma “utopia”, uma ilusão idealística.

Quantas tentativas de se criar uma sociedade mais justa, hamônica, feliz já se tentou??

Desde a Polís grega, passando pela República dos romanos, pela sociedade Comunista, Capitalista, todas as tentativas acabaram ficando aquém do que seria aceitável, por que?

Simplesmente porque em todas falta Deus, tenta-se criar a esperança do Reino de Deus através de mãos humanas, todas são apenas sombras pálidas das promessas de Deus, uma sociedade por melhor que sejam seus sistemas econômicos, políticos e econômicos sem Deus não funciona.

Da mesma forma que uma Teocracia também não funcionaria, porque ainda que em nome de Deus ela é feita por mãos humanas, tentando agradar a Deus. Um dos piores erros que podemos cometer é tentarmos criar sistemas para agradar a Deus. Os escribas e fariseus queriam fazer um sistema para agradar a Deus.

“Se eu fizer a minha cama no inferno, eis que tu estás lá”. O inferno ou sheol, a habitação dos mortos, pareceria ser o lugar certo para se esconder de Deus. E é para lá que todos os que anseiam pela morte pretendem fugir, a fim de escapar de escapar das Demandas Divinas.

Eu estou convicto de que não há nenhum sequer no nosso meio que jamais, em algum momento, tenha desejado se livrar do julgo da existência, saindo dela.

Mas todos nós sabemos, lá no fundo da nossa alma, que a morte não provê um escape dessa consciência que há em nós.

9 Se tomar as asas da alva, se habitar nas extremidades do mar,

10 ainda ali a tua mão me guiará e a tua destra me susterá.

Voar para os confins da terra não significaria fugir de Deus. Nossa civilização moderna tenta justamente isso, a fim de se libertar da falta de conhecimento, o qual é o centro da vida e do sentido.

O método moderno de fugir de Deus é correr mais e mais adiante, tão rápido quanto o brilho do amanhecer, conquistar mais e mais espaço em todas as direções, em todos os caminhos humanamente possíveis, estar sempre ativo, estar sempre planejando, e estar sempre preparando.

Quando não queremos encarar a realidade, quando queremos fugir de Deus, tentamos substituir Deus, criando outros deuses, o trabalho, o dinheiro, o poder, quantas vezes criamos nosso deus particular, para não encararmos a vida, procuramos mais e mais atividades, não queremos parar, correndo para o nada.... Diz-se que o pior inimigo do homem moderno hoje é o silêncio, o silêncio nos faz pensar e não queremos pensar.

Mas a mão de Deus cai sobre nós; e ela tem caído de forma estrondosa e destrutiva sobre a nossa civilização fujona; esse nosso vôo provou ser vão

11 Se eu disser: Ocultem-me as trevas; torne-se em noite a luz que me circunda;

Fugir para a escuridão a fim de esquecer Deus, não é escapar d’Ele. Por um momento, podemos até ser capazes de lançá-lo fora de nossa consciência, rejeitá-Lo, refutá-Lo, argumentar convincentemente sobre a sua não-existência, e viver bem confortavelmente sem Ele.

Mas no final sabemos que não é Ele a quem rejeitamos e esquecemos, antes é alguma figura distorcida d’Ele. Nós sabemos que só conseguimos falar contra Ele porque Ele mesmo nos impele a atacá-Lo. Não há escape de Deus através do esquecimento.

12 nem ainda as trevas são escuras para ti, mas a noite resplandece como o dia; as trevas e a luz são para ti a mesma coisa.

O poeta que escreveu essas palavras para descrever a fútil tentativa do homem de escapar de Deus, certamente acreditava que o homem deseja escapar de Deus.

Ele não está sozinho na sua convicção. Homens de todos os tipos, profetas e reformadores, santos e ateus, crentes e descrentes, têm a mesma experiência. É seguro dizer que, um homem que nunca tentou fugir de Deus nunca experimentou o Deus que é realmente Deus.

Quando eu falo de Deus, eu não me refiro aos muitos deuses de nossa própria feitura, os deuses com os quais podemos viver de forma confortável. Pois não há razão para fugir de um deus que é a figura perfeita de tudo que é bom no homem.

Por que tentar escapar de um ideal tão remoto? E não há razão para escapar de um deus que é simplesmente o universo, ou as leis da natureza, ou o curso da história. Por que tentar escapar de uma realidade da qual nós somos uma parte? Não há razão para escapar de um deus que não é nada mais do que um pai benevolente, um pai que garante nossa imortalidade e o nosso final feliz. Por que tentar escapar de alguém que nos serve tão bem? Não, tais representações não são figuras de Deus, mas do homem, tentando fazer Deus à sua própria imagem e para seu próprio conforto.

São produtos da imaginação e do pensamento desejoso do homem, negados por qualquer ateu honesto. Um deus o qual podemos facilmente suportar, um deus do qual não temos que nos esconder, um deus o qual não odiamos em algum momento, um deus cuja destruição nunca desejamos, não é Deus de fato, e não possui realidade.

13 Pois tu formaste os meus rins; entreteceste-me no ventre de minha mãe.

14 Eu te louvarei, porque de um modo tão admirável e maravilhoso fui formado; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem.

15 Os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui formado, e esmeradamente tecido nas profundezas da terra.

16 Os teus olhos viram a minha substância ainda informe, e no teu livro foram escritos os dias, sim, todos os dias que foram ordenados para mim, quando ainda não havia nem um deles.

”. A Presença Divina é espiritual. Ela penetra nas partes mais íntimas do nosso espírito. Toda nossa vida interior, nossos pensamentos e desejos, nossos sentimentos e imaginações, são conhecidos por Deus.

O último meio de escapar, o mais íntimo de todos os lugares, é sustido por Deus. Tal fato é o mais difícil de todos de aceitar.

A resistência humana contra essa implacável observação pode assustadoramente ser quebrada. Cada psiquiatra e confessor são familiares com essa tremenda força de resistência que há em cada ser humano, até mesmo contra as insignificantes auto-descobertas. Ninguém quer ser conhecido, mesmo sabendo que a sua saúde e salvação dependem de tal conhecimento. Não queremos ser conhecidos nem por nós mesmos.

Tentamos esconder as profundezas da nossa alma até mesmo dos nossos próprios olhos. Recusamos ser nossas próprias testemunhas. Como então podemos nos postar diante do espelho do qual nada pode ser escondido?

17 E quão preciosos me são, ó Deus, os teus pensamentos! Quão grande é a soma deles!

18 Se eu os contasse, seriam mais numerosos do que a areia; quando acordo ainda estou contigo.

19 Oxalá que matasses o perverso, ó Deus, e que os homens sanguinários se apartassem de mim,

20 homens que se rebelam contra ti, e contra ti se levantam para o mal.

21 Não odeio eu, ó Senhor, aqueles que te odeiam? e não me aflijo por causa dos que se levantam contra ti?

22 Odeio-os com ódio completo; tenho-os por inimigos.

Reconhecer o infinito mistério da vida, o seu Fundamento e significado.
Mas, de repente, no ápice da sua meditação, o salmista acaba se afastando de Deus. Ele se lembra que há um elemento pernicioso na imagem de sua vida – a inimizade contra Deus, a impiedade e os atos sangrentos.

E uma vez que esse elemento prejudica a sua imagem, ele pede para Deus erradicá-lo.

E em repentina ira ele brada: “Se tu matasses o ímpio, oh Deus, e fizesses todos os homens sanguinários apartarem-se de mim, aqueles que opõem a ti em seus pensamentos, e cometem crime em teu nome! Por acaso, eu não odeio aqueles que te odeiam, oh senhor? Por acaso, eu não os desprezo? Eu os odeio com o mais mortal dos ódios. Eles são também meus inimigos!”

Essas palavras perturbariam qualquer um que pensa que o problema da vida pode ser resolvido com meditação e elevação religiosa. O senso de tais palavras é bem diferente das primeiras.

O louvor transforma-se em maldição.

E o tremor da alma, diante do Deus que tudo vê, é substituído pela ira contra o homem. Essa ira faz o salmista sentir que é igual a Deus, o Deus do qual ele desejou fugir e ir para a escuridão e para a morte.

Deus deve odiar aqueles a quem ele odeia; e os inimigos de Deus devem ser seus inimigos. Ele acabara de falar da infinita distância entre os seus pensamentos os pensamentos de Deus; mas ele esquecera.

O fanatismo religioso aparece, o mesmo fanatismo que tem inflamado a arrogância das igrejas, a crueldade dos moralistas, e a inflexibilidade dos ortodoxos.

O pecado da religião aparece em um dos maiores salmos. É esse pecado que tem destruído da história da igreja e a visão do cristianismo, e que não foi evitado nem mesmo por Paulo e João.

Naturalmente nós, cuja experiência religiosa é pobre e cujo sentimento sobre Deus é fraco, não deveríamos julgar tão severamente aqueles que vivem com o ardor do fogo da Presença Divina e espalham esse fogo ao redor do mundo.

Todavia, o pecado da religião é real; e contradiz Espírito daquele que proibiu seus discípulos, várias e várias vezes, odiarem seus inimigos como inimigos de Deus.

Depois disso, uma mudança de pensamento e sentimento leva o salmista repentinamente para o início do seu poema. Ele sente fortemente que parece haver algo errado naquilo que ele proferiu. Só que ele não sabe o que está errado; mas ele está convicto de que Deus sabe

23 Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece os meus pensamentos;

24 vê se há em mim algum caminho perverso, e guia-me pelo caminho eterno.

Então ele conclui com uma das maiores orações de todos os tempos: “Sonda-me, oh Deus, e conhece o meu coração. Prova-me e conhece os meus pensamentos. Vê se há em mim algum caminho errado; e guia-me no caminho perfeito”. Nesse momento ele pede a Deus para fazer algo que, de acordo com as primeiras palavras do salmo, Ele já faz.

O salmista superou a sua oscilação entre a vontade de fugir de Deus e a vontade de ser igual a Deus. Ele descobriu que a solução final está no fato de que a Presença da Testemunha, a Presença do centro de toda vida dentro do centro da sua vida, implica tanto em um radical ataque contra a sua existência quanto em um significado último para a sua existência. Nós somos conhecidos no profundo da escuridão através da qual nós mesmos não ousamos olhar.

Muitos hoje fogem de Deus, fogem de algo que é impossível escapar, querem criar seus próprios deuses, manipuláveis. Criamos sistemas e estruturas para ignorar Deus, ficamos alienados da presença divina, em parte conseguimos. Não entendemos que não há como fugir de Deus ou ignorar Deus, mais cedo ou mais tarde iremos nos dar conta disso.

Por outro lado, queremos alcançar a Deus, nossa alienação é tão grande, que criamos igrejas, fazemos adoração a Deus, oramos, criamos estruturas para tocar a Deus, e ignoramos nosso próximo, nos afastamos dos necessitados, ignoramos os oprimidos. Nos aliamos a sistemas que exploram o ser humano tiram sua dignidade.

Não é possível existir relacionamento com Deus, se não houver um relacionamento sincero com o meu próximo.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Identificação Cristã


Romanos Capitulo 1: 1-16

O contexto de Romanos

Paulo escreveu para a Igreja de Roma, em torno de 56, 57 d C, e Roma como todos nos sabemos era uma cidade turbulenta, onde viajantes iam e viam, onde as pessoas facilmente se deixavam levar por conceitos filosóficos e religiosos com uma velocidade espantosa.
O propósito da carta de Paulo era a que ele realmente cita no seu texto, de visitar os cristãos em Roma sanar as dúvidas e diferenças e criar um laço de amor na Igreja, e seguir para evangelizar os gentios do leste

Mas para isso era necessário que a igreja tivesse certeza de quem era Paulo, era importante que a Igreja também soubesse quem ela era.

Nos vamos ver que Paulo demonstra a sua identidade cristã de 4 formas :

1 – Paulo Sabia quem ele era.

2 – Paulo Sabia quem Cristo é

3. Paulo sabia quem era a igreja e como deve ser a Igreja.

4. Paulo sabia o que Deus queria dele.

Aplicação

1. Paulo Sabia quem ele era.

1 Paulo, servo de Jesus Cristo, chamado para ser apóstolo, separado para o evangelho de Deus,

Paulo no inicio da carta deixa bem claro quem ele é, e deixa claro que ele sabe do sua responsabilidade no corpo de Cristo.

Ele se identifica como Servo:

doulos

1) escravo, servo, homem de condição servil

1a) um escravo

1b) metáf., alguém que se rende a vontade de outro;

Ele sabia da sua condição de servo, de que estava fazendo não a sua vontade, mas a de Cristo.

Ele sabia qual era a sua chamada no corpo de Cristo: apóstolo: um delegado, mensageiro, alguém enviado com ordens.

Separado : Ela sabia que era salvo, que tinha limites, que tinha critérios.

2. Paulo sabia quem Cristo é.

2 o qual foi por Deus, outrora, prometido por intermédio dos seus profetas nas Sagradas Escrituras,

3 com respeito a seu Filho, o qual, segundo a carne, veio da descendência de Davi 4 e foi designado Filho de Deus com poder, segundo o espírito de santidade pela ressurreição dos mortos, a saber, Jesus Cristo, nosso Senhor, 5 por intermédio de quem viemos a receber graça e apostolado por amor do seu nome, para a obediência por fé, entre todos os gentios,
6 de cujo número sois também vós, chamados para serdes de Jesus Cristo.

Paulo dá uma aula de teologia, em 5 linhas , isso demonstra a firmeza na Palavra e no conhecimento que ele tinha.

Ele afirma que Cristo foi prometido por Deus; que os profetas já falavam dele nas Sagradas Escrituras; que veio como homem, porém, que era filho de Deus, que tem poder, é santo, ressuscitou dos mortos é que é nosso Senhor.

Essa pequena aula demonstra uma fé grandiosa e um conhecimento intelectual das Escrituras muito formidável.

Hoje vemos muitas pessoas dizendo que são cristão, mas sequer conseguem falar no que crêem.

Não conhecem, e não lêem a Bíblia, mas se dizem cristas.

É uma vergonha.

Paulo sabia no que ele cria, e sabia dizer no que ele cria. Ele tinha identidade.

3. Paulo sabia quem era a igreja e como deve ser a Igreja.

7 A todos os amados de Deus, que estais em Roma, chamados para serdes santos, graça a vós outros e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.

Paulo já começa indicando a identidade da igreja: Eles são amados de Deus: Deus tem um carinho todo especial por eles; e eles são chamados pra serem santos; a Igreja tinha que buscar a santidade, não a aparência de santos, isso não quer dizer nada, mas a pureza de coração a retidão de caráter...

Como pode uma igreja ter uma identidade se não procura a santidade; como nós como cristãos poderemos ser identificados como tais se não procuramos a santidade??

8. Primeiramente, dou graças a meu Deus, mediante Jesus Cristo, no tocante a todos vós, porque, em todo o mundo, é proclamada a vossa fé.

Aqui vemos que a igreja já pode ser identificada por um atributo : a fé.

Não pode existir um cristão sem fé. Isso é fundamental na sua identidade, a igreja deve ser o ambiente propício para o desenvolvimento da fé.

9 Porque Deus, a quem sirvo em meu espírito, no evangelho de seu Filho, é minha testemunha de como incessantemente faço menção de vós 10 em todas as minhas orações, suplicando que, nalgum tempo, pela vontade de Deus, se me ofereça boa ocasião de visitar-vos.

A preocupação com a igreja, Paulo diz que cita a igreja como exemplo, e como ele dedica tempo com suas orações e no desejo de conhece-los.

Essa união, esse importar-se constantemente um com os outros imprime cada vez mais forte em nos a marca de Cristo. Como posso não me importar em como está indo a Igreja?

Como posso não saber se ela está passando por alguma dificuldade?


11 Porque muito desejo ver-vos, a fim de repartir convosco algum dom espiritual, para que sejais confirmados, 12 isto é, para que, em vossa companhia, reciprocamente nos confortemos por intermédio da fé mútua, vossa e minha.

A preocupação com o crescimento do corpo de Cristo. Paulo sabia que ele não ia somente para a igreja para dar, ele recebia; um membro não pode somente ser alimentado e servido enquanto outro somente da de comer e serve... A igreja é uma troca, um relacionamento entre os dons e ministérios de cada um.
Paulo diz que quer confortar e ser confortado.

4. Paulo sabia o que Deus queria dele.

13 Porque não quero, irmãos, que ignoreis que, muitas vezes, me propus ir ter convosco (no que tenho sido, até agora, impedido), para conseguir igualmente entre vós algum fruto, como também entre os outros gentios.
Paulo sabia da sua missão, daquilo que Deus tinha incumbido ele, e fazia todo o esforço possível para realizar o que estava sendo pedido dele.

O que Deus quer de você?
14 Pois sou devedor tanto a gregos como a bárbaros, tanto a sábios como a ignorantes;

15 por isso, quanto está em mim, estou pronto a anunciar o evangelho também a vós outros, em Roma.

Humildade

16 Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego; 17 visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé.

Por fim o carimbo final na identidade de Paulo, ele anunciava o evangelho, não tinha vergonha, conhecia a justiça de Deus.

Quantos vêm para a igreja com a Bíblia escondida? Para que ninguém na rua veja que ele é cristão...

E como não poderia deixar de ser a fé.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Nada paga a Graça.

Nos dias de hoje, em uma sociedade cada vez mais competitiva, o conceito de méritocracia está arraigado, para ter direito a algo, ganhar alguma coisa, tenho que fazer por merecê-lo.

Parece um conceito bom, faz termos responsabilidade e não esperarmos as coisas de mão beijada.

O problema é quando levamos este conceito para todas as áreas da nossa vida, inclusive para a espiritual.

Há muitas “teologias” dizendo hoje que dependendo de como agimos somos merecedores das graças de Deus. Se fizermos assim ou assado, se algo com fé e que exija um sacrifício seremos recompensados. Para termos a salvação temos que estar atuantes na igreja, presentes em todos os cultos, criamos legalismos e elaboramos uma pseudo estrutura para a salvação.

A mais ou menos 500 anos atrás um monge, inconformado com o que estava vendo do sistema de salvação que a igreja da idade média estava elaborando, voltou-se para as escrituras e descobriu uma verdade que sempre estivera ali, mas havia sido deixada para segundo plano.

Quando Lutero pregou as 95 teses, em 31 de outubro de 1517, faltavam 11 dias para completar 36 anos, e creio que jamais pensou onde acabaria este seu ato

Fruto de seus questionamentos íntimos e leitura da Bíblia, bem como de textos, e pensamentos de outros religiosos, o principal ponto para Lutero era a questão espiritual, a venda de indulgências e a graça de Deus eram pontos incompatíveis e a Bíblia afirmava a graça.

A justiça de Deus é JUSTITIA FORENSIS, JUSTITIA ALIENA, isto é a justiça que Deus como juiz, exerce por força de sua retidão e não em função de leis ou códigos.

Lutero afirma : “(...) a nossa justificação, nossa salvação e nosso consolo, estão fora de nosso alcance; vêm de fora; que embora justificados, aceitos, santificados e tornados sábios perante Deus, em nós habita o pecado vil, a injustiça e a loucura.”

E isto o apostolo Paulo já escrevia alertando a igreja de Roma, a quase 2.000 anos atrás :

Romanos 3. 21-24

21 Mas agora Deus já mostrou que o meio pelo qual ele aceita as pessoas não tem nada a ver com lei. A Lei de Moisés e os Profetas dão testemunho do seguinte:
22 Deus aceita as pessoas por meio da fé que elas têm em Jesus Cristo. É assim que ele trata todos os que crêem, pois não existe nenhuma diferença entre as pessoas.
23 Todos pecaram e estão afastados da presença gloriosa de Deus.
24 Mas, pela sua graça e sem exigir nada, Deus aceita todos por meio de Cristo Jesus, que os salva.

Este é o centro da Carta aos Romanos, o plano central dela.

Vamos ver estes versículos um pouco mais atentamente :

21 Mas agora Deus já mostrou que o meio pelo qual ele aceita as pessoas não tem nada a ver com lei. A Lei de Moisés e os Profetas dão testemunho do seguinte:

Paulo afirma aqui, como que fazendo uma pausa no tempo, cortando a frase anterior, mas agora Deus já mostrou que o meio pelo qual ele aceita as pessoas não tem nada a ver com a lei.
Paulo está dando um basta, tenta chamar a atenção para aquilo que é de fato importante.

John Stott afirma que este “Mas Agora” , denota que em meio á treva universal do pecado e da culpabilidade humana brilhou a luz do evangelho.

Outra tradução diz : 21 Mas agora, sem lei, se manifestou a justiça de Deus testemunhada pela lei e pelos profetas;

Paulo afirma que não é pela observação da lei que se tem a salvação, não é simplesmente pelo fato de seguir a lei e suas inúmeras interpretações que o judeu ganharia a salvação, não era criando um sistema de auto justificativa, de mérito que o faria salvo.

22 Deus aceita as pessoas por meio da fé que elas têm em Jesus Cristo. É assim que ele trata todos os que crêem, pois não existe nenhuma diferença entre as pessoas.
23 Todos pecaram e estão afastados da presença gloriosa de Deus.

Deus aceita todas as pessoas por meio da fé em Jesus Cristo, não é uma fé qualquer, não é uma fé positiva, é a fé de que Jesus Cristo, morreu na cruz pelos nossos pecados para que tenhamos vida eterna.

Paulo diz não há distinção entre judeu e gentio, todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus.

Esta é a dura constatação do versículo 23 todos pecaram e estão afastados da presença de Deus, nada absolutamente nada podemos fazer... há uma barreira intransponível que nos separava de Deus, porém a boa nova vem no versículo 24 :

24 Mas, pela sua graça e sem exigir nada, Deus aceita todos por meio de Cristo Jesus, que os salva.

Eis a nossa alegria, eis onde podemos nos agarrar firmemente:

Sem exigir nada = Gratuitamente


Dorean

caso acusativo - Grego

1) gratuitamente, não merecido

Deus nos aceita, por meio do sacrifício de Jesus, todos os nossos pecados são lavados, podemos ser chamados de filhos de Deus, basta aceitarmos, reconhecermos nossa situação de pecadores, arrependermos e aceitarmos a Jesus.

Está é a graça, e por isso que Jesus morreu na cruz, para que aceitássemos o seu sacrifício em nosso lugar.

Quando achamos que podemos fazer algo para merecermos a salvação ou que somos merecedores da salvação, estamos desprezando o sacrifício da cruz, e desperdiçando a nossa vida, por que “quem é o homem, para que ele próprio possa se salvar?”

Assim como Paulo falou aos Romanos, assim ele fala para nós hoje também, para que fiquemos atentos as nossas atitudes e nossas fortalezas pessoais.

As vezes nos sentimos fortes e já estamos a tanto tempo na estrada cristã, que esquecemos que continuamos não merecedores da graça da salvação.

É nesses momentos em que me sinto forte que sou fraco....mas quando percebo o quão sou fraco, falho, pequeno e dependente de Cristo, ai sou forte pq esta força não vem de mim mas de Deus.

Não é porque você esta na igreja hoje que você é merecedor da graça do que aquele que esta fora dela, você tem um privilegio de fazer parte do corpo de Cristo, pela graça de Deus, mas não é melhor por isso.

As vezes criamos uma barreira, e nos afastamos das pessoas com medo de nos contaminar, assim também agiam os judeus com os gentios, e isso impediu de mostrarem a Deus para os outros. E isto estava quase impedindo os próprios apóstolos de levarem as boas novas para os gentios... de tão arraigados a esta imagem de povo escolhido, de merecedores... de puros.....

Se vc tem medo de se contaminar ao conversar, com um não cristão, ou de estar no meio de outros que não sejam cristãos, então não vá, vc precisa primeiro melhorar seus fundamentos, meditar sobre sua espiritualidade, fortalecer-se .....

--- Hoje há muitos que substituem a salvação eterna, pelas bênçãos temporais, ou seja colocam a graça da salvação, como nota de rodapé da Bíblia, e a prosperidade como fato central da Palavra de Deus, substituo a fé na promessa da salvação eterna, pela fé impositiva, como moeda de troca com Deus.


Estamos amarrando Deus a este mundo, já não transcendemos a esta existência.

Vou te contar uma coisa, tua vida financeira, tua vida física não é prioridade para Deus, tua vida eterna sim.

Tem gente que diz : eu dou o dizimo, trabalho na casa de Deus, vou em todos os cultos, e minha vida financeira não vai bem, não entendo pq Deus não me abençoa...

Meu irmão Deus não é cartão de credito, enquanto vc não parar de gastar mais do que ganha, enquanto não parar de se render ao consumismo, vc não vai conseguir ter dinheiro, ou vc acha que Deus criou todo o universo, todas as estrelas, as galáxias, os planetas a terra, toda a natureza, o ser humano pq tinha por objetivo final te dar um carro novo?

Tem meses que eu entro no vermelho, geralmente eu entro no vermelho, mas isso não tem nada a ver com satanás ou com Deus, as vezes é por uma necessidade extraordinário, e as vezes é pelo meu excesso de consumismo, para mudar isso posso pedir que Deus me de mais auto controle e tenho que controlar minha planilha de gastos e pronto....

Por ser a graça “de graça”, por ser algo imerecido, algo que eu nunca poderia ter merecido, algo que eu nunca, nada que eu fizesse, como ser humano falho, pequeno, pecador e vil pudesse fazer para me justificar perante a Deus, é por isso que eu sou forte, porque sei que sou extremamente fraco, e que dependo de Deus para tudo , e é justamente por isso que me alegro em Cristo, é por isso que estou satisfeito, apesar dos meus momentos de angustias e de dor....porque meu espírito transcende a esta vida, porque quando olho o mundo ao meu redor, as arvores, os animais, as flores, as artes, a musica toda a criatividade do ser humano eu percebo a graça de Deus me tocar mais uma vez, eu digo apesar de mim o que Deus fez é maravilhoso.

Hoje quando estivermos tomando a ceia, façamos justamente isso, não façamos como um ritual, mas vamos buscar em nosso coração nossas fortalezas pessoais, tudo aquilo em que me apoio e que posso me achar melhor, mais forte, mais agradável e talvez mais merecedor da salvação. Vamos buscar aquilo que nos coloca em outro nível, status, títulos, dinheiro, ...

Vamos fazer uma auto analise, se estou sendo humilde o suficiente para escutar a palavra, se eu acho que Deus tem algo a me ensinar ainda ou se eu acho que já sei tudo...., se eu acho algum defeito em mim mesmo e não tanto nos outros, pq se vc não acha nenhum defeito em si mesmo vc está com um grande problema... Eu pessoalmente consigo achar uns 10 em mim mesmo, sem pensar muito.

Vamos relembrar o sacrifício de Jesus Cristo pelo que ele é, o presente eterno de Deus para nós, a graça imerecida.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Características do Reino de Deus.

I - O Perdão

Mateus 18.21-35

A ênfase este ano é Cuidando do Reino de Deus. Mas para cuidarmos de algo devemos conhecer e saber do que se trata.

O Reino de Deus é um conceito metafísico, com reflexões no mundo material em que vivemos, mas principalmente o Reino de Deus deve inicialmente nascer no coração de cada um.

Isto significa dizer que para cuidarmos devemos estar profundamente envolvidos e transformados pelos seus pricípios.

Na elaboração deste sermão nasceu a idéia de iniciar uma série de estudos que abordará as características indicadas por Jesus com relação ao Reino de Deus e como devemos nos portar como cidadãos deste reino.

E este é o primeiro, e como esta idéia nasceu repentinamente ele não está seguindo uma ordem, cronológica assim como Jesus explanou, talvez os próximos sigam uma cronologia.

Bem então como estamos tentando aprender mais para agirmos de forma melhor como cristãos vamos começar com um tema muito importante, e bastante difícil, que é o perdão.

Para tanto vamos ver o que Jesus nos ensina a respeito disto.

Abramos nossas Bíblias no Livro de Mateus 18.21-35

Este capítulo faz parte do relato de Mateus, e é o quarto grande bloco de discursos que aparece neste Evangelho, e desde o início do capítulo 18 Mateus relata as instruções que Jesus estava dando ao povo, mais precisamente ao povo da nova aliança. Estes versículos são muito preciosos e fundamentais para nos compreendermos verdadeiramente o que é ser Cristão.

Vamos entender um pouco mais profundamente o que Jesus quer nos dizer com essa parábola.

Análise do Texto

(Mateus 18:21) - Então Pedro, aproximando-se dele, disse: Senhor, até quantas vezes pecará meu irmão contra mim, e eu lhe perdoarei? Até sete?

(Mateus 18:22) - Jesus lhe disse: Não te digo que até sete; mas, até setenta vezes sete.

Comentários : Jesus estava neste grupo de discurso respondendo a um questão levantada pelos discípulos no início do capítulos onde eles questionavam Jesus sobre quem é o mais importante no Reino dos Céus, é bem provável que eles ainda estivessem entendendo a questão do reino como um reino terreno, que faria com que Israel dominasse os demais reinos sob um governo teocrárico. E Jesus então tenta aprofundar o entendimento sobre o que é o reino e suas implicações na vida de cada um.

Chega então um momento em que Pedro interrompe Jesus, talvez aturdido com tanta informação e conceitos tão diferentes de tudo que já ouviram, e pergunta, já fazendo uma afirmação sobre a questão do perdão.

O numero sete tem um significado muito particular para o Judeu, e desta forma Pedro achava que já seria uma quantidade muito grande em que devemos perdoar, mas Jesus amplia este conceito e coloca de forma que esta informação é multiplicada por setenta, ou seja está dizendo que o perdoar deve ser constante na vida do cristão, ou seja sempre devemos perdoar, não há um limite.

(Mateus 18:23) - Por isso o reino dos céus pode comparar-se a um certo rei que quis fazer contas com os seus servos;

Comentários : Aqui Jesus começa a contar a parábola do empregado mau, e faz uma referência direta com o reino dos céus, ou seja é uma comparação.

(Mateus 18:24) - E, começando a fazer contas, foi-lhe apresentado um que lhe devia dez mil talentos;

Comentário : É chegada a hora de prestar contas, e foi apresentado um que devia dez mil talentos.

O valor desta dívida é um absurdo para um trabalhador, hoje seria equivalente a algo em torno de 275 mil anos de trabalho, (5 milhões de dólares, ou algo em torno de R$ 8.700.000,00,) (170t de ouro) se para nós hoje isso é uma quantia fabulosa, mesmo trabalhando toda a minha vida não conseguira juntar todo esse dinheiro, imagine na época de Jesus, um trabalhador jamais conseguiria juntar todo esse dinheiro era algo impossível de se pagar.

(Mateus 18:25) - E, não tendo ele com que pagar, o seu senhor mandou que ele, e sua mulher e seus filhos fossem vendidos, com tudo quanto tinha, para que a dívida se lhe pagasse.

Comentário : Este era o procedimento comum que se dava a devedores que não tinham como pagar suas dívidas, mesmo assim sendo vendido tudo o que possuía em conjunto com toda a sua família essa divida fabulosa não seria quitada, porém o empregado e toda a sua família teriam que trabalhar para outros como escravos.

(Mateus 18:26) - Então aquele servo, prostrando-se, o reverenciava, dizendo: Senhor, sê generoso para comigo, e tudo te pagarei.

(Mateus 18:27) - Então o senhor daquele servo, movido de íntima compaixão, soltou-o e perdoou-lhe a dívida.

Comentário : O empregado entrou em desespero, percebeu no grande problema que havia se metido e pede clemência para seu Rei.

E então o rei o perdoa, não aumenta apenas o prazo para pagamento, pois sabia que ele nunca poderia pagar, mas graciosamente o perdoa, perdoa uma divida imensa, gratuitamente por compaixão.

(Mateus 18:28) - Saindo, porém, aquele servo, encontrou um dos seus conservos, que lhe devia cem dinheiros, e, lançando mão dele, sufocava-o, dizendo: Paga-me o que me deves.

Comentário: Curiosamente este agraciado encontra um colega seu que deve-lhe cem dinheiros, que refere-se a moeda romana a quantia fica em torno de oito dólares (30g de ouro) hoje, é notável a diferença de valores entre a divida de um e de outro, a divida do primeiro era enorme impagável, a do segundo um divida para com o outro que comparativamente não significava muito.

(Mateus 18:29) - Então o seu companheiro, prostrando-se a seus pés, rogava-lhe, dizendo: Sê generoso para comigo, e tudo te pagarei.

Comentário: O seu conservo pede então compaixão, promete que pagará.

(Mateus 18:30) - Ele, porém, não quis, antes foi encerrá-lo na prisão, até que pagasse a dívida.

Comentário: Mas não houve compaixão, não houve perdão, não houve graça, e ele não perdoa, quer cobrar aquilo que acha ser merecedor.

(Mateus 18:31) - Vendo, pois, os seus conservos o que acontecia, contristaram-se muito, e foram declarar ao seu senhor tudo o que se passara.

(Mateus 18:32) - Então o seu senhor, chamando-o à sua presença, disse-lhe: Servo malvado, perdoei-te toda aquela dívida, porque me suplicaste.

(Mateus 18:33) - Não devias tu, igualmente, ter compaixão do teu companheiro, como eu também tive misericórdia de ti?

Comentário: Aquele por quem foi usada de compaixão, de perdão não teve capacidade de perdoar.

(Mateus 18:34) - E, indignado, o seu senhor o entregou aos atormentadores, até que pagasse tudo o que devia.

(Mateus 18:35) - Assim vos fará, também, meu Pai celestial, se do coração não perdoardes, cada um a seu irmão, as suas ofensas.

Contextualização

Devemos primeiramente entender que o Reino de Deus tem valores essencialmente diferentes dos que caracterizam as instituições terrenas e as organizações seculares.

O padrão de ética do Cristão deve ser normalmente maior do que é o normal na sociedade em geral, o cristão não deve se nivelar pela média, mas sim por valores superiores que a média.

Tasker em seu comentário sobre o livro de Mateus afirma:

“A comunidade messiânica é primeiramente e acima de tudo a comunidade dos remidos. Deve a sua existência ao perdão tornado possível pela morte do Messias. (...) Impõe-se, pois a cada membro o supremo dever de do qual em de estar sempre cônsio sem jamais cansar-se, de perdoar o mal pessoal que acaso lhe façam. Uma vez abandonada a disposição para perdoar, perde-se a raison d’être, a razão de ser da comunidade cristã. A sociedade dos perdoados fica sem sentido, se os que são perdoados não perdoam.(...)” [1]

Observando o texto verificamos que temos em termos literários quatro personagens : O rei, o sevo devedor, o companheiro de trabalho do devedor, os outros empregados ou a multidão.

Comparativamente podemos entender que O Rei é Deus, o servo devedor somos nos pecadores, o companheiro de trabalho é todo aquele que também nos fez alguma coisa e que necessita de perdão, os outros, são aqueles que testemunham nossas atitudes.

Ora partindo do pressuposto que quando aceitamos o sacrifico de Jesus somos perdoados por Deus de todas as nossas transgressões, ou seja somos perdoados de uma dívida que não teríamos condições nenhuma de pagar,e que seriamos chamados ao seu tribunal como grandes pecadores e devedores, mas fomos graciosamente perdoados, fomos feitos livres e melhor de devedores agora somos filhos, fomos perdoados de uma dívida impagável.

Como deverá ser então o nosso comportamento com aqueles que nos são devedores? Como deverá ser o nosso procedimento com aqueles a quem devemos perdoar?

Aquele servo não usou de compaixão, tampouco penso que entendeu a grande misericórdia que o Rei usou para com ele, mas mesmo assim ele não foi capaz de perdoar, algo muito mais insignificante.

Se compararmos o perdão de Deus em nossas vidas, há algo que não possamos perdoar?

É claro que é um processo muito difícil, o perdoarmos alguém que nos traiu, que talvez mentiu, que nós enganou, ou tantas outras dificuldades que passamos, mas como cristãos a nossa meta deve ser perdoar, e perdoar e perdoar e perdoar sempre. Toda pessoa que demonstra estar sensivelmente arrependida, deve ser perdoada.

Lamento dizer mas não há justificativa para não perdoar. Isso não significa dizer não ser necessário o cumprimento justiça da lei. Mas para nós em nosso coração deve sempre haver espaço para o perdão, este perdão deve ser exercido como forma de agradecimento pela graça da salvação, pelo perdão que recebemos sem merecer.

“O perdão é o sinal de uma fé verdadeira.”


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[1] Tasker, R.V.G., Mateus Introdução e Comentário, pg 138, Ed. Vida Nova.

sábado, 25 de agosto de 2007

O risco de esquecermos da espiritualidade.

Salmos 139

Em uma sociedade tão materialista, corremos o risco de confundirmos a espiritualidade com a busca de bênçãos de Deus.

Espiritualidade não é buscar as bênçãos de Deus, essa é a maior manifestação de materialismo que podemos mostrar.

Geralmente confundimos materialismo com ateísmo, pois eu digo que há muitos ateus espiritualistas, apesar de toda a incompatibilidade destes termos, e muito cristãos extremamente materialistas, sua busca espiritual limita-se ao acesso ao sucesso material.

E nos últimos tempos estamos tão confusos que julgamos que as pessoas bem sucedidas materialmente é que são as mais próximas de Deus, ou as que nunca enfrentaram uma crise ou as que nunca passaram por uma doença...

Ultimamente estou estudando um pouco sobre o movimento Puritanista, e a sua busca por um cristianismo mais autêntico e sincero. Um cristianismo que voltasse a colocar a Jesus como padrão, e que todos pudessem entender que a maior benção a ser alcançada já era nossa, a vida eterna, a reconciliação com Deus. Talvez falta-nos um pouco deste espírito de entrega e busca por Deus.

O momento que Jô esteve mais perto de Deus foi quando ele estava passando a pior crise da sua vida, gravemente doente, empobrecido, havia perdido seus filhos, todos se voltavam para ele com um misto de piedade e desconfiança, ou seja não recebia apoio de lugar nenhum, mas foi somente após todos estes transtornos é que ele afirma que antes somente ouvira falar de Deus, mas agora meus olhos te vêem.

O que estou querendo dizer então? Que devemos viver na pobreza, sofrermos para buscar a face de Deus? Não nada disso.

O que quero dizer que a nossa sociedade não é uma sociedade cristã, não vive por parâmetros cristãos, que sistema que a domina e a rege é um sistema demoníaco em suas estruturas. É um sistema que incita a competição desenfreada, a busca incessante por dinheiro e poder, que vê o outro como um objeto é não como alguém, como um ser humano.

O que quero dizer que nós como cristãos estamos constantemente apoiando estes sistemas e incentivando e achando até justificativas bíblicas para ele.

O que quero dizer é que o que Jesus disse de Amar a Deus sobre todas as coisas e ao teu próximo como a ti mesmo é completamente incompatível com as estruturas da nossa sociedade.

O que quero dizer é que a espiritualidade é a busca por Deus. As vezes podemos tentar fugir de Deus, a nossa sociedade vive querendo fugir de Deus, e para isso criamos utopias, ou sistemas em que não necessitaríamos de Deus. Eu não canso de repetir a frase de Tolstoi : “ O ser humano tem um vazio do tamanho de Deus.”, não há como fugir de algo de que está em nós ou que nada possa preencher o nosso vazio existencial.

Introdução ao Sermão de 26/08/07