Além de ser a virtude que permite ver e compreender a realidade, de modo a tomar uma decisão certa frente à situação que se apresenta, a prudência também impulsiona o indivíduo para agir frente a essa realidade de modo que possa transformá-la, pois de nada adiantaria saber o que é o bem, o justo e o correto, se não houver disposição para realizá-los. E por tratar de ações contingentes do mundo da vida, a prudência não lida com “receitas prontas” de como se deve agir, o que faz com que o indivíduo tenha que encontrar a decisão certa para cada problema. (ROHREGGER, SGANZERLA)
PRUDÊNCIA: A VIRTUDE DA BIOÉTICA NA CIVILIZAÇÃO TECNOLÓGICA
PRUDENCE: THE VIRTUE OF BIOETHICS IN THE TECHNOLOGICAL CIVILIZATION
Corremos tanto atrás da felicidade que não temos tempo de sermos felizes... Aliás sequer conseguimos saber o que realmente é a felicidade, e no final das contas, acabamos "comprando" a ideia de "felicidade" ditada por outras pessoas e pelas propagandas com suas sugestões milagrosas... E então produto, após produto consumido não ficamos satisfeitos e continuamos para, quem sabe, na próxima sugestão de consumo encontremos a felicidade. Neste frenesi de correria buscando o sucesso, riqueza e a tal felicidade... esgotamos nossas vidas, tentando chegar a algum lugar, em alguma meta, esquecendo que o que faz, de fato a vida, não é a chegada e sim o caminho, afinal a chegada no final da vida é a morte.. então, devemos correr tanto?
Neste final de semana (17/08) acontecerá o I Encontro Nacional de Filosofia da Uninter, e nele estarei participando com a apresentação de dois trabalhos : "IMPLICAÇÕES DA MANIPULAÇÃO
GENÉTICA HUMANA. UMA
REFLEXÃO PARTIR DE HANS JONAS" e outro sobre "IMPLICAÇÕES FILOSÓFICAS DO TRANSHUMANISMO", dois temas que me são bastante caros e que norteiam as minhas pesquisas na bioética e agora também na filosofia. Estarei participando com Banner's que apresentam um pouco da linha de pesquisa que desenvolvo e são um resumo de dois textos mais completos nos quais estou trabalhando.
Nesta linha ainda estou trabalhando em um artigo intitulado A NATUREZA HUMANA DA TÉCNICA – UMA REFLEXÃO A
PARTIR DO PENSAMENTO DE JOSÉ ORTEGA Y GASSET.
Minha principal linha de pesquisa enquanto cursava teologia foi a possibilidade de harmonizar o conceito de onisciência divina e a liberdade e consequente responsabilidade humana. Destes estudos resultou em 2007 a monografia "Onisciência Divina e a Responsabilidade do Ser Humano". O texto em suas 90 páginas analisa a partir da exegese de Mateus 23: 37-39 os principais debates sobre a questão. Estudando os conceitos de pré-ciência nos teólogos clássicos como Agostinho, Boécio, Tomás de Aquino, passando pelos Reformadores e detendo-me um pouco mais no Jesuíta Luiz Molina e o conceito de Sciencia Média. Na parte 8 do trabalho avalio brevemente alguns aspectos filosóficos e científicos sobre o tempo. Indo para a finalização trabalho os conceitos da Teologia Relacional concluindo com a ideia do conhecimento divino amplo porém não limitante da responsabilidade humana. Hoje, após algumas especializações em outros aspectos e do mestrado em Bioética onde conclui com a dissertação sobre "Biologia Sintética sob o olhar da Bioética: Riscos, Promessas e Responsabilidade", como acadêmico de Filosofia vejo-me interessado em uma área que de alguma forma toca as demais que já pesquisei, a epistemologia, fisgado por esta linha da filosofia estou bem inclinado em dedicar o meu artigo de TCC nesta área em que ainda sou neófito. Um novo desafio sempre nos enche de entusiasmo.
"Segundo Zygmunt Bauman, (1997 p.25), citando Ulrich Beck, a sociedade passou da “sociedade industrial”, para a fase de “sociedade de risco” representada pela crescente aumento das forças da tecnologia, alertando que atualmente a tecnologia tornou-se sistema fechado, ou seja ela postula o resto do mundo como “ambiente”, como fonte de matéria prima para tratamento tecnológico e a profunda crença de que: “se você depara uma dificuldade tecnológica, sempre poderá esperar resolvê-la inventando outro dispositivo tecnológico” , ou seja, a tecnologia não mais precisa de legitimação, ou antes ela se torna sua própria legitimação, em que os meios estão liberados dos fins. A principal vítima deste processo de “tecnologização” da vida é o próprio eu moral." ROHREGGER, R. - BIOLOGIA SINTÉTICA, UM OLHAR A PARTIR DO PENSAMENTO DE HANS JONAS https://drive.google.com/file/d/16Hy2YETPGC60rOLvtVSkLEXCrI2VLhjh/view
A essência para a evangelização é a compaixão. Há muito nosso evangelismo e nossas missões deixaram a compaixão pelo sofrimento do ser humano, necessitamos de um envolvimento missionário com as necessidades espirituais e sociais, envolver-se com aqueles que estão como ovelhas sem pastor. O Brasil e o mundo vivem hoje uma crise ética nos seus mais profundos setores, sejam político, econômico, social e tantos outros mais. E podemos dizer que o principal e o grande fator que contribui para esse aprofundamento da crise foi e é o afastamento da centralidade de Deus. O ser humano foi gradualmente tirando a centralidade de Deus e focando em si próprio, o homem é o centro.(ROHREGGER, 2012, p. 03)
"A prudência por si só não é suficiente para uma virtude, no entanto, nenhuma virtude pode dela prescindir, e ela só pode ser considerada uma virtude quando está a serviço de um fim considerado estimável, pois ao contrário, seria concebida apenas como uma habilidade, por isso Aristóteles afirma que “não é possível ser um homem de bem sem prudência, nem prudente sem virtude moral” (1999, p. 126). A deliberação de modo virtuoso que a prudência nos direciona, não se limita às intenções humanas ao aqui e agora, mas para com todo o reino da biosfera levando em conta as consequências de nossas ações, visto que a prudência, embora não ignore a sua necessidade para o tempo presente, direciona-se também para o depois, o futuro, e este depende de nós para garanti-lo." (SGANZERLA; ROHREGGER, 2017, p.68)
1- Assistindo um vídeo ou lendo um texto na internet e assumir prontamente que a opinião daquele autor está correta.
2 - Assistindo um vídeo na internet e questionando a opinião do autor, fazendo uma pesquisa própria para verificar se a posição do autor está correta. Para isso é preciso levantar fontes das mais diversas para testar a fundamentação do autor e a partir deste levantamento onde você faz uma contraposição argumentativa, então você pode formar a sua própria opinião.
A grande diferença é que no primeiro caso a opinião nunca será sua de fato, mas você somete será uma caixa de ressonância da opinião de outro.
Resolvi abrir este post com alguns escritos que coloquei no facebook para manter um registo deste debate.
Acho muito engraçado... O pessoal falando que os médicos cubanos estão trabalhando como escravos aqui no brasil ganhando R$ 3.000,00, se eles são escravos o que são os pacientes que eles atendem e que vivem com menos de R$ 900,00 ?
Você realmente acha que alguém que faz uma proposta que pode tirar 11.000 medicos da noite pro dia do atendimento de pessoas carentes, está preocupado com elas?
Então vamos ver se eu entendi... Para proteger os médicos cubanos das injustiças que eles estão sofrendo vamos mandá-los de volta para Cuba? Háaa vamos oferecer asilo político? E suas famílias ficam em Cuba? Bom parece decisões bem lógicas, mais lógica só se declarássemos guerra a Cuba, e aproveitando o embalo a Venezuela também... Temos que acabar com a URSAL...
Concordo, o erro do PT foi propor este tipo de acordo com CUBA, o problema foi criado pelo PT, isto não há dúvida. Porém temos um problema antigo de conseguir médicos para localidades no interior do país, a grande maioria dos formandos não desejam fazer uma carreira em cidades pequenas, mesmo com salários de R$ 10.000,00 a R$ 15 000,00. Bem este problema herdado não poderia ser desfeito desta maneira, mas sim aos poucos com um planejamento. Uma alternativa seria uma prestação de serviços (lógico que remunerada) por médicos que se formaram com bolsas ou pelo FIES, seria uma retribuição social por 2 ou 3 anos. O problema é que seriam médicos sem experiência e que nem sempre teriam a presença de médicos experientes. O problema é complexo, e agora ficou ainda mais complexo... infelizmente.
Minha fala no vídeo abaixo:
O mais engraçado é que mais de 8.000 médicos trabalhando no Brasil e o Conselho Nacional de Medicina não se pronunciou dizendo que estes estavam tirando a vaga de médicos brasileiros que estavam querendo trabalhar nos municípios interioranos, médicos que estavam sem emprego pro causa desta invasão estrangeira...
Também é muito comovente ver tantas pessoas preocupadas agora com os médicos cubanos... mas ninguém preocupado com as pessoas que ficarão sem atendimento, traduzindo, não vejo ninguém preocupado com o que vai acontecer com os brasileiros extremamente carentes que ficarão sem o atendimento... Claro você não precisa deste atendimento, não está nem ai para com estes... Outro detalhe, a proposta tão caridosa de acolher os médicos cubanos e pagar o salário para estes diretamente, tão humana, só foi feita por que se sabe que há um contrato entre o Estado Brasileiro e o Estado Cubano para prestação de serviços, os cubanos atuam como prestadores de serviço de um pacote vendido pelo governo de Cuba ao Ministério da Saúde sob intermediação da Organização Pan-Americana da Saúde da Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) e desta forma é quebra de contrato, isto é a proposta só foi feita porque se sabia que não poderia ser aceita. Mas não adianta... só perco meu precioso tempo discutindo isso aqui... não é questão de não entender é simplesmente não querer entender, é questão de defender um ídolo acima do bem e do mal.