segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Nada consegue explicar uma tragédia....

Nos momentos de grande tribulação ou de acontecimentos que chocam pela sua abrangência e por serem inesperados surge a mesma questão de sempre :

Onde estava Deus ?



Já ouvi e li muitas respostas sobre isso, desde Jon Sobrino no livro Onde está Deus?, em que sugere o partilhar de Deus com aquele que sofre e com aquele que estende a mão, ou seja Deus está no momento da solidariedade.



De algumas vertentes neo-pentencostais afirmando que "é castigo de Deus...".



As que preferem isentar Deus, "o desastre é uma ocorrência natural, muitas vezes causadas pela ação errada e pecaminosa do homem no exercício do seu livre arbítrio...."


Outros dizem apenas que é a "vontade de Deus...."



A pouco lí um texto do Frei Antônio Moser que em determinada parte do seu artigo intitulado "Tragédia em Angra dos Reis: Ò Deus onde estás?" afirma:



"(...)Assim seguramente na tragédia de Angra, Deus não se encontrava ausente, e muito menos quis castigar; simplesmente quis recordar a todos que a felicidade que Ele promete, não se confunde com facilidade , nem com momentos passageiros de bem estar. O verdadeiro Deus não é o Deus da prosperidade. É simplesmente o Deus que nos recorda continuamente que a nossa vida na terra está sempre por um fio.(...)"



E tantas outras.....



Simpatizo mais com algumas respostas do que com outras, algumas me fazem até sentir ojeriza, mas confesso que nenhuma destas respostas traz completa paz ao meu coração, nenhuma delas me responde completamente a pergunta feita, e não sei se alguma pode consolar as famílias ou o que restou de algumas famílias que perderam seus entes queridos...



Posso estar sendo ingênuo teológicamente, pode ser que muitos respondam esta pergunta citando teses ou autores e versículos, mas a minha resposta para esta pergunta seria o silêncio e possivelmente uma lágrima.



Mas apesar do silêncio minha fé continua inabalável, pode parecer paradoxal, mas aprendi do alto da minha insignificância teológica, que há coisas que são melhores ditas, quando não são faladas.


Devemos cultivar um pouco mais de humildade e confessarmos que há muito que não entendemos de Deus e que não sabemos e, não saberemos explicar.



À todos os sobreviventes e famílias da tragédia de Angra fica a minha solidariedade com a sua dor, a minha lágrima e o meu silêncio.


Soli Deo Gloria.

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