quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

FELIZ 2010 FELIZ


Desejo um Feliz 2010 para todos os leitores e visitantes deste blog. Espero que este ano que está para iniciar seja repleto de amor, compreensão, responsabilidade.

Que tenhamos aprendido com as lições de 2009 para que em 2010 possamos dar uma chance ao Futuro.



domingo, 27 de dezembro de 2009

Jesus, o Cristo nasceu.


Anônimo disse :

"não comemoramos , porque não se sabe o dia que Jesus Cristo nasceu, se ele tivesse contituido esse dia ai sim nós comemorariamos o seu nascimento, mas ele ocultou esse, como eu vou comemorar o seu aniversario se eu não sei o dia? pense nisso. Deus te abençoe e abra os teus olhos quanto a isso. "
Comentário ao post "Comemorar o Natal é errado?"

Primeiramente gostaria de agradecer a sua visita ao meu blog e pela disposição de comentar um tópico. Como você postou anonimamente, utilizo-me de seu comentário para responder de forma ampla àqueles que por ventura tenha a mesma dúvida/opinião.

Começo minha argumentação citando um outro texto meu referente ao Natal :

"Estamos nos aproximando da data em que comemoramos o Natal. Festejamos com nossos familiares, com nossos amigos, celebramos a data que para nós cristãos significa relembrarmos o nascimento de nosso salvador Jesus Cristo." in Reflexões Natalinas

E para dar apoio ao desenvolvimento do meu raciocínio faço a citação do textos bíblicos abaixo:

Lc 2: 8-20
Os pastores e os anjos
8 Naquela região havia pastores que estavam passando a noite nos campos, tomando conta dos rebanhos de ovelhas. 9 Então um anjo do Senhor apareceu, e a luz * gloriosa do Senhor brilhou por cima dos pastores. Eles ficaram com muito medo, 10 mas o anjo disse:
— Não tenham medo! Estou aqui a fim de trazer uma boa notícia para vocês, e ela será motivo de grande alegria também para todo o povo! 11 Hoje mesmo, na cidade de Davi, nasceu o Salvador de vocês — o * Messias, o Senhor! 12 Esta será a prova: vocês encontrarão uma criancinha enrolada em panos e deitada numa * manjedoura.
13 No mesmo instante apareceu junto com o anjo uma multidão de outros anjos, como se fosse um exército celestial. Eles cantavam hinos de louvor a Deus, dizendo:
14* Glória a Deus nas maiores alturas do céu!
E paz na terra para as pessoas a quem ele quer bem!
15 Quando os anjos voltaram para o céu, os pastores disseram uns aos outros:
— Vamos até Belém para ver o que aconteceu; vamos ver aquilo que o Senhor nos contou.
16 Eles foram depressa, e encontraram Maria e José, e viram o menino deitado na manjedoura. 17 Então contaram o que os anjos tinham dito a respeito dele. 18 Todos os que ouviram o que os pastores disseram ficaram muito admirados. 19 Maria guardava todas essas coisas no seu coração e pensava muito nelas. 20 Então os pastores voltaram para os campos, cantando hinos de louvor a Deus pelo que tinham ouvido e visto.
E tudo tinha acontecido como o anjo havia falado.

Sociedade Bíblica do Brasil. (2000; 2005). Nova Tradução na Linguagem de Hoje
(Lc 2:20). Sociedade Bíblica do Brasil.


Mt. 2. 1,2
Os visitantes do Oriente
1 Jesus nasceu na cidade de Belém, na região da Judéia, quando Herodes era rei da terra de Israel. Nesse tempo alguns homens que estudavam as estrelas vieram do Oriente e chegaram a Jerusalém. 2 Eles perguntaram:
— Onde está o menino que nasceu para ser o rei dos judeus? Nós vimos a estrela dele no Oriente e viemos adorá-lo.

Sociedade Bíblica do Brasil. (2000; 2005). Nova Tradução na Linguagem de Hoje (Mt 2:2). Sociedade Bíblica do Brasil.


De fato não sabemos a data em que Jesus nasceu, nem o ano está correto. Mas sabemos que ele nasceu. Jesus não disse para comemorarmos o seu nascimento, nem o contrário. Mas como vimos nos dois textos acima, o seu nascimento foi motivo de alegria, adoração, festa e de esperança.

E é isso que é o Natal, relembrarmos o nascimento do nosso Redentor, comemorarmos o Deus que se fez homem, criança, frágil e desprotegido. Comemorarmos este exemplo de amor e doação e refletirmos isso em nossas vidas.

No começo da minha vida cristã, infelizmente passei por algumas "doutrinas", acho que nem de doutrina podemos chamar isso..., de que comemorar o Natal era errado, de que ter árvore de natal era errado... mas Graças a Deus fui liberto disso rsrsr... Na verdade isso é uma completa falta de entendimento e de conhecimento da história. Pesquise sobre a origem da árvore de Natal, do seu simbolismo, do simbolismo do Natal da festa cristã que contagia o mundo.

Amado, obrigado pela oportunidade para eu poder falar um pouco mais sobre o grande momento que é o Natal. Hoje, e já a um bom tempo, comemoro o Natal, tenho uma árvore grande e muito bonita de Natal (a da foto.) e alegro-me profundamente nestes dias.

Obrigado pelos votos de bençãos e rogo sempre que Deus abra os meus olhos e que a tentação da lei nunca quebre a Graça.

Soli Deo Gloria.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Leituras XIX

Conclui a leitura do livro "Saber Cuidar , Ética do humano - compaixão pela terra" de Leonardo Boff. O livro trata das várias facetas do cuidado, termo tão pouco usado hoje em dia, afinal quem quer cuidar? cuidar do outro, cuidar da vida? Boff através da fábula-mito do cuidado explora toda a dimensão deste tema tão importante. Após a decepção do COP 15 ficou mais duro ler este livro e verificar como a humanidade está displicente com a nossa morada, principalmente aqueles que tem o poder de tentar com mais rapidez e efetividade mudar o rumo do futuro. Fica a leitura recomendada como forma de conscientização.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Leituras XVIII

Finalizei a leitura neste final de semana do livro "Uma mente inquieta", 267 pg, de Kay Redfield Jamison, um relato belissímo e surpreendente do convívio com a doença maniaco-depressiva, ou transtorno bipolar como é mais conheciada atualmente. O livro mostra o desenrolar da doença relatada pelo ponto de vista da paciente, desde suas manifestações iniciais, passando por sérias crises até o controle da doença. Recomendo.



Também comprei e já o escutei todinho o audio livro "Orações para um mundo melhor" escritas por Walter Rauschenbrusch, um dos principais teóricos do Evangelho Social, movimento que pretendia dar uma resposta bíblica e cristã às injustiças sociais. Quem empresta a voz de forma magnifica para estas orações é Rubens Alves. Estas orações deveriam ser escutadas e principalmente oradas por todos aqueles que amam a verdade dos Evangelhos. Com certeza Cristo as teria orado. Recomento muito.

Segue uma das orações, tirada do site do Rubens Alves :

Por este mundo

Ó Deus, nós te damos graças por este universo, nosso lar; pela sua vastidão e riqueza, pela exuberância da vida que o enche e da qual somos parte. Nós te louvamos pela abóbada celeste e pelos ventos, grávidos de bênçãos, pelas nuvens que navegam e as constelações, lá no alto. Nós te louvamos pelos oceanos, pelas correntes frescas, pelas montanhas que não se acabam, pelas árvores, pelo capim sob os nossos pés. Nós te louvamos pelos nossos sentidos: poder ver o esplendor da manhã, ouvir as canções dos namorados, sentir o hálito bom das flores da primavera. Dá-nos, rogamos-te, um coração aberto a toda esta alegria e a toda esta beleza, e livra as nossas almas da cegueira que vem da preocupação com as coisas da vida e das sombras das paixões, a ponto de passar sem ver e sem ouvir até mesmo quando a sarça, ao lado do caminho, se incendeia com a glória de Deus. Alarga em nós o senso de comunhão com todas as coisas vivas, nossas irmãs, a quem deste esta terra por lar, juntamente conosco. Lembramo-nos, com vergonha, de que no passado aproveitamos do nosso maior domínio e dele fizemos uso com crueldade sem limites, tanto assim que a voz da terra, que deveria ter subido a ti numa canção, tornou-se um gemido de dor. Que aprendamos que as coisas vivas não vivem só para nós; que elas vivem para si mesmas e para ti, que elas amam a doçura da vida tanto quanto nós, e te servem, no seu lugar, melhor que nós no nosso. Quando chegar o nosso fim, e não mais pudermos fazer uso deste mundo, e tivermos de dar nosso lugar a outros, que não deixemos coisa alguma destruída pela nossa ambição ou deformada ela nossa ignorância. Mas que passemos adiante nossa herança comum mais bela e mais doce, sem que lhe tenha sido tirado nada da sua fertilidade e alegria, e assim nossos corpos possam retornar em paz para o ventre da grande mãe que os nutriu e os nossos espíritos possam gozar da vida perfeita em ti.

(Do livro Orações por um mundo melhor, PAULUS, 1997.)

domingo, 20 de dezembro de 2009

Tudo pode... Se é em nome de Jesus.....

Falar "em o nome de Jesus" virou um cheque em branco. Tudo pode ser feito, desde que no final se conclua com um estridente "em nome de Jesus".

O que quero dizer com isso?

Quero dizer que estas palavras se tornaram um salvo conduto para qualquer pastor se tornar um ser acima de qualquer critica ou acusação. Se ele pede insistentemente dinheiro, pode! Afinal ele fala no nome de Jesus, mesmo que esse dinheiro seja para pagar (de R$ 2.000.000,00 a 3.000.000,00 por mês, veja mais aqui) a alguma emissora de tv para manter o seu programa, que nada mais é do que a propaganda de suas igrejas, e que serve para pedir mais dinheiro, afinal quantos programas evangélicos que passam na tv que o pastor esteja ensinando a Bíblia? pouquíssimos, na maioria se ensina a famigerada Teologia da Prosperidade e a idolatria a seus Bispos e Apóstolos.

Quantos programas de igrejas vemos o pregador falando das mazelas do nosso Brasil? No máximo o que fazem é um "clamor profético", que não serve para nada, caso contrário o sistema político estaria muito melhor, depois de tantos anos de clamores....

Pobres crentes que desconhecem as Escrituras, que sequer tem o entendimento do que significa ser protestante....Se ao menos olhassem para as Epístolas contidas nas suas Bíblias saberiam que já no início do cristianismo os primeiros Apóstolos (estes sim os verdadeiros!) já se deparavam com situações em que muitos enganadores dentro das igrejas iniciantes traziam confusão e ensino errado, e tudo também "em nome de Jesus", mas isso não os impedia de alertar a Igreja contra estes falsos mestres.

Mas o que fazer? não se pode fazer muita coisa não, infelizmente, se muitas pessoas querem seguir este caminho? O que me da medo não é simplesmente a quantidade de usurpadores que se formam a cada dia se intitulando pastores, mas são os crentes que permitem e justificam o seu próprio julgo... Essa justificação, espiritualização e banalização dos atos destes indivíduos é que me aflige.

E retorno a pergunta : O que fazer? Escrever sobre isso já está ficando enfadonho... Talvez ficaremos apenas a olhar admirados da facilidade com que se manipulam as pessoas...


sábado, 19 de dezembro de 2009

O assunto Deus....

por Luiz Felipe Pondé, para a Folha

O "assunto Deus" é complicado. Em jantares inteligentes, é mais fácil você confessar que faz sexo com dobermans, prova de que seu gosto ultrapassou formas sexuais conservadoras. Mas, se falar sobre Deus, há risco grave de que não te convidem mais. E aí nunca mais aquela cozinha vietnamita. Melhor se dizer um budista light.

Mas a mania que muito religioso tem de achar que tudo na vida se deve a Deus (ou similares) é um saco! Isso fala mais de sua preguiça e medo do que de Deus.

Entendo o bode dos ateus com essa gente. Para mim, essa conversa é semelhante ao papo de que você tem câncer porque não resolveu adequadamente seus conteúdos emocionais. Ora bolas, isso quer dizer que, se todo mundo um dia for feliz, ninguém vai ter câncer? Ou que, pior, além de ter câncer, você é um babaca responsável pelo câncer porque não fez terapia? Conheço gente que se diz ateia (e com isso se acha mais inteligente, como de costume) e acredita nessa baboseira de que o amor cura câncer.

Mas, desculpe-me, ateísmo é coisa banal. Quando eu tinha oito anos era ateu. O ateísmo é óbvio (por isso comecei a desconfiar dele), diante do lamentável estado da vida: somos uma raça abandonada (Horkheimer). Ateísmo não choca mais ninguém (pelo menos quem já leu uns três livros sérios na vida), porque ateus já são vendidos às dúzias em liquidações. E mais: ser ou não ateu não diz nada acerca de como a pessoa se comporta com os outros (ao contrário do que muitos ateus e não ateus pensam). Existem canalhas de ambos os lados do muro.

Deus, como se diz em filosofia, "é uma variável sem controle epistemológico", isto é, não se testa Deus em um laboratório.

Mas, antes, uma pequena heresia.

Mais chocante hoje é alguém confessar que não crê no aquecimento global, pelo menos na versão que aconteceu nesse espetacular concílio bizantino em Copenhague, reunindo toda a gente legal do mundo.

Confesso minha fraqueza: sou um herege, não acredito que meu pequeno carro aqueça o planeta, mas já estou pagando mais imposto por isso e tenho certeza de que outros virão. Acho essa história uma mistura de ego inflado (disputamos com o Sol para ver quem aquece mais?) e tédio (que tal salvar o planeta? A vida está tão chata na Dinamarca!). Meu cachorro anda triste? Deve ser o aquecimento global.

Sei que dizem que é fato científico, mas, para mim, que sou um medieval, só acredito na ciência quando vem no formato de resultados de exames do Fleury ou do Delboni, e não quando tem a ONU no meio e gente ganhando milhares de euros salvando o planeta.

Para mim, Copenhague foi aquele tipo de concílio onde se discutia se a roupa de Jesus era dele ou não. Temperamentos autoritários gozaram de tesão em Copenhague.

E o ateísmo? A constatação de que o mundo é péssimo e, por isso, Deus não deve existir é razoável. A primeira vez que isso me ocorreu foi quando descobri que existiam colegas mais felizes do que eu na escola, e aí eu julguei o mundo injusto. Se Deus, como todo mundo me dizia, era bom, por que eu não era o cara mais forte do mundo? Decidi que Deus não existia. Ou não era bom. O ateísmo é uma conclusão óbvia, não há nenhuma grande inteligência nisso. Qualquer golfinho consegue ser ateu.

Anos mais tarde, fosse eu uma dessas pessoas legais que creem no marketing do bem, concluiria que o mais justo seria que todos fossem igualmente felizes, e aí Deus teria sido democrático. Graças a Deus nunca passei pelo ridículo de pensar assim. Quanto a Deus ser mau, concluí que melhor seria mesmo considerar o universo indiferente e cego e mecanicamente cruel. Naquele dia, tornei-me um trágico (antes de ler Nietzsche ou Darwin).

Poucos ateus não são descendentes de uma criança infeliz e revoltada (e, veja, 110% das crianças, esses pequenos lindos monstros malvados, são infelizes porque sempre existem crianças mais felizes do que você).

A prova disso é que ateus gostam de falar mal da igreja (nunca superaram aquela freira azeda), de Deus (esse malvado que não me fez mais forte), ou do pai judeu (que me obrigou a só namorar judias).

Ou acham que, se formos todos ateus, o mundo será melhor. Se você é assim e tem orgulho de ser ateu, você é um rancoroso.

Quando se deixa de acreditar em Deus, passa-se a acreditar em qualquer besteira (Chesterton): na Natureza, na História, na Ciência, na Dinamarca, em Si Mesmo. Essa última crença, eu acho, é a pior de todas. Coisa de gente cafona.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1412200921.htm

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Leituras XVII

Acabei, após muitas paradas e retomadas, de ler : "Jesus de Nazaré" 310 pg. de Joseph Ratzinger (Bento XVI). O livro é muito bom, gerou sete páginas de anotações e observações que fiz de algumas passagens. Apenas achei que na parte final, quando Ratzinger aborda o evangelho segundo João ficou devendo, suas análises foram um tanto quanto "alegóricas" mas no geral é um bom livro, com algumas passagens até surpreendentes vindo daquele autor.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Água benta gospel....

Este é o pseudo evangelho dos cristãos pós-modernos, ignorância total de Jesus Cristo.


21 — Não é toda pessoa que me chama de “Senhor, Senhor” que entrará no * Reino do Céu, mas somente quem faz a vontade do meu Pai, que está no céu. 22 Quando aquele dia g chegar, muitas pessoas vão me dizer: “Senhor, Senhor, pelo poder do seu nome anunciamos a mensagem de Deus e pelo seu nome expulsamos demônios e fizemos muitos milagres!” 23 Então eu direi claramente a essas pessoas: “Eu nunca conheci vocês! Afastem-se de mim, vocês que só fazem o mal!” 58

Sociedade Bíblica do Brasil. (2000; 2005). Nova Tradução na Linguagem de Hoje (Mt 7:21 -23).

domingo, 13 de dezembro de 2009

Pensar exige tempo.... gaste um pouco do seu...


Volta e meia recebo mensagens alertando conta a perseguição à Igreja que se está formando no Brasil, principalmente com relação a leis, que proibiriam a pregação do evangelho, que prenderiam pastores etc, etc, etc... Geralmente estas mensagens surgem em alguns sites de alguns pastores no mínimo desavisados, para não dizer outra coisa, e basta olhar os comentários dos crentes de indignação e alerta que isto é o "sinal dos tempos", claro que todas declarações "profundamente teológicas" como seria de se esperar de um povo ensinado corretamente nas suas igrejas...
Mas basta uma pequena consulta na Internet, que não requer muita habilidade, para descobrir que não existe nada disso, nenhuma lei ou o projeto de lei já havia sido arquivado....Mas a mensagem não para continua correndo solta...
Creio que os que publicam estes sites e mensagens na verdade tem vergonha de ter uma vida tão boa... no Brasil qualquer um pode abrir uma "igreja" em menos de uma semana está com toda a documentação e CNPJ para, inclusive abrir contas em bancos, pode pregar o que lhe der na cabeça, não é nem necessário ter curso de teologia, nem um desses por correspondência, inclusive os que tem curso de teologia muitas vezes são vistos com desconfianças.... as igrejas tem o sistema mais fácil para lavagem de dinheiro que existe, não há praticamente nenhum controle sobre as suas entradas, são isentas de impostos, possuem canais de televisão e pregam em quase todos os horários, gastando verdadeiras fortunas para manterem seus programas ( que claro lhes dão muito mais retorno...) podem pedir dinheiro a vontade, ninguém lhes processa por falsidade em suas argumentações , podem até vender bênçãos por preço fixo... e por ai vai.... Jesus e os discípulos não tinha um terço da liberdade religiosa que temos no Brasil, a perseguição a eles foi muito grande, o crente que leu o Novo Testamento pelo menos uma vez deve ter entendido isso (se bem que para muitos crentes o NT é novidade...). Bem talvez seja por causa disto que se propagam estas mensagens, a igreja gostaria de ser perseguida... mas somente será perseguida se incomodar ao poder colocado, se for realmente profética, mas com esse evangelhozinho que pregam por ai... com essa bancada evangélica no poder, podem esquecer... a igreja no Brasil não vai ser perseguida, ao contrário cada eleição que passa nos vemos mais e mais políticos correndo atrás dos "donos" de igrejas buscando apoio aos novos "Coronéis" e seus currais eleitorais, muitos já vendem a igreja de "porteira fechada" garantindo votos de toda uma denominação.... E o crentizinho bobinho, continua correndo atrás do vento... Infeliz daquele que coloca sua confiança e esperança no homem. (Jr. 17:05) Pronto. FALEI.

O Custo da Vida....


Nesta vida tudo tem um preço, até a vida..., esta frase pode parecer um pouco chocante e desanimadora, mas é uma grande verdade. O problema é o quanto estamos dispostos a pagar pela vida.

Está sendo discutido em Copenhague a conferência sobre mudança climática, a COP15, que talvez seja a ultima e derradeira chance que a humanidade tem de, pelo menos minimizar os efeitos do aquecimento global e da degradação ambiental.

Mas há um preço para isso... como a vida, o planeta teve que pagar um preço para proporcionar o crescimento, e o consumismo de uma pequena parcela da humanidade, agora temos que pagar para a manutenção da vida. Mas ao que parece das ultimas reuniões e pelas sugestões que vazaram para a imprensa os países ricos não estão tão dispostos assim a pagar esta conta, pelo menos não a grande parte dela. O risco de sairmos desta conferência sem metas e estratégias globais para o futuro é grande e desastroso, se ocorrer.

Há vários custos envolvendo as soluções apresentadas e as medidas que devem ser tomadas, a criação de um fundo para socorrer e minimizar os países mas atingidos pela mudança do clima, a redução da emissão de CO2 que significa diminuição do crescimento, pelo menos num primeiro momento, a pesquisa para geração de energias alternativas, tecnologias para combater o efeito estufa, redução do crescimento populacional, e este último ficou meio esquecido, mas faz-se necessário responder a pergunta : como dar manutenção de vida para uma população acima de 9 bilhões de pessoas em 2050?

Claro que medidas pessoais são extremamente necessárias, inclusive fui corretamente questionado por um colega do curso de especialização, quando estava tomando café em um copo descartável, e ele com sua xícara, mas sem um esforço das autoridades governamentais para a regulação não daremos chance nenhuma para as futuras gerações...Quem está disposto a pagar este preço?

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Um novo olhar.

Devemos ampliar o espaço do sagrado. Não podemos limitar nosso relacionamento com Deus em um dia da semana ou a um determinado espaço. Tampouco restringir a ação e o interesse de Deus.

Nossa teologia protestante carece de um olhar mais amplo para a realidade, mais holística, integral e abrangente.

A salvação da alma não pode vir sem a salvação da vida.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Leituras XVI


"Deus Existe?", Este livro transcreve o debate entre Joseph Ratzinger, atual Papa Bento XVI, na época prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e Paolo Flores d'Arcais, filosofo e diretor da MicroMega. Apesar do título do livro, a questão sobre se Deus existe ou não não foi tocada, pelo menos não de forma direta, ficando o debate na periferia sobre a interpretação do que é a verdade, de como a igreja se apropriou como detentora desta verdade e sobre a questão entre fé e filosofia,

Paolo alega que a igreja apregou que tem um conhecimento filosófico e possui a verdade, porém pelo seu entendimento a "verdade" da igreja não é uma verdade racional, que possa ser demonstrada filosoficamente e sim uma questão de fé, que é irracional e "loucura" para o mundo.

Ratzinger afirma que a fé realmente é algo importante e vital para o cristianismo, mas há sim um fator racional e intelectivel na religiosidade que podes se apropriar e ser demonstrado na filosofia.

Como disse a discussão ficou nesta periferia, claro importante, mas não se debateu a questão colocada como título do livro.

Considero que esta discussão entre crentes e ateus é profundamente inócua e infrutífera. Do ponto de vista materialista e científico mais restrito sou obrigado a concordar Deus não existe, explico :

Materialmente não há como provar Deus. Neste aspecto concordo com Kant, e não vou entrar aqui em um debate profundo sobre a questão, mas apenas levantar algumas linhas de argumentação, que como qualquer argumentação sobre Deus está fadada a ser falha.

A ciência se preocupa em provar os fenômenos materiais baseada na existência, e existência para a ciência é o material, o que se pode provar pelos sentidos ou através da matemática. O conceito de Deus ou melhor o Ser de Deus não se limita a esta materialidade, sei que pode ser um conceito circular, mas é um conceito baseado na fé, assim como certas premissas básicas da matemática se provam pelo seu próprio conceito (ponto, reta, etc) e toda a estrutura desta ciência está baseada nestas premissas... Ao observarmos Deus dentro deste aspectos, podemos dizer que pelo conceito ciêntífico e materialista Deus não existe, e para a ciência tem que ser assim memo, a ciência não pode limitar as respostas para suas questões afirmando ser intervenção de Deus, essa é uma premissa da própria ciência.

Bem a fé é isto que extrapola a ciência, não se limita e aceita as suas premissas básicas baseada em uma declaração Deus existe, no sentido metafísico, Fé é a certeza de coisas que não vemos..., é irracional, sim, mas ao mesmo tempo é racional se não limitarmos o racional apenas ao intelecto que efetua formação e conceitos de lógica, a arte também em muitos aspectos é irracional e assim mesmo se apropria de alguns conceitos lógicos, simetria, proporção etc..., e é assim mesmo reconhecida como uma das provas da racionalidade e do espírito humano.

Voltando ao texto as respostas de Ratzinger no meu ponto de vista foram pálidas e pouco contundentes, porém Paolo efetuou agumas argumentações também baseadas em premissas, um tanto quanto frágeis, se não totalmente inadequadas, por exemplo na pg 74 quando citou que " A ciência, segundo suas mais recentes descobertas, diz que houve uma evolução no Universo que não estava estabelecida a priori, que podia ter seguido outros caminhos." e continua " Um dos mais importantes cientistas e divulgadores, Stephen Jay Gould, identificou pelo menos sete momentos cruciais da evolução, desde o big bang até o surgimento do homem, nos quais a evolução podia tomar direções totalmente diferentes, e diz, se houvesse tomado - e não havia nenhuma probabilidade a favor da direção que tomou, podia ser outras - nós não estariamos aqui falando sobre isso." Ora, está é uma declaração completamente favorável a um orientador do universo, e não ao contrário , a maior prova da não existência de Deus seria se o universo no seu desenvolvimento desse em nada ao invés da formação desta estrutura que possibilitou a existência humana, a pergunta é o que levou um universo que teria muito mais chances em dar em nada, de dar nesta estrutura que temos hoje? Esta argumentação de Paolo do meu ponto de vista é extremamente frágil, e Ratzinger não fez nenhum observação a este respeito...

Uma das mais fortes e presentes argumentações dos ateus, que em qualquer discussão é recorrente, é sobre a questão do mal.

Sobre esta questão já falei alguma coisa no meu post "Sobre o ateísmo, e a liberdade de Deus." que é claro não é uma argumentação rigorosa sobre o mesmo, mas apenas para complementar o fato do mal existir não prova que Deus não existe.

Bem, vou parando por aqui... este assunto é por deveras longo, mas de qualquer forma continuo achando este debate entre crentes e ateus dois debates entre fé de lados opostos...


sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Comemorar o Natal é errado?


Normalmente nesta época do ano velhas "questões" ressuscitam, acho por bem também ressuscitar antigas respostas. Este é um texto antigo meu que acho interessante reler nesta época do ano.

Hoje está se criando uma doutrina em algumas igrejas em que não se deve celebrar o Natal, porque era uma festa pagã, porque não se sabe exatamente em que dia e mês nasceu Jesus, e porque sei lá o que mais...

Para mim o Natal sempre teve apenas um significado, ( e isto desde a época que era católico...), o nascimento de Jesus. Após convertido, essa data passou a ter um significado maior, era da data em que comemorava-se o nascimento do meu Redentor, Aquele que morreu pelos meus pecados, é a data em que lembro que Deus, fez-se homem, o Todo-Poderoso criador dos céus e da terra, nasceu e habitou entre nós.

Vejamos inicialmente algumas definições da palavra Natal:

Natal : adj. – 1. onde ocorreu o nascimento. 2. relativo ao nascimento. 3. ( inicial maiúscula.) dia do nascimento de Cristo – natalino. Adjetivo

Dicionário Houaiss . Org. Antônio Houaiss – Ed. Objetiva. 2001 – 1ª Ed. Rio de Janeiro – RJ.

Natal : Adj. 1. Relativo ao nascimento. 2. Onde ocorreu o nascimento. 3. Dia do nascimento. 4. Dia em que se comemora o nascimento de Cristo (25 de dezembro).

Dicionário Aurélio – Ed. Nova Fronteira – 1998 – São Paulo – SP.

Hoje a data em que se comemora o nascimento de Jesus, deve servir para meditarmos na Palavra de Deus, de pensarmos se estamos sendo humildes e simples como o nosso Mestre, e para evangelizarmos.

Sabemos que o mundo de uma forma geral celebra o natal comercial, a oportunidade de aumentar as vendas, a oportunidade de ganhar alguma coisa, de bebedeiras e excesso de comidas...

Mas porque o mundo pensa assim devemos deixa-los a sua sorte? Devemos abandona-los? Retirar-nos cabisbaixos dizendo não temos nada a comemorar?

NÃO !!!! Temos muito o que comemorar, o Redentor do mundo nasceu...., Deus comemorou, a estrela de Belém, ficava anunciando este fato, e os reis magos, alegraram-se, prepararam-se e levaram presentes para o Salvador.

Muitos afirmam : “ O Natal não importa...” , pra mim estão dizendo “ O Nascimento não importa...”, sem nascimento não haveria a morte !!!

Se o nascimento ( o natalício ) não fosse importante não seria mencionado na Bíblia :

Mateus 2.1-2 “1.Tendo Jesus nascido em Belém da Judéia, em dias do rei Herodes, eis que vieram uns magos do Oriente a Jerusalém. 2. E perguntavam; Onde está o recém-nascido Rei dos Judeus? Porque vimos a sua estrela no Oriente e viemos para adora-lo”

Lucas 2.8- 14 “Havia, naquela mesma região, pastores que viviam nos campos e guardavam o se rebanho durante as vigílias da noite. 9. E um anjo do Senhor desceu onde eles estavam, e a glória do Senhor brilhou ao redor deles e ficaram tomados de grande temor . 10 O anjo, porém lhes disse: Não temas: eis aqui vos trago boas novas de grande alegria, que o será para todo o povo. 11 é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, que é Cristo, o Senhor. 12 E isto vos servirá de sinal: encontrareis uma criança envolta em faixas e ditada em manjedoura.

13 E, subitamente, apareceu com o anjo uma multidão da milícia celestial, louvando a Deus e dizendo:

14 Glória a Deus nas maiores alturas,

e paz na terra ente os homens, a quem

ele quer bem. “

Pastores, Reis Magos, Anjos, todos estavam comemorando o nascimento de Jesus.

Quanto a data ( o dia, ou mês) vejamos o que diz Champlin:

“A primeira evidência histórica de que dispomos para a celebração do dia do nascimento de Cristo nos chega da época de Hipólito, bispo de Roma, na primeira metade do séc. III D. C A princípio, ele escolheu a data de 2 de janeiro como dia dessa celebração. Outros escolheram datas como 20 de maio, 18 ou 19 de abril, e 25 ou 28 de março. Antes disso , por algum tempo 6 de janeiro fora observado como a data do nascimento espiritual de Cristo, ou seja, como a data em que ele foi batizado por João Batista. (...)O mundo pagão celebrava a festa de Dionísio neste dia, uma celebração associada a duração maior dos dias. (...); entre os anos de 325 e 354 D. C a festa do Natal foi transferida para o dia 25 de dezembro.

Razões da Celebração a 25 de Dezembro.

Alguns supõe que foi o imperador Constantino quem estabeleceu o dia do Natal a 25 de dezembro, para substituir a festa pagã em hora ao sol. Nesse caso o Sol toma lugar do sol, o que se reveste de certa lógica, porquanto Ele é a Luz do mundo(...). Por conseguinte talvez tenha sido próprio para o império romano substituir uma festa pagã por uma celebração que tinha mais sentido para os cristãos do que a celebração das meras forças da natureza. (...)[1]

É como se o governo brasileiro substituísse o Carnaval ( a festa da carne ), por um desfile em reverência a Jesus ( uma festa do espírito.), e para lembrar que ao invés da festa carnal que o povo fazia antes, hoje fazemos uma festa à Deus, manteve-se a mesma data. Isso seria ruim? Você acharia isso mal e não participaria?

Amados, vamos celebrar ao nascimento de Jesus, o Redentor que nos libertou da Lei, não vamos procurar “novas leis”, não vamos deixar o “mundo” acabar com está celebração. Ao invés de ficarmos reclamando de que está data virou uma data do consumismo, vamos resgatar o verdadeiro sentido do Natal : ”Glória a Deus nas maiores alturas,e paz na terra ente os homens, a quem ele quer bem”.

A Paz de Cristo.

Pr. Roberto Rohregger

[1] Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. Vl 04 – R. N. Champlin, Phd. D. - Ed. Hagnos. 5ª Ed. – 2001 – São Paulo – SP

Leituras XV


Acabei de ler "O Destino do Homem e do Mundo" de Leonardo Boff. Neste livro Leonardo faz uma avaliação da relação do ser com o mundo, passando pela vocação do homem enquanto ser relacional com o outro e com Deus. Agradou-me principalmente quando discorre sobre o sacerdócio de Cristo, neste aspecto Leonar"do apresenta uma visão muito interessante. Um livro cujo o "imprimatur" é de 1973, mostra-se bem atual.

sábado, 21 de novembro de 2009

Brasileiros leem apenas um livro por ano, aponta estudo

País fica atrás da Colômbia em leitura; baixo orçamento reflete na estatística. BRASÍLIA - Um levantamento do Instituto Pró-Livro confirma que o brasileiro lê pouco. São 77 milhões de não leitores, dos quais 21 milhões são analfabetos. Já os leitores, que somam 95 milhões, lêem, em média, 1,3 livro por ano. Incluídas as obras didáticas e pedagógicas, o número sobe para 4,7 - ainda assim baixo. Nos Estados Unidos, por exemplo, a população lê, em média, 11 livros por ano. Já os franceses lêem sete livros por ano, enquanto na Colômbia, a média é de 2,4 livros por ano. Os dados, de 2005, são da Câmara Brasileira do Livro (CBL) e do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel), que integram o Instituto Pró-Livro. Veja matéria completa no site do Estadão

Este fato infelizmente já sabemos a muito tempo. Eu doro ler, este ano lí mais de 21 livros e ainda acho pouco, infelizmente a questão tempo é vital... Concordo que o livro é muito caro aqui no Brasil o que contribui para a baixa
quantidade de leituras... mas a falta de interesse é algo que passa de pai para filho, ou de mãe para filhos...

Segue o link do instituto Pró-Livro

domingo, 15 de novembro de 2009

Palavras nunca são vazias.....

Quem se apodera das palavras? Quem interpreta as falas? Quem da o valor e o sentido do que foi um dia dito?

“Conhecer o nome das coisas é, para o pensamento semita, possuí-las e ser senhor delas. Domina-as de-nominando-as” nos diz L. Boff em O destino do homem e do mundo, pg 42.

E este ainda é um grande poder, dar o sentido das palavras constrói a realidade, i.e. a realidade é construída a partir do sentido das palavras.

Em terra de cego.....

A letra da nova música dos Titãs em poucos versos diz muito, sobre os valores da nossa sociedade e infelizmente também sobre muito do que acontece em muitas "igrejas". Sou fã dos Titas desde o começo da banda, letras inteligêntes e humor ácido, não deixe de ouvir a musica no site oficial, segue a letra abaixo :

Acima dos homens, a lei
E acima da lei dos homens
A lei de Deus

Acima dos homens, o céu
E acima do céu dos homens
O nome de Deus

E acima da lei de Deus
O dinheiro!

Que mata, salva, compra amor verdadeiro
Que suja, limpa, compra amor por inteiro

Amor verdadeiro
Dinheiro, amor por dinheiro!

Letra da canção Amor por Dinheiro (Tony Bellotto / Sérgio Britto ), faixa de abertura do novo trabalho dos Titãs - Sacos Plásticos

Via Pavablog

domingo, 8 de novembro de 2009

Congresso de Bioética - PUCPR

Vamos ao relato da terceira e ultimo dia do congresso de bioética da PUC, estou postando somente agora face a compromissos outros que impediram uma réstia de tempo para que eu pudesse descrever o final deste evento.

As duas ultimas conferências foram de altíssima qualidade, como alias se mostrou o congresso inteiro. Na primeira conferência fomos brindados com a apresentação do Dr. José Eduardo de Siqueira com a explanação magistral e profundamente reflexiva sobre a Bioética e Biotecnociência, apresentando-nos os desenvolvimentos do pensamento ético que fundamentam a bioética e seus relacionamentos com a ciência. Na segunda conferência foi Bioética : Temas críticos na Assistência à criança e Adolescente, onde a abordagem de um tema muito delicado foi tratado de forma profundamente sensível.

Como nota final não posso deixar de felicitar a PUC por esta iniciativa e pelas demais instituições que apoiaram irmanadas este congresso de tão grande importância. Espero que este evento se repita outras vezes para que possamos criar realmente um fórum de discussões e aprimoramento no pensar bioético, penso que é somente com ações deste nível que consolidaremos valores, pensamentos e ações que transformem este planeta um um lugar em que realmente se valorize a vida e o viver.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Congresso de Bioética - PUCPR

Mais um dia do Congresso de bioética, acabei de chegar, estou desde as 17:00 hrs na PUC, mas valeu a pena. Como havia escrito ontem, hoje tivemos as seguintes palestras ASPECTOS BIOÉTICOS DAS RELAÇÕES ENTRE SAÚDE, EUGENIA E SOCIEDADE com o Dr. José Roberteo Goldim (HCPA) e PESQUISA COM EMBRIÃO, as duas foram ótimas, na pesquisa com embrião tivemos uma explanação de como está o andamento das pesquisas com células troncos e como a legislação atual sobre biosegurança está fundamentada. Pretendo aprofundar este assunto posteriormente com mais tempo uma vez que ainda gera muita polêmica.

Na palestra sobre eugenia o Dr José Goldim apresentou a formação e evolução da questão do conceito de eugenia na história e suas conseqüências, contrapondo ao risco que estamos vivendo de voltarmos a usar alguns parâmetros genéticos para "escolhas" de padrões desejados de pessoas.

Por fim quando os temas foram abertos aos debates a polêmica da definição e conceituação do início da vida veio a tona, e é claro que não se chegou a nenhuma definição, mas o que ficou absolutamente claro para mim é que não podemos definir o conceito de vida apenas pelo prisma de um segmento da sociedade, isto é, a biologia não pode se arrogar como definidora do que é a vida baseada apenas em parâmetros biológicos, acha vista o ser humano não ser apenas um ente biológico. Mas isso também é tema para um aprofundamento posterior.

A tarde assisti o painel sobre aborto, onde apresentaram o tema pelo seu prisma A Dra. Professora de Direito Maria da Glória Colucci (UNICURITIBA) e o Teólogo Doutorando Waldir Souza (PUCPR) , infelizmente não pudemos contar com a presença do Médico Dr. Rui Piloto (UFPR). O painel foi muito estigante, principalmente os tópicos relacionado a questão da saude da mulher e o aborto clandestino levantado pela Dra. Maria, porém achei que a fala do Sr. Waldir nos aspectos relacionados a teologia ficou um pouco a desejar e sua abordagem passou um pouco ao largo das questões fundamentas relacionadas ao aborto.

Amanhã teremos outras duas conferências muito importantes:

BIOÉTICA E BIOTECNOCIÊNCIA conferencista: Dr. José Eduardo de Siqueira (UEL/Londrina)

BIOÉTICA: TEMAS CRÍTICOS NA ASSISTÊNCIA À CRIANÇA E ADOLESCENTE
Conferencista: Dr. Luiz Antonio Munhoz da Cunha

Amanhã posto minhas impressões.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Congresso de Bioética - PUCPR

Iniciou hoje o Congresso de Bioética da PUC, que conta com a participação e colaboração de várias faculdades e da UFPR. A conferência de abertura foi com o Dr. Volnei Garrafa da UNB esplanando sobre o panorama atual da Bioética. Falou-nos o Dr. dos parâmetros básicos da Declaração Universal sobre Bioética e Direitos Humanos, salientando a contribuição brasileira para a formação do documento e apresentando um quadro geral do desenvolvimento da bioética no Brasil e na América Latina. A conferência foi de extrema importância inclusive levantando pontos para discussões futuras que ainda merecem um refletir mais aprofundado.

Assim como no congresso de teologia, estavam presentes algumas editoras e não é necessário dizer que aproveitei para rechear minha biblioteca com mais alguns compêndios na área de bioética, ética e teologia. Bolsa cheia e carteira vazia... rsrs.

Amanhã teremos a conferência ASPECTOS BIOÉTICOS DAS RELAÇÕES ENTRE SAÚDE, EUGENIA E SOCIEDADE com o Dr. José Roberteo Goldim (HCPA) e PESQUISA COM EMBRIÃO com a Dra. Mayana Jazedge (USP).

Possivelmente após as conferências relato minhas primeiras impressões.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Leituras XIV


Acabei de ler " O Princípio de todas as coisas" de Hans Kung. Livro fundamental para a construção de um pensamento teológico moderno. Kung faz um diálogo entre as ciências e a teologia demonstrando que não a verdadeiramente a necessidade da supremacia de uma em relação à outra. Percorre as descobertas e teorias mais recentes sobre a astrofísica, as ciências biológicas e psíquicas com profundo entendimento dos mesmos.

Há muito tempo tenho dito aos meus alunos que o pensamento teológico tem que se expandir, para se construir teologia hoje tem que se levar em conta as demais áreas do saber humano, estas devem dialogar com a teologia permanentemente.

A leitura do livro foi extremamente agradável, mas devo reconhecer que sempre gostei de astro-física e os conceitos que Kung apresentou não me eram desconhecidos, mas para quem não está familiarizado com termos como singularidade, radiação de fundo, buracos negros, teoria das cordas, etc... vai ter que ser paciente, mas a leitura vale muito a pena.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Morrer na cruz......

"O verdadeiro Evangelho dever ser perigoso, deve representar (apresentar) riscos."

Leituras XIII


Estou acabando de ler "Onde está Deus" de Jon Sobrino. Sobrino faz uma análise cortante das estruturas em que nossa sociedade mundial está firmada, a partir do terremoto que ocorreu em San Salvador, e também dos eventos que ocorreram pouco tempo após com relação aos ataques terroristas de 11 de setembro e seu desenrolar com os ataques ao Afeganistão e Iraque e a partir destes acontecimento surge a pergunta Onde está Deus?

O livro é muito bom, ideal para aqueles que fazem a pergunta clássica e anticristã quando ocorre uma tragédia : Qual o pecado que aquelas pessoas cometeram para que viesse o castigo de Deus?

Ao percebermos que na verdade as conseqüências mais fatídicas da maioria dos catástrofes ocorreram por descaso e ganância das elites, e que na verdade aqueles a quem poderíamos vincular o pecado são os que na verdade menos sofrem e as vezes os que mais lucram com a desgraça. Quando observamos estes fatos fica cada vez mais claro que urge a mudança, urge que mais vozes proféticas se levantem.

Hoje a grande maioria dos cristãos, se podemos chamar de cristãos, vivem um cristianismo pobre, voltado aos seus interesses pessoais e egocêntricos, tratando Deus como um fantoche que deve operar para satisfazer seus desejos consumistas e capitalistas.

Um Deus que deve prover milagres para o bem estar, para o gozo dos seus filhinhos mimados. Está na hora de verdadeiramente compreendermos a mensagem cristã, está na hora da igreja trabalhar a favor do Reino de Deus, está na hora de uma nova reforma. Está na hora de tirarmos Mamon das igrejas e das estruturas da sociedade.

domingo, 25 de outubro de 2009

Deus é amor.

1 João 4:16

“E nós mesmos conhecemos o amor que Deus tem por nós e cremos nesse amor. Deus é amor. Aquele que vive no amor vive unido com Deus, e Deus vive unido com ele.”

Neste simples versículo João nos traz algumas afirmações:

A primeira é : “E nós mesmos conhecemos o amor que Deus tem por nós e cremos nesse amor.”

De que maneira conhecemos o amor que Deus tem por nós?

Sabemos do amor de Deus (Cristo na cruz) – mas conhecemos?

Porque Deus nos ama incondicionalmente. Deus não nos ama porque somos bonitos, brancos ou negros, ricos ou pobres, intelectuais ou simples.

Deus não me ama pelo tempo que me dedico a Ele, Nem porque sou santo ou procuro a santidade ou sou pecador.

Deus nos ama simplesmente por aquilo que somos,

Deus nunca se afasta de nós, mas nos podemos nos afastar de Deus.

Deus conhece todas as nossas mazelas, todos os nossos cantos escuros, e sabe mais sobre nós do que nós mesmos. Deus conhece aquela dor que você tem, aquela que muitas vezes ninguém mais sabe.

Até que ponto nos conhecemos o amor de Deus por nós?

As vezes, nos não conseguimos entender o amor de Deus, porque não conseguimos nos amar. Olhamos para nos mesmo e dizemos inconscientemente como Deus pode me amar?

Deus nos ama e conhece o que nos somos em potencial.

Até que ponto nos vemos como somos para Deus?

Muitas vezes questionamos você crê em Deus? E esquecemos que em primeiro lugar Deus crê em nós.

Deus crê que você pode mudar, que quer mudar.

A segunda afirmação é :

Deus é amor; e quem está em amor está em Deus, e Deus nele.

Estar em Deus é estar em amor.

Se eu tenho uma visão deturpada do amor de Deus, não vou conseguir de fato estar em Deus.

Não vou conseguir expressar o amor de Deus.

Não vou conseguir me enxergar pela visão do amor de Deus.

Quando Jesus resumiu os mandamentos em Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, estava alertando questão da grande jornada do cristianismo.

Só consigo amar a Deus se entender o amor de Deus por mim, e o conhecimento deste amor pode fazer com que eu me ame e somente assim amar ao meu próximo.

Mas o amor que Deus fala aqui não se trata de um amor egoísta por mim mesmo, isso não é amor.

Para de fato conseguir me amar, tenho que primeiro me conhecer, e reconhecer quem eu sou:

Orgulhoso? Prepotente? Arrogante? Enganador? Carente? Baixo amor-próprio,? Quais falhas tenho que muitas vezes pretendo esconder de mim mesmo? Muitas vezes a falta de me conhecer impede-me de ser sincero e de estar disposto a amar verdadeiramente.

Temos que entender que a caminhada cristã não é para sermos mais ricos ou abençoados ou prósperos, a caminhada no cristianismo é para fazermos de nós pessoas melhores.

Por ultimo o amor tem que ser expressado!, Cabe a nós expressarmos o amor de Deus.

sábado, 24 de outubro de 2009

Leituras XII


Acabei de ler "Bioética como novo Paradigma" vários autores, organização de Marcelo Pelizzoli. O Livro é uma coletânea de textos sobre o tema da bioética, tratando deste as implicações da relação médico/paciente e os prejuízos que os tratamentos cartesianos da medicina implicam para o doente, e da "criação" de novas doenças, passando pelas novas fronteiras da engenharia genética e suas consequências eugénicas e outros mais. O tema é profundamente relevante, a bioética não é hoje apenas uma ética para as pesquisas bio-medicas e genéticas , mas sim uma ética para a vida como um todo o homem não pode querer se dissociar da natureza e das implicações de manipular a vida a seu bel prazer.

domingo, 18 de outubro de 2009

Ética para um novo mundo....

"A ética não é, absulamente, um elemento a mais, ou um elemento como qualquer outro, a ser levado em consideração quando se pensa sobre a questão filosófica fundamental : a condição humana. Em verdade, a ética é nada menos que o próprio fundamento da possibilidade de pensar o humano."


Ricardo Timm de Souza
Texto : Bases filosóficas atuais da bioética e seu conceito fundamental.


Bioética como novo paradigma. Marcelo Pelizzolit (Org.) Ed. Vozes.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

O risco de esquecermos da espiritualidade.

que vem a ser a espiritualidade, o que vem a ser por fim a busca por Deus?

Em uma sociedade tão materialista, corremos o risco de confundirmos a espiritualidade com a busca de bênçãos de Deus.

Espiritualidade não é buscar as bênçãos de Deus, essa é a maior manifestação de materialismo que podemos mostrar. É claro que temos necessidades matérias e que devemos coloca-las diante de Deus, pois demonstra nossa dependência e confiança no Senhor.

Não é disso que estou falando, estou falando de quando nossa busca por Deus somente se resume a este ponto específico, somente procuro a Deus quando tenho dificuldades, ou problemas.

Geralmente confundimos materialismo com ateísmo, pois eu digo que há muitos ateus espiritualistas, apesar de toda a incompatibilidade destes termos, e muito cristãos extremamente materialistas, sua busca espiritual limita-se ao acesso ao sucesso material.

E nos últimos tempos estamos tão confusos que julgamos que as pessoas bem sucedidas materialmente é que são as mais próximas de Deus, ou as que nunca enfrentaram uma crise ou as que nunca passaram por uma doença...

Ultimamente estou estudando um pouco sobre o movimento Puritano, e a sua busca por um cristianismo mais autêntico e sincero. Um cristianismo que voltasse a colocar a Jesus como padrão, e que todos pudessem entender que a maior benção a ser alcançada já era nossa, a vida eterna, a reconciliação com Deus. Talvez falta-nos um pouco deste espírito de entrega e busca por Deus.

Phillip Jacob Spener, um dos grandes teólogos puritano, afirma em seu livro Pia Desideria, (piedade sincera) que não é raro vermos nos procedimentos judiciais, os processo ferirem o amor ao próximo, quando não os próprios juristas usarem o poder em benefício próprio, que no sistema econômico não se observa o dever de honrar a Deus e ao bem estar do próximo? Indaga ainda o autor : “ Quem é que não busca apenas e tão-somente a satisfação de suas necessidades? E esquecemos de que é pecado usar certas vantagens que, no mundo não carregam consigo má fama – pelo contrário, são tidas como sagacidade e prudência – mas que são prejudiciais ao nosso próximo, oprimindo-o e explorando-o”

Bem ele escreveu isso em 1675, parece que as coisas não mudaram muito de lá pra cá....

Achamos que Deus deve ficar confinado na Igreja, esquecemos que Deus deve estar na política, na economia, na justiça, em todos os momentos da nossa vida.

O momento que Jô esteve mais perto de Deus foi quando ele estava passando a pior crise da sua vida, gravemente doente, empobrecido, havia perdido seus filhos, todos se voltavam para ele com um misto de piedade e desconfiança, ou seja não recebia apoio de lugar nenhum, mas foi somente após todos estes transtornos é que ele afirma que antes somente ouvira falar de Deus, mas agora meus olhos te vêem.

O que estou querendo dizer então? Que devemos viver na pobreza, sofrermos para buscar a face de Deus? Não nada disso.

O que quero dizer que a nossa sociedade não é uma sociedade cristã, não vive por parâmetros cristãos, que sistema que a domina e a rege é um sistema demoníaco em suas estruturas. É um sistema que incita a competição desenfreada, a busca incessante por dinheiro e poder, que vê o outro como um objeto é não como alguém, como um ser humano.

O que quero dizer que nós como cristãos estamos constantemente apoiando estes sistemas e incentivando e achando até justificativas bíblicas para ele.

O que quero dizer é que o que Jesus disse de Amar a Deus sobre todas as coisas e ao teu próximo como a ti mesmo é completamente incompatível com as estruturas da nossa sociedade.

O que quero dizer é que a espiritualidade é a busca por Deus. As vezes podemos tentar fugir de Deus, a nossa sociedade vive querendo fugir de Deus, e para isso criamos utopias, ou sistemas em que não necessitaríamos de Deus. Eu não canso de repetir a frase de Tolstoi : “ O ser humano tem um vazio do tamanho de Deus.”, não há como fugir de algo de que está em nós ou que nada possa preencher o nosso vazio existencial.

Penso que Davi sentiu isso muito de perto, Ele era um rei que muitas vezes tomou decisões erradas, pecou mas apesar de todos os erros que cometeu, ele buscava a Deus, nos momentos em que ele errou creio que gostaria de fugir de Deus, esconder-se assim como fizeram Adão e Eva, achando que poderiam esconder-se de Deus.

Mas vamos ver um pouco mais o que Davi aprendeu sobre Deus, e o que nós podemos aprender hoje.

Autor : Davi

Salmo 139

1 Senhor, tu me sondas, e me conheces.

2 Tu conheces o meu sentar e o meu levantar; de longe entendes o meu pensamento.

3 Esquadrinhas o meu andar, e o meu deitar, e conheces todos os meus caminhos.

4 Sem que haja uma palavra na minha língua, eis que, ó Senhor, tudo conheces.

A imagem que o salmista nos passa é que Deus está nos observando, Ele nos vê, constantemente Deus nos vê, e Deus nos conhece, sabe o que pensamos, o que sentimos o que tencionamos fazer, constantemente.

Não há momentos em que estou fora da presença de Deus, quando descanso, quando estou de pé, quando estou trabalhando, além disso Deus conhece as intenções do nosso coração, sabe o que se passa no nosso interior, aquilo que planejamos, aquilo que ainda não falamos Deus já conhece, aquilo que não disse, Deus sabe que gostaria de dizer.

5 Tu me cercaste em volta, e puseste sobre mim a tua mão.

6 Tal conhecimento é maravilhoso demais para mim; elevado é, não o posso atingir.

Você pode imaginar, ou sentir estar cercado por Deus? Segundo o salmista Deus está a nossa volta nos cerca, ao contrário do que muitos apregoam Deus não está em tudo, Deus não está numa arvore, numa pedra, mas Deus está por toda a parte. Desta forma chegamos a conclusão em conjunto com o Salmista que o conhecimento de Deus e inatingível para nós, dependemos da sua revelação, ou seja de que Deus se revele para nós,

7 Para onde me irei do teu Espírito, ou para onde fugirei da tua presença?

8 Se subir ao céu, tu aí estás; se fizer no Seol a minha cama, eis que tu ali estás também.

De Deus não se escapa. Ele é Deus somente porque d’Ele não se escapa. E apenas aquele do qual não se pode escapar é Deus.
Não há lugar para o qual possamos tentar fugir de Deus, que esteja fora do próprio Deus। “Se eu subo aos céus, tu estás lá”. Parece natural que Deus esteja nos céus, e muito estranho desejarmos subir aos céus a fim de escapar d’Ele.
Mas é justamente isso que os idealistas de todas as eras têm tentado fazer. Eles têm tentado subir a um céu de perfeição e verdade, de justiça e paz, onde Deus não é procurado. Tal céu é um produto da feitura humana, sem o incômodo do Divino Espírito e sem a presença julgadora da Face Divina. Antes, esse lugar é um “lugar nenhum”; é uma “utopia”, uma ilusão idealística.

Quantas tentativas de se criar uma sociedade mais justa, hamônica, feliz já se tentou??

Desde a Polís grega, passando pela República dos romanos, pela sociedade Comunista, Capitalista, todas as tentativas acabaram ficando aquém do que seria aceitável, por que?

Simplesmente porque em todas falta Deus, tenta-se criar a esperança do Reino de Deus através de mãos humanas, todas são apenas sombras pálidas das promessas de Deus, uma sociedade por melhor que sejam seus sistemas econômicos, políticos e econômicos sem Deus não funciona.

Da mesma forma que uma Teocracia também não funcionaria, porque ainda que em nome de Deus ela é feita por mãos humanas, tentando agradar a Deus. Um dos piores erros que podemos cometer é tentarmos criar sistemas para agradar a Deus. Os escribas e fariseus queriam fazer um sistema para agradar a Deus.

“Se eu fizer a minha cama no inferno, eis que tu estás lá”. O inferno ou sheol, a habitação dos mortos, pareceria ser o lugar certo para se esconder de Deus. E é para lá que todos os que anseiam pela morte pretendem fugir, a fim de escapar de escapar das Demandas Divinas.

Eu estou convicto de que não há nenhum sequer no nosso meio que jamais, em algum momento, tenha desejado se livrar do julgo da existência, saindo dela.

Mas todos nós sabemos, lá no fundo da nossa alma, que a morte não provê um escape dessa consciência que há em nós.

9 Se tomar as asas da alva, se habitar nas extremidades do mar,

10 ainda ali a tua mão me guiará e a tua destra me susterá.

Voar para os confins da terra não significaria fugir de Deus. Nossa civilização moderna tenta justamente isso, a fim de se libertar da falta de conhecimento, o qual é o centro da vida e do sentido.

O método moderno de fugir de Deus é correr mais e mais adiante, tão rápido quanto o brilho do amanhecer, conquistar mais e mais espaço em todas as direções, em todos os caminhos humanamente possíveis, estar sempre ativo, estar sempre planejando, e estar sempre preparando.

Quando não queremos encarar a realidade, quando queremos fugir de Deus, tentamos substituir Deus, criando outros deuses, o trabalho, o dinheiro, o poder, quantas vezes criamos nosso deus particular, para não encararmos a vida, procuramos mais e mais atividades, não queremos parar, correndo para o nada.... Diz-se que o pior inimigo do homem moderno hoje é o silêncio, o silêncio nos faz pensar e não queremos pensar.

Mas a mão de Deus cai sobre nós; e ela tem caído de forma estrondosa e destrutiva sobre a nossa civilização fujona; esse nosso vôo provou ser vão

11 Se eu disser: Ocultem-me as trevas; torne-se em noite a luz que me circunda;

Fugir para a escuridão a fim de esquecer Deus, não é escapar d’Ele. Por um momento, podemos até ser capazes de lançá-lo fora de nossa consciência, rejeitá-Lo, refutá-Lo, argumentar convincentemente sobre a sua não-existência, e viver bem confortavelmente sem Ele.

Mas no final sabemos que não é Ele a quem rejeitamos e esquecemos, antes é alguma figura distorcida d’Ele. Nós sabemos que só conseguimos falar contra Ele porque Ele mesmo nos impele a atacá-Lo. Não há escape de Deus através do esquecimento.

12 nem ainda as trevas são escuras para ti, mas a noite resplandece como o dia; as trevas e a luz são para ti a mesma coisa.

O poeta que escreveu essas palavras para descrever a fútil tentativa do homem de escapar de Deus, certamente acreditava que o homem deseja escapar de Deus.

Ele não está sozinho na sua convicção. Homens de todos os tipos, profetas e reformadores, santos e ateus, crentes e descrentes, têm a mesma experiência. É seguro dizer que, um homem que nunca tentou fugir de Deus nunca experimentou o Deus que é realmente Deus.

Quando eu falo de Deus, eu não me refiro aos muitos deuses de nossa própria feitura, os deuses com os quais podemos viver de forma confortável. Pois não há razão para fugir de um deus que é a figura perfeita de tudo que é bom no homem.

Por que tentar escapar de um ideal tão remoto? E não há razão para escapar de um deus que é simplesmente o universo, ou as leis da natureza, ou o curso da história. Por que tentar escapar de uma realidade da qual nós somos uma parte? Não há razão para escapar de um deus que não é nada mais do que um pai benevolente, um pai que garante nossa imortalidade e o nosso final feliz. Por que tentar escapar de alguém que nos serve tão bem? Não, tais representações não são figuras de Deus, mas do homem, tentando fazer Deus à sua própria imagem e para seu próprio conforto.

São produtos da imaginação e do pensamento desejoso do homem, negados por qualquer ateu honesto. Um deus o qual podemos facilmente suportar, um deus do qual não temos que nos esconder, um deus o qual não odiamos em algum momento, um deus cuja destruição nunca desejamos, não é Deus de fato, e não possui realidade.

13 Pois tu formaste os meus rins; entreteceste-me no ventre de minha mãe.

14 Eu te louvarei, porque de um modo tão admirável e maravilhoso fui formado; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem.

15 Os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui formado, e esmeradamente tecido nas profundezas da terra.

16 Os teus olhos viram a minha substância ainda informe, e no teu livro foram escritos os dias, sim, todos os dias que foram ordenados para mim, quando ainda não havia nem um deles.

”. A Presença Divina é espiritual. Ela penetra nas partes mais íntimas do nosso espírito. Toda nossa vida interior, nossos pensamentos e desejos, nossos sentimentos e imaginações, são conhecidos por Deus.

O último meio de escapar, o mais íntimo de todos os lugares, é sustido por Deus. Tal fato é o mais difícil de todos de aceitar.

A resistência humana contra essa implacável observação pode assustadoramente ser quebrada. Cada psiquiatra e confessor são familiares com essa tremenda força de resistência que há em cada ser humano, até mesmo contra as insignificantes auto-descobertas. Ninguém quer ser conhecido, mesmo sabendo que a sua saúde e salvação dependem de tal conhecimento. Não queremos ser conhecidos nem por nós mesmos.

Tentamos esconder as profundezas da nossa alma até mesmo dos nossos próprios olhos. Recusamos ser nossas próprias testemunhas. Como então podemos nos postar diante do espelho do qual nada pode ser escondido?

17 E quão preciosos me são, ó Deus, os teus pensamentos! Quão grande é a soma deles!

18 Se eu os contasse, seriam mais numerosos do que a areia; quando acordo ainda estou contigo.

19 Oxalá que matasses o perverso, ó Deus, e que os homens sanguinários se apartassem de mim,

20 homens que se rebelam contra ti, e contra ti se levantam para o mal.

21 Não odeio eu, ó Senhor, aqueles que te odeiam? e não me aflijo por causa dos que se levantam contra ti?

22 Odeio-os com ódio completo; tenho-os por inimigos.

Reconhecer o infinito mistério da vida, o seu Fundamento e significado.
Mas, de repente, no ápice da sua meditação, o salmista acaba se afastando de Deus. Ele se lembra que há um elemento pernicioso na imagem de sua vida – a inimizade contra Deus, a impiedade e os atos sangrentos.

E uma vez que esse elemento prejudica a sua imagem, ele pede para Deus erradicá-lo.

E em repentina ira ele brada: “Se tu matasses o ímpio, oh Deus, e fizesses todos os homens sanguinários apartarem-se de mim, aqueles que opõem a ti em seus pensamentos, e cometem crime em teu nome! Por acaso, eu não odeio aqueles que te odeiam, oh senhor? Por acaso, eu não os desprezo? Eu os odeio com o mais mortal dos ódios. Eles são também meus inimigos!”

Essas palavras perturbariam qualquer um que pensa que o problema da vida pode ser resolvido com meditação e elevação religiosa. O senso de tais palavras é bem diferente das primeiras.

O louvor transforma-se em maldição.

E o tremor da alma, diante do Deus que tudo vê, é substituído pela ira contra o homem. Essa ira faz o salmista sentir que é igual a Deus, o Deus do qual ele desejou fugir e ir para a escuridão e para a morte.

Deus deve odiar aqueles a quem ele odeia; e os inimigos de Deus devem ser seus inimigos. Ele acabara de falar da infinita distância entre os seus pensamentos os pensamentos de Deus; mas ele esquecera.

O fanatismo religioso aparece, o mesmo fanatismo que tem inflamado a arrogância das igrejas, a crueldade dos moralistas, e a inflexibilidade dos ortodoxos.

O pecado da religião aparece em um dos maiores salmos. É esse pecado que tem destruído da história da igreja e a visão do cristianismo, e que não foi evitado nem mesmo por Paulo e João.

Naturalmente nós, cuja experiência religiosa é pobre e cujo sentimento sobre Deus é fraco, não deveríamos julgar tão severamente aqueles que vivem com o ardor do fogo da Presença Divina e espalham esse fogo ao redor do mundo.

Todavia, o pecado da religião é real; e contradiz Espírito daquele que proibiu seus discípulos, várias e várias vezes, odiarem seus inimigos como inimigos de Deus.

Depois disso, uma mudança de pensamento e sentimento leva o salmista repentinamente para o início do seu poema. Ele sente fortemente que parece haver algo errado naquilo que ele proferiu. Só que ele não sabe o que está errado; mas ele está convicto de que Deus sabe

23 Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece os meus pensamentos;

24 vê se há em mim algum caminho perverso, e guia-me pelo caminho eterno.

Então ele conclui com uma das maiores orações de todos os tempos: “Sonda-me, oh Deus, e conhece o meu coração. Prova-me e conhece os meus pensamentos. Vê se há em mim algum caminho errado; e guia-me no caminho perfeito”. Nesse momento ele pede a Deus para fazer algo que, de acordo com as primeiras palavras do salmo, Ele já faz.

O salmista superou a sua oscilação entre a vontade de fugir de Deus e a vontade de ser igual a Deus. Ele descobriu que a solução final está no fato de que a Presença da Testemunha, a Presença do centro de toda vida dentro do centro da sua vida, implica tanto em um radical ataque contra a sua existência quanto em um significado último para a sua existência. Nós somos conhecidos no profundo da escuridão através da qual nós mesmos não ousamos olhar.

Muitos hoje fogem de Deus, fogem de algo que é impossível escapar, querem criar seus próprios deuses, manipuláveis. Criamos sistemas e estruturas para ignorar Deus, ficamos alienados da presença divina, em parte conseguimos. Não entendemos que não há como fugir de Deus ou ignorar Deus, mais cedo ou mais tarde iremos nos dar conta disso.

Por outro lado, queremos alcançar a Deus, nossa alienação é tão grande, que criamos igrejas, fazemos adoração a Deus, oramos, criamos estruturas para tocar a Deus, e ignoramos nosso próximo, nos afastamos dos necessitados, ignoramos os oprimidos. Nos aliamos a sistemas que exploram o ser humano tiram sua dignidade.

Não é possível existir relacionamento com Deus, se não houver um relacionamento sincero com o meu próximo.