quinta-feira, 30 de abril de 2015

Nota de repúdio ao Governo do Estado do Paraná.


Sou professor, ou melhor continuo tentando ser professor. Larguei meu trabalho no setor bancário (no qual estava a mais de 20 anos) para me dedicar a um chamado e vocação, iniciei o mestrado e a duras penas estou chegando ao final do mesmo e tentando me estabelecer na academia. 

Mas independente deste deste histórico, não poderia me calar frente ao que aconteceu na Assembléia Legislativa ontem dia 29/04. A educação é um dos pilares da sociedade, é ela que possibilita que um povo possa ser civilizado, que tenha noções de seus direitos e deveres e que o indivíduo possa conquistar sua autonomia através do que eu chamo de educação reflexiva, isto é, uma educação que sejam mais do que uma simples formação técnica, mas que seja uma formação ética para uma sociedade mais justa. 




Por isso ser professor é coisa séria, e a educação deveria ser levada com seriedade, em países com alto padrão ético/cultural isto acontece.

A ação impetrada ontem pelo Governo do Paraná é inadmissível, não podemos encarar que uma manifestação pública fosse tratada da forma violenta que foi e muito menos tratando-se daqueles que são responsáveis pela educação. 

O Sr. Governador sabia do risco político que estava correndo ao se encastelar ( sim, é esta a imagem que me vem a cabeça, um senhor feudal encastelado, com sua guarda pessoal...), mas assumiu este risco, talvez porque o problema em que ele colocou o estado do Paraná seja um risco ainda maior... 

Esperamos que manifestações populares e de órgãos representativos da sociedade se posicionem e demonstrem o repúdio ao Governador Beto Richa.  

Ass. Roberto Rohregger

quarta-feira, 8 de abril de 2015

A Igreja e as Cidades....

 Os desafios da cidade no século XXI. 
Autor : José Comblin
Ed. Paulus

José Comblin faz uma excelente avaliação dos desafios da cidade no século Xxi e a relação destes desafios com a postura da igreja. Apesar da magnitude do tema o livro de Comblin e fino, sem ser superficial, a análise não fica na obviedade apesar de que, confessado pelo autor, muito do que ele diz já foi dito outras vezes, mas ainda é necessário que se repita.
A análise do relacionamento das CEB x Igreja como organização e o sufucamento da primeira pela estrutura política da segunda é muito interessante, podemos ver o quanto a sociedade perde quando o poder organizado sente suas estruturas ameaçadas.
Sua frase na pg 25 bem que poderia, guardada as devidas particularidades, ter o mesmo resultado com relação à alguns movimentos evangélicos :
“As pessoas que freqüentam a igreja para buscar remédios e satisfações na vida não se sentem comprometidas com a Igreja. O seu compromisso é com o santo, e nada mais. Não se sentem comprometidas a participar de comunidades cristãs, aceitar a disciplina da Igreja e, muito menos seguir a regra do evangelho.”
Ao final da leitura do livro fica mais claro a distorção entre o cristianismo e a religião atual, a entrega que foi feita do evangelho às exigências do mercado neoliberal, visando suprir a crescente necessidade por felicidade, caracterizada pelo bem estar corporal.
Se observarmos seriamente veremos que a satisfação corporal também tinha seu espaço no evangelho, Jesus curou enfermidades físicas, psicológicas ou seja Jesus entendia a necessidade das pessoas e que vivemos neste mundo, em um corpo físico e que desejamos viver neste mundo com um corpo físico e preferencialmente com gozando de saúde e bem estar físico, e se possível agregando prazer,satisfação e conforto.
Atender as necessidades de saúde e bem estar do individuo não era problema para Jesus, porém a mensagem que Jesus passava era de que está não deve ser o nosso objetivo ultimo, nossa busca final, o físico é uma parte do individuo e não deve ser a maior. A realidade ultima que Jesus aponta é a espiritualidade como porta de acesso para o eterno e possibilidade de sentir-se pleno, não disfarçando o desespero pela finitude, como as religiões modernas fazem, ou seja não substituindo a realidade da morte com uma tentativa de viver o “presente eterno” alienando-se através do consumismo.
A reflexão de Comblin, baseia-se no paradoxo atual que as religiões estão enfrentando, e a grande questão que se impõe neste contexto é : Até que ponto isso é cristianismo?, até que ponto rendemos os profundos conceitos do Reino, propagados nos evangelhos, pelos conceitos de mercado capitalista? Até que ponto nos rendemos a filosofia e conceitos propagados atualmente?

Grupo de Estudos