quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Comentários pertinentes....


"Com tanta pobreza e degradação é preciso ser muito insensível para ser rico."


J. Krishnamurti. - Comentários sobre o viver.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Vaticano promove congresso sobre evolucionismo.

A Santa Sé está preparando um congresso com especialistas do mais alto nível, que busca mostrar «a fé e a ciência como complementares e não como incompatíveis, e restabelecer este diálogo na diversidade».

O site http://www.evolution-rome2009.net (Biological Evolution) anuncia a conferência "L'evoluzione biologica:fatti e teorie" na sua página sobre o escopo da conferência :

Negli ultimi anni ci sono stati molti ed intensi dibattiti sull'Evoluzione, talvolta anche accesi, che hanno visto coinvolti scienziati, filosofi e teologi. L'eco di tali discussioni è rimbalzata più volte nei maggiori mass media, coinvolgendo anche il pubblico. Non di rado, si è avuta l'impressione che in campo vi fossero vere posizioni ideologiche; da una parte, un evoluzionismo metafisico antireligioso e, dallaltra, estremizzazioni fondamentaliste che portavano ad un malintesocreazionismo” o al così dettoIntelligent Design”. (...)
Traduzindo:

Nos últimos anos tem havido muitos e intensos debates sobre a evolução, envolvendo cientistas, filósofos e teólogos. O eco destas discussões aparece várias vezes nos principais meios de comunicação, envolvendo o público. Não raro, se sente que há posições ideológicas, por um lado, um anti-evolucionismo metafísico e de outro um fundamentalismo trazendo um equivocado "criacionismo", ou o chamado "Designo Inteligente(...)

Penso que será interessante acompanhar, mesmo que de longe, os debates e temas deste congresso.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Qual o valor de uma vida?

Estou acompanhando o caso da italiana Eluana Englaro que está em coma a 17 anos, e as tentativas do governo italiano em vetar o processo de eutanásia em que consiste em parar gradualmente de fornecer alimento e hidratação para Eluana. Toda esta situação é muito comovente e trágica, e não pretendo entrar neste post sobre a questão da eutanásia, mas um detalhe que me chama a atenção.

Toda a Itália e vários países do mundo estão observando esta situação, o próprio Vaticano expediu uma mensagem do papa onde entre outras coisas afirma : "que cada vida humana, mesmo quando frágil e envolvida no mistério do sofrimento, dever ser reafirmada na sua dignidade com absoluto e supremo vigor", existe um grande esforço do governo e de setores do Vaticano e da própria sociedade italiana em para com essa ação que chamam de assassinato.

O que me causa uma certa inquietação é por que toda essa indignação, ações e tentativas de se criar leis com relação a esta morte se em vários países da África, e em outras localidades do mundo, milhares de crianças, adultos e idosos também morrem por "gradualmente serem privados de alimentos e hidratação?" Não estamos sendo hipócritas quando esperneamos quando vemos uma pessoa em coma vegetativo, em que por 17 anos, foi mantida viva, com os mais sofisticados aparelhos e tratamentos enquanto assistimos crianças morrendo sem o mínimo de assistência, sem sequer poder ter uma morte digna? sofrendo a mingua?

Por que essas mortes também não geram leis que possibilitem que essas crianças possam ter acesso a comida e agua? a não morrem com um tiro ou com uma bomba?

Será que a vida de um europeu vale mais que de uma criança africana ou Palestina?


Comentando a enquete.

No período que a enquete sobre a questão do aborto ficou aberta tivemos nove participantes, sendo que a opção que recebeu mais votos foi "Quando a gravidez apresente risco para a vida da gestante" com 5 votos e a segunda com 3 votos ficaram "Em hipótese alguma deve ser permitido o aborto." e "Quando a gravidez é resultado de estupro". Observação: era possível escolher mais de uma opção.

Podemos observar que a maioria optou por avaliar a questão da integridade da gestante, ou seja se a gravidez apresentar risco deve ser permitida o aborto. E em segundo lugar ficou a opção completamente oposta a esta ou seja em nenhuma hipótese poderia ser efetuado o aborto, o que significaria colocar em risco de morte a gestante e o feto. O risco desta opção é privarmos a gestante do ato primordial que é facultado a todos nós : salvar a sua vida. Talvez devêssemos pensar um pouco mais sobre isso.

Deus não é Gospel II


Quando fui tocado por uma profunda e inesquecível experiência espiritual, Jesus estendeu a mão para mim em um momento muito difícil da minha vida, não fez exigências, tampouco apontou acusadoramente para mim todos os meus grandes erros e falhas, apenas estendeu a mão com amor e acolheu-me. Foi a melhor e mais significativo contato com Deus. Após aceitar "oficialmente" a Jesus na igreja, comecei a participar dos cultos e tudo era novidade e muito bom. Em um determinado momento a igreja foi ministrada por um pastor de fora, daqueles "famosos" e ele revelou o grande problema com relação às músicas seculares, Watt Disney, Turma da Mônica, objetos que poderíamos ter em casa e outras coisitas mais... Fui envolvido por estes conceitos e queimei minha coleção de LP's... perdi algumas preciosidades naquele ato... alguns livros também foram lançados fora.... por sorte, ou porque talvez a convicção naquelas palavras não estavam assim tão fortes, ou porque talvez a cultura juizante daquele ministro não chegava até Dostoievski a minha biblioteca foi salva.

Hoje recupero alguns daqueles LP's, não mais em vinil mas em MP3, sei plenamente que não existe uma separação entre musica santa e profana, existe boa música e música de péssima qualidade, existe musica gospel que não fala nada de Deus e louva mais o homem do que Jesus e existe musica "secular" que é um verdadeiro salmo de louvor.

Quando aceitei a Cristo Ele não me fez nenhuma exigência, apenas me acolheu e encheu o meu coração de Paz, o homem ao contrário encheu meu coração de dúvidas e intransigências.

Mas hoje posso dizer que reencontrei-me com Jesus, com a cultura e com tudo aquilo que é bom, agradável e justo, o evangelho é integral, vivamos integralmente.

Deus não é Gospel



Rodrigo de Lima Ferreira

Converti-me há 21 anos, em 4 de Fevereiro de 1988. A conversão a Cristo promoveu uma verdadeira revolução em minha vida. Experimentei o que significa o amor de Deus. Experimentei, também, o que significa sofrer por causa dessa nova fé. Chacotas, zombarias, humilhações — tudo por causa daquele em quem comecei a crer.

No entanto, aprendi também a criar uma “carapaça” ao meu redor. Vi que talvez fosse melhor me proteger dos temidos ataques do mundo vivendo atrás de um “muro de Berlim” cultural, onde somente aquilo que fosse “religiosamente aceitável” seria admitido. O mais interessante é que esse muro era seletivo. Barrava apenas música e literatura, com exceção da literatura escolar, que era obrigatória. Enfim, aprendi a filtrar aquilo que vinha a mim de acordo com padrões pré-estabelecidos por um ethos social vigente.

Aos poucos, vi essa carapaça contrair trincados e rachaduras. Por meio do pastorado, tive contato com várias realidades no Brasil e fora dele. Em algumas, vi que pessoas que criaram uma carapaça ainda mais grossa do que a minha eram extremamente religiosas, mas que não experimentavam o frescor da graça do crucificado. Em vez disso, exalavam o bolor fétido da religiosidade morta e carcomida dos fariseus contemporâneos de Jesus. Eram capazes de recusar a audição de alguma peça musical devido à sua origem “profana”, mas também se recusavam a viver uma vida de amor cristão, preferindo substituí-la com regrinhas auto glorificantes. E isso tudo em nome de um Deus a quem conheciam só de ouvir falar.

Tive também a oportunidade de conhecer irmãos de outros países que agiam de modo diverso do meu. E vi que, mesmo na diferença cultural, aqueles eram irmãos de valor, com o coração no reino, muito mais até do que eu, com todo o meu escudo confessional.

Nessa minha queda-de-braço cultural com Deus, compreendi melhor o que Paulo quis deixar registrado em Cl 2.20-23: “Se morrestes com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos sujeitais ainda a ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: não toques, não proves, não manuseies (as quais coisas todas hão de perecer pelo uso), segundo os preceitos e doutrinas dos homens? As quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria em culto voluntário, humildade fingida, e severidade para com o corpo, mas não têm valor algum no combate contra a satisfação da carne”.

Finalmente, vi que estava querendo ser melhor e mais santo que o Senhor. Nessa minha paranóia ególatra, fechei os olhos para a realidade de que “toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação” (Tg 1.17), incluindo, aí, as boas dádivas culturais.

Diga-me de verdade, diga-me porque Jesus foi crucificado / Foi por isso que papai morreu? / Foi por você? Foi por mim? / Será que assisto muita TV? / Isto é uma ponta de acusação em seus olhos?” Esses não são versos de protesto de alguma banda cristã que questiona a banalidade gospel de hoje em dia. São os versos iniciais da música “The post war dream”, do Pink Floyd. Vejo hoje, portanto, que Deus está muito além de nossas limitações culturais. Ele pode usar, caso queira, uma peça teatral, um texto de jornal, uma música para sua glória, independente da confessionalidade. Sua soberania nos mostra que Deus não é gospel. Sua graça nos permite ver a sua beleza por meio da beleza artística, seja ela evangélica ou não.

Enfim, a graça de Deus me mostra, entre outras coisas, que posso curtir boa música, independentemente do rótulo, com o Senhor.


Rodrigo de Lima Ferreira, casado, duas filhas, é pastor da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil desde 1997. Graduado em teologia e mestre em missões urbanas pela FTSA, hoje pastoreia a IPI de Rolim de Moura, RO.

Fonte : Ultimato -- Via Blog Hoje Teologia - A Fé em busca de entendimento


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Sobre o ateísmo, e a liberdade de Deus.

Não gosto de discutir sobre a questão do ateísmo... já discuti muito e aparentemente essa discussão não leva a nada. Já fui ateu, até perceber que era ateu por fé, assim como ser crente também é por fé. Mas esta manhã acordei pensando um pouco sobre os argumentos que geralmente os ateus levantam em uma discussão com crentes.

Primeiro argumento: Não se pode provar que Deus existe.

Não vou perder tempo com isso. De fato não podemos provar cientificamente, dentro do conceito materialista da ciência, que Deus existe. Apesar que, se observarmos pelo conceito Kantiano de juízos analíticos e sintéticos , podemos levantar um juízo analítico da matéria como algo existente, e como tal criada, i.e quando olho a natureza parece-me natural a pergunta inerente de como e quem a criou, e se nos aprofundarmos mais entraremos nas cinco vias de Aquino, e não é isso que desejo.

A minha argumentação é muito mais intuitiva do que intelectual, é uma verdade simples que qualquer um pode, e facilmente compreende. Olhando ao meu redor o mundo e o universo, me parece, assim como pareceu a grande maioria dos seres humanos que já viveram neste planeta que há um criador. Esse argumento é o mesmo que o filósofo Charles Peirce utiliza e afirma que é um grande argumento negligenciado. Somente para entender um pouco mais sobre o que estou falando, segundo Peirce, um argumento será qualquer processo de pensamento razoavelmente tendente a produzir uma crença definitiva; uma argumentação seria um argumento precedente de premissas precisamente formuladas. Por sua vez, a crença será uma ideia arraigada, um hábito de comportamento.1

Não pretendo entrar em questões de experiências religiosas, para não ter que tratar pelo prisma da fenomenologia, portanto para mim basta para este argumento as seguintes afirmações:

1. Não se pode provar cientificamente que Deus existe. Porém também não se pode provar cientificamente que Deus não existe. A opção de alguns filósofos de abrirem mão da metafísica para se aterem a respostas baseadas no materialismo é uma escolha hermenêutica para a leitura e compreensão do mundo, não uma verdade em si.

2. Basta-me a observação de que é muito mais intuitivamente compreensível crermos que o universo tem um criador do que a crença de que não há um criador para o universo.

Segundo argumento: Se Deus existe e é bom, como existe o mal? E como Deus não faz nada para acabar com o mal?

Vou começar respondendo a segunda pergunta: Deus não pode acabar com o mal. Simplesmente pelo fato de que o mal existe de duas formas:

1. Pela ação do homem. É ponto pacifico para a maioria dos pensadores de que o ser humano é livre, ou seja, apenas ele é que decide por suas ações, e desta forma somente pode ser responsável por suas ações se for livre. Se entendermos que o homem foi criado para ser livre ele necessariamente tinha que ser criado com o livre arbitro e consequentemente escolher entre fazer o bem ou o mal.
Deus somente poderia acabar com o mal como opção de escolha pelo ser humano, se o criasse sem o livre arbitro e desta forma o ser humano não seria livre, e consequentemente não seria o ser humano.

2. Pelas consequências de fenômenos naturais. Este ponto pode ser sub-divido em dois:

a. Pelas consequências de fenômenos naturais causados pelo livre arbitro do ser humano. A natureza sobre e apresenta conseqüências daquilo que o homem faz no planeta. O efeito estufa é um exemplo de um fenômeno natural prejudicial ao homem que é causado pela própria ação do homem. Quando ocorre um desabamento de terra face ao desmatamento dos montes, isto é uma tragédia causada pelo livre arbitro do homem. Desta forma Deus não pode também impedir as consequências do mal feitas pela escolha do ser humano, de acordo com a premissa 1 acima e de acordo com a premissa b abaixo.

b. Pelas consequências dos fenômenos naturais simplesmente. Para o universo ser criado faz-se necessário que este seja gerido por leis físicas, químicas e biológicas. Para este universo se manter estas leis devem permanecer estáveis, variações nestas estruturas físicas implicariam em um universo diferente onde a vida não seria possível, logo estas “leis” são condições primárias para a criação. Desta forma qualquer modificação em fenômenos naturais pode causar outros tipos de desequilíbrios no planeta. Há a famosa frase que o bater de asas de uma borboleta na Malásia provoca uma tempestade no Estados Unidos... Quem leu um pouco sobre a teoria do caos entende o que estou dizendo. Logo conclui-se que a intervenção de Deus em fenômenos naturais em grande escala pode acarretar consequências piores que se imagina. A ação de Deus em fenômenos de grande escala poderiam acarretar em mudanças significativas e profundas na estrutura do planeta terra. Donde podemos concluir que essa ação é possível por Deus, mas não desejável.

Bem este é um pequeno resultado de uma divagação matutina, sem a presunção de ser um tratado teológico apenas algumas idéias, sem muito compromisso. Mas talvez valha a pena gastar um pouco mais de tempo com elas.

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1. Recomendo a leitura da matéria Um argumento negligenciado, revista Cult nr 131 e o livro Teoria do Método Teológico de Clodovis Boff, principalmente o capítulo 4 – A Racionalidade Própria da Teologia, a questão da razão hoje.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

A Dialética Inversa da Vida Cristã

Assim, cada vez mais a fé cristã precisa ser contracultural. É possível
que tenhamos de perder empregos, alguns amigos, até nossa
liberdade, se quisermos nos manter fiéis às convicções cristãs injetadas
em nós pelo Espírito de Deus. Por meio da dialética cristã
inversa, somos constantemente lembrados de nossa condição de
estrangeiros e peregrinos neste mundo, pessoas que esperam outro
mundo por vir. É numa relação de antítese com o mundo que
nos encontramos em sintonia com o céu. É por isso que somos
alegres exilados; temos outro lar que é melhor, um destino mais
glorioso.

James Houston, Meu Legado Espiritual, pg. 19,Ed. Mundo Cristão