domingo, 31 de maio de 2009

Leituras II


Estive lendo alguns capítulos do livro " O Homem a procura de mesmo." de Rollo May. Psicólogo e Teólogo. Muitos dizem que Rollo continuou de onde Paul Tillich parou, e isto do meu ponto de vista é muito significativo. A avaliação que Rollo faz com relação ao que no seu entender é o grande mal do século XX e diríamos do XXI, o vazio, parece-me completamente pertinente e uma avaliação real da nossa sociedade. Assim como Tillich, o pensamento de Rollo parece-me ser uma das chaves para a compreensão de como a religião deve olhar a cultura e o ser, uma vez que entendo que a psicologia deve tirar sentido das experiências religiosas e fazê-las dar sentido para a interpretação do ser no mundo. Acho que a chave para a teologia contemporânea é a sua interação com a psicologia construindo pontes entre as duas. Entendo que este processo de construção psicoteologica deva fazer parte da formação da nova eclésia, para um novo mundo. O olhar ao mundo nos indica que devemos, temos como obrigação e responsabilidade perante Cristo apresentar uma nova teologia, e uma nova eclesiologia. Creio que temos um longo caminho ainda para tornar estes conceitos aplicáveis e reais, e claro muitos ajustes devem ser feitos neste caminhar. Mas creio que o primeiro passo é a coragem para discutirmos estas ideias, sem pretensão dogmática de que seja as mais corretas ou palavra final. Nunca devemos esquecer que Deus nunca vai caber nas "caixas" que criamos, por isso a Igreja reformada deve sempre estar se reformando.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Leituras I


Acabei de ler dois livros muito bons :

O Evangelho Maltrapilho de Brennan Manning, já fazia um bom tempo que eu queria ler este livro, mas nunca sobrava tempo....Manning toca em temas bem interessantes, sua experiência de vida enriquece muito a leitura. E realmente nos dias de hoje estamos cada vez mais necessitados de relembrarmos realmente o que é a Graça, fácil, facil de esquecermos e ficarmos perdidos em meio a ativismos e teologias opressoras.


Outro livro que lí está semana foi o livro Teologia Apocalíptica: Surgimento, história e contexto, do Prof. Dr. Marlon Ronald Fluck. Um livro de fácil leitura que demostra de forma dinâmica o desenvolvimento e correntes de interpretações do Apocalipse. A leitura deste material é extremamente elucidadiva e chamou-me a atenção, principalmente de quanto é perigoso querermos enxergar além do que a Bíblia realmente está mostrando.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

O que é a Igreja? O que vai ser da Igreja?

 A igreja..... Este é um tema em que tenho pensado muito nos últimos dias. Acho realmente que o modelo atual de igreja deve mudar para ser mais receptivo e para falar mais diretamente as necessidades das pessoas no mundo de hoje. Desde o meu post A nova Eclésia, venho tentando identificar um modelo de igreja que possa realmente dizer algo para todas as pessoas.... E é claro que não é somente o formato da igreja ou da liturgia que devem mudar, mas a nossa forma de pensar a igreja, e a forma de "fazer" igreja. Para fomentar essa questão vou postar dois vídeos que perguntam o que é a Igreja, isto é muito importante : Temos que parar de tapar o sol com a peneira e achar que estamos ou que poderemos atingir todas as pessoas com o mesmo discurso de 20, 30 ou 50 anos atrás. Infelizmente a Igreja parou no séc. XIX (sendo otimista... alguns dizem que parou no sec XV...). Estou sendo ácido? Talvez? radical? não sei... a unica coisa que não quero é acomodar-me com a situação e achar que tudo está bem....



O QUE É IGREJA?



O que é a Igreja? (What is the Church?)



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domingo, 17 de maio de 2009

Leituras

Acabei de ler "Jesus Cristo e Mitologia" de Rudolf Bultmann, publicada pela editora Novo Século. Já fazia algum tempo que tinha este livro, e havia apenas lido algumas páginas, hoje porém conclui sua leitura. Gostei do livro, apesar da proposta radical de Bultmann, não posso deixar de concordar com sua argumentação em alguns pontos. Porém creio que a visão do "homem moderno" que faz no livro, fica um pouco além do homem "médio" contemporâneo... E desta forma sua opção hermenêutica pouco significativa, não que seja irrelevante, não isso não é. Creio que muitas das criticas feitas à Bultmann foram feitas sem conhecimento total de seu pensamento. Como leitura complementar ao livro "Um novo cristianismo para um novo mundo" é muito interessante, se me entendem rsrs...

segunda-feira, 11 de maio de 2009

"Você encontrará Cristo quando estiver preocupado com o sofrimento dos outros, e não com o seu."

Flannery O'Connor

Citado em O Evangelho Maltrapilho de Brennan Manning, pg 44

A Nova Eclésia - Parte I

Será que o nosso modelo de Igreja ainda atende as necessidades do indivíduo do séc. XXI?

Será que o nosso modelo de liturgia é relevante para a mentalidade do nosso século?

Estas são perguntas difíceis de se fazer, pois parece que o formato da igreja e da liturgia são intocáveis.

Por vezes temos nos mantidos arraigados a um tradicionalismo, que talvez hoje, não tenha mais sentido ou significado. Este modelo tem se perpetuado pelos séculos, é o modelo da sinagoga que passa para cristianismo com pequenas mudanças.

No decorrer dos tempos este modelo fica um pouco mais aprimorado no catolicismo romano, mas sua estrutura básica não muda, louvor, oração, palavra, uma grande quantidade de pessoas escutando e uma falando.

Na reforma protestante este formato se perpetuou nas igrejas evangélicas, e invariavelmente continua o mesmo. Uma das poucas novidades que a reforma traz, que não é propriamente litúrgica, é a escola bíblica, onde se poderia aprender um pouco a mais com relação a escritura.

Porém será que esta estrutura da igreja e da nossa liturgia deve continuar a mesma?

Para defender a manutenção desta estrutura, não podemos sequer recorrer às escrituras, uma vez que Jesus não usava a sinagoga para seu discipulado e sequer deixou um formato para seguirmos. Porém Jesus nos deixou pistas de como deveria ser a Eclésia, ou melhor, de como deve ser a comunidade cristã do futuro.

Jesus reunia os seus discípulos informalmente, onde apresentava as questões religiosas para discussão e aprendizado, ou seja, o foco era o aprendizado e o desenvolvimento humano, a transformação de indivíduos em pessoas.

O nosso modelo cúltico não apresenta nenhuma opção, ou raras opções, para o crescimento do indivíduo. O pior que muitas vezes faz justamente o contrario, faz com que as pessoas fiquem cada vez mais imaturas e dependentes da estrutura religiosa. Não possibilitam a avaliação critica do mundo ao seu redor.

Jesus fazia com que aqueles que o ouviam, ousassem pensar criticamente e avaliarem as estruturas religiosa e secular a sua volta para que pudessem se manifestar contra aquilo que estaria impedindo a evolução do reino de Deus.

Será que o nosso modelo de igreja ou liturgia faz isso?

Considero nosso modelo litúrgico baseado em uma interpretação antropológica errada do ser humano. Há um conceito generalizado no meio cristão que Deus criou o homem para o seu louvor, ou seja para ser adorado pelo homem, desta forma o culto é praticamente centrado no “louvor” a Deus. Não me parece que o relatado em Génesis na criação do homem seja isso.

Em nenhum momento vemos Deus exigindo de Adão que este ficasse o adorando e louvando, vemos sim o relato de Deus procurando um relacionamento com a sua criatura. Deus desejava um relacionamento para que haja um crescimento do homem, e este crescimento é espiritual, psicológico, intelectual.

Sempre achei que nós cristãos deveríamos fazer mais diferença na sociedade do que fazemos, em alguns aspectos até acho que trazemos prejuízos para a sociedade, não raro vemos cristão homofóbicos, racistas e machistas achando que está fazendo o que "Deus" esta ordenando.

Creio que isso acontece porque estes cristãos estão despreparados intelectualmente para agirem na sociedade para propagarem verdadeiramente o reino.

Estes cristãos não têm um discipulado que os faça com que cresçam verdadeiramente,que desenvolvam suas potencialidades intelectuais, que seus problemas psicológicos sejam tratados para que possam ser pessoas melhores. Hoje vivemos um cristianismo individualista, interesseiro e superficial, um cristianismo egocêntrico.

Para que o cristianismo volte a ser relevante isto tem que mudar e esta mudança devem ser teológica e cultica/litúrgica. O principal fator que deve ser mudado é esta concepção antropológica

Este é apenas uma posição inicial do quê deve ser mudado, penso que ainda há mais coisas. Outra coisa ainda é o como mudar.

Essa deve ser a reflexão a ser feita na sequência.

sábado, 9 de maio de 2009

Um novo cristianismo....

Acabei de ler "Um novo cristianismo para um novo mundo" de John Shelby Spong, Bispo aposentado da Igreja Anglicana. Em 250 páginas Spong propõe um novo cristianismo, pois segundo ele, este cristianismo irá morrer. Spong propõe uma reforma teológica radical para apresentar o cristianismo para um novo mundo que estamos vivendo. Esta reforma propõe excluir todo o teísmo que é apresentado no cristianismo. Concordo com Spong em muitos pontos, creio que o cristianismo atual, ou como costumo dizer "os cristianismos", necessita uma revisão dos seus preceitos para podermos separar o joio do trigo. Mas também digo que, apesar de me achar preparado para embates teológicos, está opção de um cristianismo não teísta deixou-me um pouco atordoado. Creio que terei necessidade de mais uma leitura, desta vez mais investigativa e reflexiva, para poder absorver tudo que Spong apresenta. Apesar da posição radical fiquei alegre pois foi uma das raras vezes que vejo um pensador tentar rever o cristianismo no sentido de apresentar um novo olhar e um novo horizonte, e os tempos atuais me dizem que necessitamos fazer isso com urgência. Bem antes de emitir um posicionamento com relação ao livro, cabe-me fazer está segunda leitura mais aprofundada. Então vamos reiniciar o trabalho.


domingo, 3 de maio de 2009

Teólogo...



É assim que me defino, Teólogo... Não com ponto final, mas com reticências Teólogo..., isto porque entendo que não há um teólogo ou uma teologia com ponto final, assim como uma definição de Deus com ponto final.

Descobri esse chamado, ou vocação tardiamente. Após aceitar Jesus como meu Senhor, já tinha mais de 30 anos, procurei estudar com mais afinco as escrituras, senti a necessidade de aprimorar meus conhecimentos e entrei em um seminário, e desde então, isso já faz mais de sete anos, estou formado em Teologia por um seminário e por uma faculdade, e agora cursando uma especialização, não consigo parar de estudar, sinto o desejo de aprender e fazer teologia cada vez maior.

Não sou pastor, sou teólogo, não que o teólogo não possa assumir as vestes de pastor, quando necessário, já fiz isso e se necessário posso fazer, mesmo porque acredito que uma teologia saudável deve ser feita com o coração pastoral, mas esta declaração trata-se mais de uma conclusão e entendimento real da minha função no corpo de Cristo.

Sou um pesquisador nato, adoro ler, escrever, buscar novos campos de interação pela teologia em que possa haver diálogos com outras ciências. Sei que se algum dia tiver que abrir mão da pesquisa teologia serei um ser incompleto, acredito que ao dedicar-me a teologia estou no centro da vontade de Deus, que é boa, perfeita e agradável. Já abri mão de muita coisa para dedicar-me a teologia.

Sei que muitos não conseguem entender isso, alguns podem achar isso uma espécie de arrogância, mas creio que é a minoria, todos aqueles que entendem que cada um tem um chamado para servir, entendem que todo o chamado tem o mesmo nível de importância, mas cada um tem um chamado.

Estou no início da caminhada como teólogo, e está jornada é longa e espinhosa, muitas vezes solitária e incompreendida, mas também sei, e é o que me dá ânimo, que durante toda essa caminhada Deus estará ao meu lado.


sexta-feira, 1 de maio de 2009

A vida e o viver, o respeito pela criação.

A foto abaixo mostra uma cadela Dobermann lambendo um bombeiro exausto.

Ele tinha acabado de salvá-la de um incêndio em sua casa, resgatando-a e levando-a para o gramado da frente. Depois, tinha continuado a combater o incêndio.

Ela estava prenhe. O bombeiro teve medo dela no início, pois nunca antes ele tinha resgatado um Dobermann. Quando finalmente o fogo foi extinto, o bombeiro sentou na grama para recuperar o fôlego e descansar.

Um fotógrafo do jornal 'The Observer' notou a Dobermann olhando para o bombeiro.. Ele a viu andar na direção dele e se perguntou o que a cadela iria fazer. Enquanto o fotógrafo levantava a câmera, ela se aproximou do bombeiro que tinha salvado sua vida e as dos seus filhos e beijou-o.

"Todas as coisas da criação são filhos do Pai e irmãos do homem... Deus quer que ajudemos aos animais, se necessitam de ajuda. Toda criatura em desgraça tem o mesmo direito a ser protegida" (São Francisco de Assis).
dica da Judith Almeida

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Nos "humanos" assumimos uma postura de superioridade sobre toda a criação, uma postura arrogante e ao mesmo tempo suicida. Quando abandonamos ou fazemos sofrer qualquer criatura de Deus, estam0s demonstrando nosso desprezo pela criação divina e abrindo mão da incumbência que Deus nos passou de sermos administradores da sua criação, o administrado cuida e não explora aquilo que está sob sua responsabilidade.

Temos uma responsabilidade de irmão mais velho com todas as criaturas e desta forma deveríamos ter uma postura de cuidador, mas assumimos uma postura de explorador daquelas criaturas que, forçosamente, dependem de nós. Digo forçosamente uma vez que pelo nosso desenvolvimento, alteramos o modo de viver destas criaturas, ou alguém pensa que os animais na sua condição natural necessitam do ser humano para alguma coisa? Nós necessitamos deles em todos os aspectos, até , por incrível que pareça, como fonte de carinho.

Somos capazes de trair estes fieis amigos de formas que nunca imaginaríamos, somos capazes de abandoná-los a sua própria sorte após condicionarmos eles a dependerem de nós, somos capazes de sacrifica-los das formas mais brutais ao menor sinal de trabalho que teríamos com eles ou de "perda da utilidade", estes somos nós assim chamados seres "humanos", e até nós que nós intitulamos de "Cristãos".

Roberto Rohregger