quinta-feira, 20 de agosto de 2009

A ciência e a Vida


Sempre achei que a ciência está se tornando cada vez mais perigosa. Claro que desde sempre a ciência serviu a intenções bélicas, mas a grande questão hoje está no poder de destruição que a ciência possibilita ao ser humano.

Desde o advento da bonba atômica, em que trabalharam as mentes mais brilhantes das ciências, o homem se viu adentrando cada vez mais em um território nebuloso e etícamente questionável. Outra ramo da ciência agora também pode emprestar o seu saber aos Senhores da Guerra, a criação de drogas psiquiátricas que podem ser utilizadas como armas não é necessáriamente uma novidade, mas se conseguirmos criar drogas que possibilitem a manibulação, mesmo que por tempo parcial, de grandes grupos de indivíduos? O que impossibilitaria que governantes, em situações extremas, usassem estas drogas para manipulação do seu proprio povo? Será que estou exagerando? será uma impossibilidade ?

A grande questão continua : "Será que só porque podemos fazer, devemos fazer"

Veja matéria do Site do Estadão na data de hoje:
Drogas psiquiátricas podem virar armas, alerta especialista

Cientistas que estudam a química do cérebro, hormônios e genética deveriam estar preocupados, diz ele

Reuters

GENEBRA-Um importante especialista em armas químicas pediu, nesta quarta-feira, 19, que esforços sejam empreendidos urgentemente para impedir que novas drogas capazes de alterar estados mentais, desenvolvidas com fins médicos, sejam apropriadas por forças militares para fins bélicos.

Em artigo publicado na revista científica Nature, o britânico Malcolm Dando disse que pesquisadores civis parecem inconscientes do perigo e pediu mudanças urgentes num pacto internacional para inviabilizar a possibilidade.

"Nos últimos 20 anos, a guerra moderna mudou, de embates predominantemente de larga escala entre exércitos para conflitos civis bagunçados", escreveu Dando, mencionando o conflito na Bósnia nos anos 90 e as guerras atuais no Iraque e no Afeganistão.

Agentes químicos e mesmo terapias genéticas que estão sendo desenvolvidos em laboratórios biomédicos para uso civil "são particularmente adequados para esse tipo de guerra; não é difícil encontrar pessoas no mundo militar que pensam que eles seriam úteis", declarou.

Dando, um professor de Segurança Internacional da Universidade Bradford, é um participante regular em conferências sobre armas patrocinadas pela ONU e deverá estar em Genebra na próxima semana para uma reunião de especialistas sobre o tratado de 1972 que trata de armas biológicas.

Na Nature, ele escreve que é preciso alterar a Convenção Global de Armas Químicas, conhecida pela sigla em inglês CWC.

"A CWC precisa de modificações urgentes, se for continuar a ajudar a garantir que as ciências biomédicas modernas não serão usadas para fins hostis", escreveu. O mais urgente seria a forma como o pacto trata produtos químicos usados por forças policiais.

Atualmente, a CWC, assinada por 188 países, proíbe todas as ramas químicas, exceto as usadas na imposição da lei e no controle de multidões.

" 'Imposição da lei' pode ser interpretado por alguns como algo além do controle de distúrbios internos, o que em certas condições tornaria legal o uso militar de agentes como o fentanil", disse dando, referindo-se a um potente analgésico.

O fentanil, lembra Dando, foi usado por forças especiais russas em 2002, para subjugar extremistas chechenos que haviam feito reféns num teatro de Moscou.

A tática levou à morte de mais de1 20 dos reféns, e os soldados russos que entraram no teatro, usando trajes especiais de proteção, mataram a tiros os terroristas inconscientes.

Outros produtos em desenvolvimento, disse dando, incluem a oxitocina, apelidada de "substância do amor e do carinho", que induz confiança e cujo surgimento "abre a possibilidade de uma droga que poderia ser usada para manipular as emoções das pessoas num contexto militar".

Embora alguns defensores do emprego dessas substâncias digam que armas baseadas em drogas poderiam evitar matanças, o cientista afirma que a evidência histórica aponta o oposto.

Dando declarou-se alarmado com o que considera uma falta de envolvimento coma questão entre os pesquisadores que descobrem e desenvolvem os agentes capazes de alterar a mente e o comportamento humano. Ele entrevistou vários, em 13 países, e concluiu que "eles simplesmente não estão trazendo o problema a bordo".

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