domingo, 16 de agosto de 2009

Vamos brincar de Deus?

Lí há algum tempo, com um misto de facínio e temor, a matéria do caderno mais! da Folha de São Paulo, " A um passo da vida sintética". Facínio porque o ser humano é capaz de coisas fantásticas, sempre achei que podemos ser cooperadores de Deus na transformação do mundo, perceba que digo cooperadores na transformação do mundo. O medo surge quando munidos das mais belas intenções nos colocamos como "criadores do mundo".

E é isto que a engenharia genética está proporcionando ao ser humano, já não basta transformar, agora estamos criando, ou pelo menos trabalhando para isto. Ao sintetizarmos genomas estaremos criando vida, ou novas formas de vida? Criaremos bactérias com funções especiais ? Quem sabe no futuro não poderemos "aprimorar" o DNA humano? A grande questão não é até onde podemos chegar, já percebemos que podemos chegar muito longe. A pergunta verdadeira é até onde podemos nos permitir a chegar? Talvez os benefícios de algumas tecnologias, apesar de apresentar vantagens incríveis e até nos acenarem com a cura para doenças, talvez ainda assim os eventuais "deslizes" na utilização destas tecnologias sejam suficientemente perigosas por sí só para abrirmos mãos das vantagens. Ser sábio não é dizer Eu posso fazer! ser sabio é apesar de poder fazer optar por não fazer.

Nos ultimos anos estamos passando por uma revolução na manipulação da vida, estamos dominando cada vez mais os processos geradores da vida, a ciência é mais rápida que a ética, hoje há questões para as quais ainda não temos uma formulação ou afirmação ética plenamente sustentável, e eu penso que antes de disponibilizarmos a utilização de qualquer novidade no campo da biologia ou qualquer ciência que traga impactos para a vida, estas sejam objeto de profunda análise ética ou bioética e de outros saberes que possam contribuir para que possamos entender e avaliar todos os impactos para a sociedade antes de a utilizarmos.

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