sábado, 6 de março de 2010

Recuso-me.

Creio que cada vez mais estamos oferecendo um cristianismo doente para um mundo doente.

Talvez achem que está é uma opinião extremamente pessimista, mas eu a vejo simplesmente como realista.

Cada vez mais vejo cristãos "caçadores de fantasmas" com retóricas e interpretações infundadas.

Ao invés de conseguirem dialogar com a cultura oferecendo uma crítica efetiva e consistente, apresentam fórmulas mágicas para prosperidade financeira e uma teologia vazia de fundamentos.

No geral encontramos pregações insignificantes, vazias sem o mínimo de preparo. Quando vejo igrejas (seria este o nome destas instituições?) que fazem cultos de segunda a domingo com cultos de hora em hora, fico pensando, quanto tempo foi gasto para preparar a pregação? respondo : nenhum. O tema é sempre o mesmo o discurso sempre o mesmo tom.

Quando levo 8 ou mais horas preparando, pesquisando, meditando, lendo, para preparar um sermão, não há como não questionar: "Será que não sou eu o idiota ?" Mas ao mesmo tempo sei que jamais conseguiria fazer de outra forma, a não ser que abrisse mão de tudo que creio.

A Igreja que deveria ser uma comunidade libertadora, curadora e transformadora, transforma-se em opressora, propagadora de doenças e mantedora do status quo, torna-se uma agente de propagação da ignorância e alienação.

Recuso-me a ser incluindo no rol dos ditos "evangélicos" que se apresentam nos programas dos pastores eletrônicos.

Recuso-me a ter uma visão limitada do Evangelho.

Recuso-me a pensar que a única música que se pode ouvir é a música "gospel", que aliás na sua grande maioria é muito ruim. Encontro muito mais sentido e muitas vezes muito mais espiritualidade em músicas "seculares" do que nas tais "gospel".

Recuso-me a ler livros de auto-ajuda gospel, assim como recuso-me a crer que somente livros escritos por pastores ou bispos ou seja lá o que for sejam boa leitura. Felizmente encontro maravilhos escritores cristãos, tanto clássico, como contemporâneos, mas é claro que há ótimos livros seculares também clássicos quanto contemporâneos.

Recuso-me a separar e dividir o mundo.

Por fim recuso-me a achar que sou o "dono da verdade".

Para fechar este post vale ver o vídeo abaixo, muito bom, e serve de ponto final para o que estou dizendo. Quem tiver ouvidos (e cérebro) que ouça ( e pense).







2 comentários:

Luciano disse...

No início de minha conversão frequentei inúmeras denominações.
Vejo uma seriedade muito grande em certas igrejas tradicionais, em uma delas o pastor me levou na sala pastoral, e eu disse que queria congregar naquela igreja,ele disse que só com carta do antigo pastor de apresentação (muito bom).
Já nas igrejas de "massa", digamos assim, só oraram e disseram continue vindo (temos muitas pessoas para atender e não temos tempo), continuei indo, e mesmo não tendo todo conhecimento vi inúmeros itens que os irmãos utilizavam (quase relicários), e pensava não serem necessários.
Vejo que estás no caminho certo, pois só se indignando com tamanha cara de pau, pessoas deturpando a Palavra para seus próprios propósitos.
Que possamos levar mais pessoas ao Evangelho Eterno, pois a Bíblia diz: "Crê no Senhor Jesus, e será salvo tu e tua casa" at 16:31

Roberto Rohregger disse...

Obrigado pelas suas palavras e comentário Luciano. Realmente penso que devemos nos posicionar, não com ódio ou violência, mas com indignação e coragem.
Um forte abraço.